Hanazaki: o crescimento da flor

Alex Hanazaki, um dos maiores nomes do paisagismo brasileiro, e seu trabalho poético com as plantas

 

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Paulista de descendência japonesa, Alex Hanazaki formou-se em arquitetura, mas transformou-se em paisagista – por vocação. O profissional atribui à sua infância e juventude em Presidente Prudente, local de muita agricultura, a capacidade que possui de transfazer o simples em algo sofisticado.

Alex extrai da natureza  formas, cores e texturas que pelas suas mãos se traduzem em paisagem moderna. Jardins particulares de alma e linguagem poética. Seus ambientes são minimalistas, no conceito e no cuidado, feitos de detalhes que flertam com o purismo e seus significados. “O desafio de criar o jardim é fazer com que a pessoa permaneça nesse espaço”, explica o paisagista.

Por uma coincidência do destino, seu nome e profissão possuem uma forte ligação. “Hanazaki”, na origem japonesa, significa flor (hana) e crescimento (zaki). Não é atoa que Hanazaki é considerado  um dos grandes nomes do paisagismo moderno no Brasil. Exemplo disso é que o jardim desenhado pelo paisagista para a casa da arquiteta Debora Aguiar, em São Paulo, foi eleito o mais bonito do mundo pela Sociedade Americana de Arquitetos e Paisagistas (Asla) em 2014.

Seu objetivo é criar jardins como obra de arte, sem deixar de lado a importância desses espaços na vida das pessoas. “Questões como acessibilidade e harmonia botânica nas calçadas são preocupações que se os novos empreendimentos hoje tiverem, já é uma mudança de cenário, isso só tende a deixar a cidade muito mais bonita, muito mais permeável e muito mais acolhedora”. A frente de um escritório em São Paulo afinado com seu perfeccionismo, Alex trabalha com projetos comerciais e residenciais.
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Metalinguagem do design goiano

Peças de arte e design de goianos em ambiente de outros goianos na Casa Cor Goiás 2016

Fotografia de Naldo Mundim no ambiente de Geovanni Borges

Fotografia de Naldo Mundim no ambiente de Geovanni Borges

Havia um tempo que o trabalho goiano somente era reconhecido em Goiás quando a notícia do talento nascido no Centro-Oeste difundia no badalado circuito cultural do eixo Rio São Paulo. Esse tempo se foi. As barreiras se quebraram em um mundo globalizado, e o que é produzido em Goiânia é valorizado. Ponto.

É neste ponto que podemos falar da metalinguagem do design moveleiro dentro da Casa Cor Goiás. Para materializar essa figura de linguagem, o Blog AZ circulou em alguns ambientes da mostra e percebeu que arquitetos goianos estavam utilizando-se de arquitetos goianos em seus ambientes. Um verdadeiro intercâmbio de ideias e de valorização da arte e do design produzido aqui.

Anna Paula de Melo usa a linha Chuva de Leo Romano no Wine Bar da mostra. O espelho Chuva chama atenção em uma das paredes do ambiente e dialoga com peças de outros designers brasileiros como Sérgio Rodrigues. O nome de Léo aparece em outro ambiente. É que Ana Paula e Sanderson decoraram seu espaço com as criações em porcelana assinadas conjuntamente por Léo Romano e Yeda Jardim.

Mariela Romano também incluiu goianos em sua linha decorativa. Além do artista plástico Marcus Camargo, responsável pelo projeto da escultura de boi em 3D na entrada do Loft Fazenda, o carrinho de Genésio Maranhão e a Chaise Veleiro de André Brandão e Marcia Varizo também marcaram o ambiente.

Por falar em André Brandão e Marcia Varizo, embora o casal não tenha integrado o time de arquitetos que projetou a Casa Cor este ano, seus nomes fazem parte da mostra não só no ambiente de Mariela. A dupla foi a responsável por criar o Buffet Mondrian, uma das peças que decora a Sala de Almoço de Andreia Carneiro.

