O mictório que mudou a arte

‘Aquário’ – Waltercio Caldas

Um mictório no meio de um museu e a arte se transformou. Sim, estamos falando de Marcel Duchamp.  Pintor, escultor e poeta francês, Duchamp inseriu seu nome no mundo artístico ao inventar o ready made, técnica chamada de “arte encontrada” (objet trouvé, na língua materna de Marcel) em que o artista fazia uso de objetos industrializados como obra de arte – desprezando noções comuns à arte histórica, como ocorreu com seu famoso mictório.

Dadaísta, Duchamp questionava e contestava o status da arte e do artista. A Fonte foi uma forma (vanguardista) desta contestação. Em 1917 o artista resolver expor um mictório, assinado com o pseudônimo “R. Mutt”, na exposição da Associação de Artistas Independentes de Nova York. Cem anos depois, e sua obra de arte continua sendo usada de parâmetro para a discussão em torno do que é ou não arte.

Toda esta história, de Duchamp à analise do que venha a ser arte, influenciou centenas de profissionais ao longo das últimas décadas. Brasileiros entre eles. Este é o tema em exposição na Fiesp, na capital paulista. Daniel Rangel, curador da mostra “Ready Made in Brasil”, explica que apesar da obra icônica de Duchamp já ter cem anos, foi só a parir da década de 1950  que outros artistas se apropriaram da apropriação do escultor francês.

Os artistas brasileiros que passaram a utilizar de elementos industriais e prontos (os ready made´s) são o tema da mostra em cartaz no Centro Cultural da Fiesp na  Avenida Paulista até o dia 28 de janeiro. A curadoria da mostra escolheu nomes importantes da arte nacional para a exposição, como Hélio Oiticica, Lygia Clarck, Tunga e Nelson Leirner.

Serviço

Ready Made in Brasil

Onde: Centro Cultural da Fiesp
Av. Paulista, 1.313
Quando: de 10 de outubro a 28 de janeiro
segunda a domingo das 10h às 20h

‘Cem mona’ – Nelson Leirnier

‘Quadro a quadro’ – Nelson Leirnier

Imagens: Divulgação

Deixe uma resposta

sete − dois =