Design é Meu Mundo / Alva Design

Alva design e a Etel interiores

Projeto de Ana Paula e Sanderson ArquiteturaSusana Bastos e Marcelo Alvarenga conheceram o design quando eram ainda pequenos. Os irmãos cresceram vendo o avô, João Alvarenga, criar os móveis e objetos que usaria no dia a dia de dentro de sua marcenaria, na cidade de Perdões, interior de Minas Gerais.

A criatividade ancestral contagiou os pequenos. Susana, artista, graduou-se em artes plásticas pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e trabalha entre a moda, o design e a arte – possui trabalhos expostos em museus de São Paulo e Belo Horizonte.

O irmão seguiu também o caminho da criação. Formou-se, também pela Universidade Federal de Minas Gerais, em Arquitetura e Urbanismo – chegando, inclusive, a trabalhar com Isay Weinfeld. Em 2008 abriu seu próprio escritório, a Play Arquitetura, que ganhou destaque entre os jovens talentos da área.

A quatro mãos o trabalho começou mesmo quando, juntos, criaram a Alva Design em 2013. Ela ficou com a responsabilidade de imaginar e ele de racionalizar as criações. Entre arte e arquitetura, os irmãos foram desenhando peças e mostrando seu talento também no mundo moveleiro. Atualmente a dupla faz parte do time de designer editados e reeditados pela Etel Interiores.

Design é Meu Mundo / Cadeira Luísa

Luísa é um dos lançamentos da EstudioBola

Flavio Borsato e Maurício Lamosa, que uniram os nomes e talentos para atuarem juntos à frente de um estúdio de design mobiliário, não param de divulgar novidades. A parceria da dupla começou quando ainda cursavam Arquitetura e Urbanismo na Universidade Mackenzie, em São Paulo, e atualmente criam produtos em parcerias com fábricas de mobiliário, como a Adress, e chagam a lançar cerca de 50 produtos anualmente.

Luísa é o mais novo membro da família EstúdioBola. A Cadeira foi divulgada entre os dias 8 e 10 de agosto de 2017 durante a High Design – Home & Office Expo, mas a novidade entrou com tudo no mercado mesmo a partir deste ano. A marca realiza uma exposição em São Paulo para divulgar suas novas criações e Luísa está entre elas.

Se o desenho de Luísa não é assim tão desconhecido, é porque a peça é uma releitura da icônica poltrona Shell. A Luísa seria uma prima mais certinha de sua antecessora, uma vez que ganhou pernas e um design mais sóbrio.

Estruturada em madeira maciça Jequitibá, a cadeira está disponível em cinco tonalidades. Hoje sem braço, mas a ideia é ir aperfeiçoando o móvel que futuramente possuirá braço. Pintura através de tingimento em cabines pressurizadas, que impedem a entrada de impurezas e proporcionam uniformidade na cobertura da tonalidade. Já o acabamento é raiado nas arestas, o que aumenta a durabilidade e o conforto da peça.

Design é Meu Mundo /Namoradeira Painho

Por Marcelo Rosenbaum e Fetiche

Natureza é a inspiração da baiana Tidelli e a marca não nega suas origens. A inspiração dos móveis vem de referências da fauna e da flora, percebidas nas cores, texturas e tramas dos modelos em cordas náuticas. Mas a cultura baiana também pode ser sentida no design final de seus móveis.

Exemplo desta “baianidade” é a coleção Painho, assinada pelo estúdio Rosenbaum em parceria com a Fetiche. Cada novo ano, a marca inova e adiciona uma novidade à linha. Em 2018 a vez é dela, a namoradeira Painho.

Segundo seus criadores, a nova peça – assim como o restante da coleção composta de balanço de concha, mesa lateral, cadeira club, cadeira alta, cadeira e balanço simples – foi inspirada nas maravilhas naturais da Bahia, do Brasil e da alegria de seu povo.

“A forma sofisticada e fresca faz uma referência cultural à cadeira de chefe típica das fazendas de cacau na Bahia – onde a identidade de uma nação nunca foi melhor traduzida”, explicou o estúdio.

A marca baiana se consolidou no mercado nacional e tem conquistado outras fronteiras, já abriu sua flagship store na Califórnia. O Armazém da Decoração acompanha todas as novidades e traz a Goiânia o frescor do verão em móveis in e out da Tidelli.

Imagens: Divulgação

Design é Nosso Mundo / Poltrona Paraty

Poltrona e Banqueta Paraty de Sérgio Rodrigues

O design robusto do mestre do design brasileiro ganhou o mundo. As poltronas de Sérgio Rodrigues, icônicas peças do mobiliário modernista nacional, se destacaram não apelas pelo desenho e forma, mas também pelo conforto. Sérgio dizia que tinha o melhor jurado para avaliar a ergonomia de suas peças: seu gato. Caso o gato não gostasse de seus protótipos, eles eram melhorados.

Um desses ícones do conforto é a dupla de poltrona e banqueta Paraty. A poltrona foi desenhada em 1963 e ganhou uma nova reedição no ano de 2012 feita pela LinBrasil, marca autorizada a produzir e comercializar os móveis assinados por Rodrigues.

A peça sempre se destaca e é mencionada quando o assunto é elencar as obras mais importantes de Sério. A peça une os dois materiais preferidos do mestre: madeira e tecido. O tecido possibilita com que a cadeira seja comercializada em diversas cores e estampas. A madeira maciça, responsável por sustentar o assento, carrega também todo o charme da peça.