A arte goiana não ficou esquecida. Além do mencionado trabalho de Marcus Camargo, presente em quatro ambientes da mostra, uma tela de Sandro Torres chama atenção no espaço Café de Genésio Maranhão. Outro artista que entrou para a mostra foi o fotógrafo Naldo Mundim. É que imagens capturadas por suas lentes fotográficas podem ser vistas no 50 tons Urbanos de Geovanni Borges.

Chaise Veleiro no ambiente de Mariela Romano

Chaise Veleiro no ambiente de Mariela Romano

Tela de Sandro Torres no ambiente de Genésio Maranhão

Tela de Sandro Torres no ambiente de Genésio Maranhão

Porcelanas de Yeda Jardim e Léo Romano no espaço de Ana Paula e Snaderson

Porcelanas de Yeda Jardim e Léo Romano no espaço de Ana Paula e Snaderson

Espelho Chuva de Léo Romano no espaço de Anna Paula Melo

Espelho Chuva de Léo Romano no espaço de Anna Paula Melo

 

Ambiente de Andria Carneiro com Buffet Mondrian de André Brandão e Márcia Varizo

Ambiente de Andria Carneiro com Buffet Mondrian de André Brandão e Márcia Varizo

Fotos: Marcus Camargo

A arte em suas várias facetas

O artista, fotógrafo e designer Marcus Camargo conta um pouco mais sobre seus trabalhos na Casa Cor Goiás 2016

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A arte ganha forma no papel de Marcus Camargo assim como ganhou em sua vida. O designer é formado em Artes Visuais/Design de Interiores pela Universidade Federal de Goiás e atua como fotógrafo, cenógrafo e designer de produtos. Mas as artes sempre estiveram presente na vida de Marcus desde a sua infância com a pintura, a fotografia e a dança. Bailarino, Marcus Camargo dançou por três anos no elenco jovem da Quasar Cia. de Dança e no Grupo DasLos. Atualmente, seu trabalho que ganha maior destaque está nas linhas do desenho e da pintura.

“O desenho começou pra mim como um diário pessoal, nele eu desenhava tudo que estava vivendo e queria colocar para o mundo”, explicou o designer em entrevista ao Blog AZ. Com o desenho, Marcus conquistou uma forma de libertação pessoal. “A estética do desenho vinha em forma de signos, tudo muito “abstrato”, orgânico e intuitivo. Quando percebi que esse meu desenho ultrapassou o meu diálogo pessoal e começou a comunicar com outras pessoas, vi que realmente a minha arte era capaz de tocar”, concluiu.

Quando o trabalho artístico se aproxima do design, podemos encontrar uma conexão desta arte com a arquitetura. No trabalho de Marcus Camargo esta conexão se materializou em quatro ambientes da Casa Cor Goiás 2016. Não é a primeira vez que Marcus expõe suas criações na mostra. Em 2012, criou a mesa Reflexus e uma instalação de vidro no bar projetado por Larissa Maffra e Marina Bastos e o revisteiro Asa para bilheteria de Ozair Riazo e Vanessa Garcia. No ano passado, participou da mostra em Goiás, com painel de quase 7m pintado manualmente no ambiente de Adriana Mundim e Fernando Galvão, e Brasília – projetou uma parede pintada no restaurante projetado por Marcela Passamani. Desde 2012, o profissional fotografa ambientes para arquitetos durante a Casa Cor.

Este ano, Marcus teve o privilégio de mostrar suas várias facetas em uma só edição da mostra, pois em três trabalhos usa o desenho de formas diferentes – na parede, em pratos e em quadros – e outro que trabalha com instalação artística.
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Loft da Fazenda

No Loft da Fazenda, projetado pela arquiteta Mariela Romano, Marcus projetou uma escultura em 3D usando sua identidade de desenho. “A arquiteta já queria uma cabeça de boi na entrada do ambiente, mas não sabia qual e não encontrava algo diferente, foi aí que ela me chamou para conversar”. Da conversa, surgiu a ideia de tridimensalizar o trabalho de Marcus na forma de uma cabeça de boi. “Topei na hora o desafio, pois sempre quis mostrar meu desenho aplicado em outro formato, agora em escultura, que é a evolução de uma técnica que teve início em 2014 com a série de desenhos que criei intitulada Desenho Táteis”, explicou. O boi tem 2m de largura, feito em aço corten, e dividido em três camadas recortadas a laser, criando um volume que se modifica dependendo de onde a pessoa o observa.
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50 Tons Urbanos

Para o ambiente de Giovanni Borges, o loft 50 Tons Urbanos, Marcus criou um desenho na parede com caneta permanente. “Sinuoso e sensual, o desenho vem para unir os ambientes, começando pelo dormitório e terminando na varanda”, explicou o designer. O objeto Crânio King, também projetado por Marcus está no ambiente.

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Refúgio do Benjamin

Para o espaço Refúgio do Benjamin de Karla Oliveira, Marcus produziu uma série de 12 quadros intitulada “Cardíaco”. Os quadros, que foram desenhados para o ambiente de um médico que ama as artes, tem o coração como elemento inspirador em todas suas variações, tanto no lado científico quanto poético. “O coração é visto em estéticas diferentes, assim como a reverberação do movimento de pulsação do sangue no corpo”, analisou o artista.
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Sala de Almoço

Na Sala de Almoço de Andreia Carneiro, Marcus Camargo criou uma instalação de pratos esmaltados populares, com algumas fotografias de viagens da nutricionista Carol Moraes, que serviu de inspiração para o projeto. “A ideia era usar esses registros de viagens da nutricionista. Selecionei somente fotos que mostrava a mão dela segurando algum elemento da gastronomia popular de cada região que passou”. O resultado, segundo o artista, é um grande mapa orgânico que ilustra esse passeio sensorial na diversidade cultural.

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Sofisticação e leveza

Casa Cor Goiás: os arquitetos e urbanistas Eduardo Bittar e Karla Bittar assinam a Sala de Banho da mostra 2016

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Karla Bittar e Eduardo Bittar retornaram após um período sem participar da Casa Cor Goiás e nos lembraram do porquê de sentirmos a sua falta. É que os veteranos de mostra, este ano marcou a 8ª participação do casal na exposição, voltaram em grande estilo. O ambiente parece não dar muita asa para a imaginação, afinal, como inovar em uma sala de banho? O casal aceitou o desafio e transformou os 35m² reservados para o banheiro em um verdadeiro spa: sofisticado, mas com a leveza necessária para um espaço de descanso.

A proposta do projeto foi dar um novo conceito para os banhos, que na maioria das vezes são tímidos e escondidos, transformando-os em um refúgio dentro de casa. Para fugir do estresse nada melhor que um banho de banheira cercado de livros, não? É que a banheira, uma das atrações principais do ambiente, funciona como uma chaise para ler um bom livro da pequena biblioteca instalada na sala de banho, junto da charmosa penteadeira e do pequeno jardim.

Na escolha dos acabamentos foram priorizados materiais mais naturais, ecológicos e sustentáveis; ajudando a reforçar o aconchego e relaxamento do ambiente, como réguas e lâminas de bambu no piso e no teto. Na área molhada, com chuveiros e banheira, há uma plataforma elevada revestida de porcelanato emoldurada por um mosaico cimentício que se assemelha a uma pedra bruta.

As luminárias e mesas de apoio dão suporte para esse uso e sua beleza denunciam sua origem: todas do Armazém da Decoração. A bancada tradicional dá lugar a uma mesa de madeira onde são apoiadas as cubas, abajures e alguns outros objetos necessários em um banheiro. A decoração contemporânea e cosmopolita aposta no bem-estar, com um toque simples e poético do genuíno mobiliário brasileiro moderno, com a poltrona Oscar, de Sérgio Rodrigues; Banco Trinco, de Lia Siqueira; além da série de fotografias do Amazonas, da artista Adriana Bittar.
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Fotos: Marcus Camargo

 

Acima do branco, abaixo do preto

Casa Cor Goiás: o arquiteto Giovanni Borges assina o estúdio masculino batizado de 50 tons urbano

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Foi entre o branco e o preto que Giovanni Borges encontrou o tom de seu ambiente na Casa Cor Goiás 2016. O arquiteto, veterano de mostra, apresenta este ano um ambiente masculino inspirado em um morador cosmopolita, que ousa no seu estilo de viver, com discrição e sofisticação.

É o loft de um verdadeiro Christian Grey, personagem do livro “50 tons de cinza” da autora britânica E. L. James. “O personagem que me inspirou a criar o ambiente, assim como o personagem do livro e filme, é um homem culto e viajado que gosta do luxo e da sofisticação sem abrir mão de um ambiente design”, explicou Giovanni Borges ao Blog AZ.

O ambiente foi batizado de “50 tons urbanos”, mas a escolha se deu pelos vários tons de cinza que colorem o loft de 101 m2. Afinal, como bem lembrou o arquiteto, a cidade vive sob os diversos tons de cinza.  O conceito de bem viver aliado ao desejo de espaços integrados, uma característica nos projetos assinados pelo profissional, também estão presentes no estúdio.

O espaço é composto de uma suíte, com uma generosa sala de banho que recebe a luz natural como protagonista, um closet, além de uma varanda para receber amigos ou relaxar. O projeto luminotécnico privilegia os focos pontuais de luz para valorizar os objetos de decoração e criar uma atmosfera intimista, confortável, aconchegante ao espaço, estimulando e convidando o visitante a direcionar seu olhar e a tocar o produto.

A paleta de cores enfatiza os tons de cinza e a cor preta. O mobiliário apresenta-se em linhas retas em materiais nobres e high tech com peças assinadas por designers nacionais e internacionais. Irmãos Campana e Patrícia Urquiola figuram entre eles. A arte de fotografar de Kazuo Okubo e Naldo Mundim estão retratadas em quadros para compor a decoração do espaço.
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Fotos: Marcus Camargo

Contornos do Cerrado

Casa Cor Goiás: Contornos do Cerrado é o nome que a designer Regina Amaral batizou a varanda da mostra 2016

Foto: Joemar Bragança/Casa Cor Goiás

Foto: Joemar Bragança/Casa Cor Goiás

O Cerrado é o segundo maior bioma da América do Sul e cerca de 22% está localizado em território nacional. Mais especificamente no centro-oeste. Suas características são conhecidas dos goianos: arvores tortas, galhos secos e folhas grandes. O que muitos não sabem é que nosso cerrado é considerado como um hotspots mundial de biodiversidade. Agora, imagina a riqueza do resultado de trazer para dentro da arquitetura este bioma tão importante para a geografia nacional?

A responsável por essa homenagem foi a designer de interiores Regina Amaral, que completa este ano 14 participações na exposição. Regina se declara fã das raízes locais e sempre que pode homenageia algo bem típico da cultura goiana. Na Casa Cor Goiás 2016 não foi diferente. Ao projetar a varanda da mostra, a designer colocou seus visitantes no meio de uma paisagem do cerrado.

Contornos do Cerrado é o nome que Regina escolheu para batizar seu pequeno bioma particular. A decoração do local é inspirada no período de queimadas do cerrado, quando as árvores se contorcem para se livrar do fogo, tornando-se verdadeiras esculturas.
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No espaço de 90m² foram criados vários ambientes que proporcionam conforto para reunir o maior número de pessoas, como um deck com ofurô, cozinha gourmet e ambiente de estar com balanços – Tidelli vindos direto do Armazém da Decoração para criar um clima lúdico no ambiente.

Com raízes na simplicidade e comodidade, as cores que prevalecem na varanda são quentes e os materiais basicamente madeira e pedra. Esta última utilizada de forma natural como revestimento das paredes, peças únicas, com formas, cores, mesclas e tonalidades esculpidas pela própria natureza, acrescentando beleza e estilo ao ambiente.

Outro ponto de destaque são as obras do goiano DJ de Oliveira, que representam a cultura do estado. Como diferencial, a marcenaria desenhada por Regina Amaral são valorizados pela iluminação cênica e pontual. O ecossistema goiano é relembrado em cada canto e detalhe da Varanda do Cerrado, como no paisagismo feito com galhos secos de forma discreta e integrado à natureza.
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Fotos: Marcus Camargo

Bailarina do palco de papel

Léo, Ba e Dani recebem, nos palcos da Sala Conceito do AZ, convidados para prestigiar a Bailarina – nova coleção assinada por Léo Romano

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No palco da arte, design é convidado especial. Talvez seja por essa próxima relação que o arquiteto Léo Romano tenha ampliado, desde o início da carreira, seu campo de atuação. É que Léo não cansa de ousar. Suas criações transitam entre o design visual, de interiores, gráfico, moveleiro, entre a arquitetura e a moda – todas de mãos dadas com a arte, e, em nenhuma delas, Léo Romano deixa de manifestar seu lado inquieto e curioso.

Seu palco principal é uma folha de papel em branco e suas dançarinas são as mãos, que em um perfeito pas de deux, dão vida às linhas que surgem em sua imaginação. “Quando criança queria ser cantor ou bailarino, ficava encantado com os movimentos da dança, mas foi no desenho, timidamente, que busquei o meu caminho” contou o arquiteto. “Me encontrei em folhas brancas”.

A paixão pela dança e a beleza de seus movimentos podem não ter levado Léo para os palcos, mas fez com que o arquiteto os trouxesse para o seu palco particular. Bailarina. Esse é o nome de seu último projeto, um trabalho completo e conceitual que está sendo lançado, simultaneamente, em seus ambientes na Casa Cor Goiás e São Paulo.

Inspirado na dança de um grande balé clássico, os objetos foram construídos com pés que remetem ao formato das bailarinas. Todas de ponta, prontas para dançar em um grande corpo de baile. “A colação Bailarina reflete a busca das minhas lembranças”. Em seu palco de papel, o desenho vira móvel de madeira. “Hoje faço dos meus cadernos o melhor lugar do mundo, me renovo quando uma página vazia revela uma forma”, contou Léo.

Para o arquiteto, a materialização das linhas que dançam harmonicamente em seu palco é a recompensa de seu trabalho. “A Bailarina foi o resultado de um processo no qual artesões esculpem delicadamente uma sequencia de pernas finalizadas com pés em ponta”, explicou. Como resultado, mesa de jantar, aparador, espelho de piso e de parede se materializaram como recompensa de seu trabalho.

Em entrevista ao Blog AZ, Léo Romano explicou que sua nova criação dialoga com a coleção de móveis lançada por ele no último ano. A linha Chuva, também na madeira, trabalhou com pés que lembram os pingos d´agua caídos do céu representando, na obra final, a fluidez que remete ao nome das peças. A nova coleção tem algo de Chuva, mas a fluidez foi substituída pelos movimentos da dança.

Na moda seu trabalho também desperta o público. Há 25 anos o designer desenhava as próprias roupas e tinha uma grife de moda, há 10 lançou sua primeira coleção de joias. Hoje lança, juntamente com sua linha de móveis, nova coleção de joias com os mesmos pés de bailarina que dançam em suas mesas.

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O Armazém da Decoração, que é palco conceito para a experimentação dos designers goianos e nacionais, recebe Léo e Bailarina (com as linhas de móveis, joias e porcelana) em um momento de celebração. Léo faz 20 anos de carreira, AZ completa 18 e juntos se unem em um abraço de afeto e ousadia.

A Sala Conceito, perfumada de histórias, afeto e atrevimento, recebe seu criador – Léo Romano assina o projeto que deu vida à Sala Conceito AZ – para mais uma linda estreia. Na noite de hoje convidados serão apresentados à Bailarina ao lado de bailarinos que dançarão a dança da vida, da alma, do design e da arte.

* O evento recebe os convidados a partir das 20 horas – indispensável apresentação do convite. A performance está marcada para as 21 horas. Dress code: preto.
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Fora da cena comum

Casa Cor Goiás: os arquitetos Alex Dalcin e Tati Tavares projetaram os Banheiros Públicos da mostra 2016

 

Foto: Joemar Bragança/Casa Cor Goiás

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Linhas retas e uma geometria elegante. É assim, simples e contemporâneo, que o projeto dos novatos de Casa Cor Alex Dalcin e Tati Tavares deu vida aos banheiros públicos da mostra 2016. Os 33m2 do ambiente são o resultado de uma proposta contemporânea de estilo industrial.

O mix de materiais como aço corten, ferro, cobre, madeira, PVC, vidro, cerâmica e pedras naturais reforça a identidade do projeto. A iluminação é cênica, o banheiro ganha nova vida com a combinação das luzes, das cores e da estética do ambiente.
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E para quem pensa que em espaços públicos e mais intimistas como este não cabe arte, uma surpresa: letterings (arte em lousa) assinados pelo GOtype Coletivo Tipográfico e painéis em street art assinados pelo artista plástico Mateus Dutra dão um ar artístico às cabines. “A Casa Cor é uma oportunidade que os profissionais têm para criar tendência, por isso nos preocupamos em projetar um ambiente irreverente”, explicou Tati Tavares.

Outro charme do local são os espelhos dupla face assinados pelos próprios arquitetos. Em perfeita harmonia, estão alguns objetos de decoração importados, vindos do Armazém da Decoração, que ajudam a criar uma cena fora comum – é que o banheiro não é nada convencional.

A tecnologia e a sustentabilidade dão as mãos neste projeto ao acolher torneiras hidrogeradoras, que abrem e fecham porque possuem um sistema eletrônico capaz de armazenar a energia gerada pela própria força da água. Elas dispensam o uso de rede elétrica para acionar seu sensor. “Acreditamos que esse sistema seja ideal para reduzir custos com o uso de água, além de ser prático para residências e empreendimentos comerciais”, destacaram os profissionais.
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Fotos: Marcus Camargo

A biografia da Casa Cor

Casa Cor Goiás: Meire Santos homenageia a mostra ao mesmo tempo em que celebra seus 30 anos de carreira como designer de interiores no Lounge 20…30…

Foto: Marcus Camargo

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2016 é ano de comemoração: são 30 anos de Casa Cor Brasil, 20 anos de Casa Cor Goiás e 30 anos de carreira da designer de interiores Meire Santos. Quer razão mais importante para celebrar? Meire celebra a biografia da mostra. É que seu espaço é uma verdadeiro contador de história, e a protagonista do Lounge 20…30… é a história da Casa.

Reconhecida como a maior e melhor mostra de arquitetura, decoração e paisagismo das Américas, a Casa Cor conta com 19 franquias nacionais e outras cinco internacionais, além de um público anual de mais de 500 mil pessoas. Meire não poderia deixar de contar essa história, que se cruza com a sua própria: a designer fez parte de 19 das 20 edições já realizadas em Goiás.

“Todos os anos elejo alguém para homenagear e dar um norte ao meu projeto”, explicou Meire. “Em 2016, esse ‘alguém’ foi justamente a história da Casa Cor”, completou a designer enquanto mostrada as revistas de todas as edições da exposição tanto em Goiás quanto nacional espalhadas pelo ambiente.

Foto: Marcus Camargo

Foto: Marcus Camargo

Seu espaço assimila inovação, qualidade e beleza, ao mesmo tempo em que resgata a memória da exposição. No projeto, a profissional explorou texturas e mobílias cheias de boas referências reverenciando o design de qualidade. Entre elas, não poderíamos deixar de destacar duas assinadas pela própria designer.

Não é de hoje que Meire encarou a criação moveleira. O banco M. Santos foi criado alguns anos antes e volta à mostra com nova roupagem. Do outro lado do ambiente, uma escultura também leva seu nome: a árvore com dois bonecos sentados. “Essa árvore é a genealogia da Casa Cor e os bonecos representam pessoas lendo as revistas da mostra”, explicou Meire.

O cimento queimado misturado a elementos furta cor com efeitos singelos da iluminação marcam a identidade do espaço, ao mesmo tempo lúdica e elegante. Como de costume, peças da Kartell não faltam no ambiente – Meire é conhecida sempre pontuar seus projetos com peças da italiana do plástico.

Foto: Jomar Bragança/ Casa Cor Goiás

Foto: Jomar Bragança/ Casa Cor Goiás

Abrigo do conhecimento

Casa Cor Goiás: a Biblioteca da mostra 2016 foi projetada pela arquiteta e urbanista Cláudia Zuppani

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Um espaço onde se coleciona informações é tão sagrado quanto o solo de uma igreja, deve ser por isso que a arquiteta Cláudia Zuppani projetou com tanto carinho a Biblioteca da Casa Cor Goiás 2016. Se buscarmos a etimologia da palavra “biblioteca”, vamos encontrar no idioma vindo da Grécia – berço do conhecimento – a palavra βιβλιοϑήκη, que é a junção de “livro” e “depósito”.

Atualmente, com o mundo digitalizado, biblioteca virou sinônimo de “sala de estudo”, os livros deixaram de ser a atração principal do ambiente e sua principal finalidade, o aprendizado, vem se perdendo. Este comportamento assusta um pouco a arquiteta. “Tenho sentido que certos valores milenares têm sido questionados, como o estudo e conhecimento, por isso criar um ambiente que têm nessas palavras sua maior inspiração é uma forma de resgatar algo de tão importante para os brasileiros”, explicou a profissional.

Conhecimento é poder, e é nesse poder que o espaço de 80m² encontrou inspiração. O ambiente é contemporâneo e despojado, um perfeito contraste entre o simples e o luxuoso. Na arquitetura, Cláudia Zuppani optou pelo resgate. “Decidi projetar um ambiente de forma a ensimermar-se”, explicou a arquiteta brincando com as palavras. “Foi um verdadeiro retorno a si mesmo, já que optei por preservar a arquitetura local e trabalhar com a beleza existente no próprio galpão que formava o prédio antes da chegada da mostra”.

Com as paredes descobertas em tijolos aparentes e o teto revestido apenas pelas telhas que forram o galpão, a arquitetura cuidou de dar ao ambiente um tom mais despojado. Ficou então a cargo da decoração o toque de luxo do espaço. O mobiliário reúne peças renomadas do design brasileiro, como a estante Jader Almeida, poltronas Lina Bo Bardi e Sérgio Rodrigo – peças vindas do Armazém da Decoração.

O ambiente é diferenciado não apenas por seu espaço acolhedor, mas também por valorizar o momento intimo ideal para ler, meditar e pesquisar. A parede com tinta própria para escrever com giz é uma homenagem ao antigo quadro negro de escola. O piso em carpete evita ruídos no ambiente, revestimento que possibilita a concentração e o aconchego essencial de uma biblioteca.

Cláudia Zuppani se diz uma amante do conhecimento, dessas que adora sentar e pesquisar. Talvez por isso não tenha brincado com as palavras apenas durante a entrevista com o Blog AZ. No ambiente, algumas frases desfilam nas paredes e Cláudia deu destaque para as maiores palavras encontradas na língua portuguesa, como “inconstitucionalissimamente”.
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Texto: Bárbara Alves
Fotos: Marcus Camargo