Design é Meu Mundo / Poltrona K. Tita

Poltrona Katita desenhada por Sérgio Rodrigues em 1997

Cada criação de Sérgio Rodrigues é muito mais que uma simples peça de mobiliário ou objeto de decoração. O designer contou história por meio de suas criações e essa história faz parte também da história do Brasil e da cultura nacional.

Outra característica marcante do trabalho do mestre do design era sua capacidade de reinventar. Suas poltronas ganharam nomes, formas e parentes. É que após alguns rabiscos, os móveis eram reeditados para dar origem a outro de estrutura semelhante.

Em 1983 Rodrigues deu vida a um de seus maiores sucessos daquela época. A Cadeira Daav se tornou a grande vedete dos assentos criados e fabricados por Sergio nos anos de 1980, especialmente para o hotel Mofarrej Sheraton. E foi novamente reeditada em 2007. Acontece que no meio do caminho nasceu a Poltrona Katita.

Katita nasceu com os traços da Daav, principalmente com a marca de nascença da irmã: o furo na madeira no meio do assento. Originalmente batizada K. Tita, para ser capaz de sustentar o título de poltrona, a peça veio mais robusta.

Com mais madeira e couro, os materiais mais usados por Sérgio Rodrigues, a poltrona foi desenhada em 1997, como uma derivação da cadeira Daav. Mantém os característicos braços em forma de aspas, mas, ao invés do aço, tem pés e estrutura em madeira de seção ovalada. Foi igualmente reeditada em 2007.

Design é Meu Mundo / Coleção Para Ser Feliz

Nova coleção de móveis de Leo Romano

Imagem: Marcos Camargo

Para ser Feliz é o resultado da constante criação do designer brasileiro – e goiano – Leo Romano. Leo trabalha com a experimentação. Usa seu olhar minucioso e atento para captar, nos detalhes, a fonte de inspiração que precisa para desenhar seus projetos. O lúdico foi o ponto de partida para sua mais nova criação, lançada nacionalmente na última quinta-feira.

“Para Ser Feliz” reúne 14 peças divididas em mesa, aparador, espelho de chão e de parede, banco, banqueta, poltrona, chaise e objeto de decoração. Toda a coleção foi feita com madeira e um toque de resina transparente. “Eu intitulei a coleção de Para Ser Feliz porque além do universo infantil, ela me lembra as melhores coisas da vida”, contou Leo na noite do lançamento das peças. “Um abraço, um colo de pai ou de mãe, um sorvete… Tudo isto nos traz muita alegria”, concluiu.

A forma arredondada que serviu de base para a elaboração de todos os móveis da nova coleção comunica sobre os prazeres simples do cotidiano. “Arredondar é lembrar-nos daquilo que nos faz feliz”, diz Leo.

Imagem: Marcos Camargo

Design é meu mundo / Poltrona Pitu

Aristeu Pires e a poltrona Pitu


Para Aristeu Pires um bom mobiliário é aquele que dura. Assim como uma joia rara, peças de decoração devem possuir qualidade e design para nunca caírem no desuso. Talvez seja por isso que Aristeu se emprenha em desenvolver um design atemporal. Traços simples que dão um resultado bastante sofisticado.

Aristeu Pires desenvolve seu trabalho para a marca que leva seu nome. Suas linhas vão do design de mesas à bancadas, mas seu trabalho se destaca mesmo pelas cadeiras e poltronas, responsáveis pela maior parte de sua produção. Todas batizadas com nomes de mulheres.

Sem modismos, Aristeu cria pensando no conforte (e design, claro). Em 2016 o designer lançou mais uma de suas coleções após um ano de trabalho nos Estados Unidos. Destaque desta coleção foi a poltrona e puff Pitu feito na madeira com estofado em couro ou lona. O sucesso da poltrona foi imediato e este ano a peça viajou para a Semana de Design de Milão na exposição Be Brasil.

Design é Meu Mundo / Cadeira de Bola de Latão

Lina Bo Bardi desenvolveu seis exemplares da cadeira que se tornaria um ícone de seu trabalho

Em 1950 Lina Bo Bardi deu início ao que seria um de seus mais importantes trabalhos: a Casa de Vidro. Localizada em um terreno de 7 mil metros quadrados no Morumbi, a casa parece flutuar em seus pilares, sensação passada pelo emprego do vidro em sua fachada. De tão importante, a casa abriga atualmente o Instituto Lina Bo e P.M. Bardi que tem como objetivo promover e divulgar a arquitetura, design, urbanismo e arte popular.

Entretanto, não foi esse o proposito de Lina quando desenhou os traços do icônico projeto arquitetônico. Ali seria seu lar junto com Pietro Maria Bardi por mais de 40 anos e um espaço tão imponente mereceu móveis de igual relevância. Foi ai que Lina Bo Bardi criou a Cadeira Bola de Latão, que entrou no catálogo de peças reeditadas pela Etel Interiores em 2015.

A cadeira tem a mesma idade da Casa de Vidro, pois foi desenhada em 1951 se tornando uma das cadeiras mais enigmáticas de Lina Bo Bardi. A estrutura dos pés frontais se eleva e a peça é finalizada com uma esfera dourada, surgindo um forte caráter cenográfico. Lina confeccionou apenas seis cadeiras para a Casa de Vidro.

Design é Meu Mundo / Eero Saarinen

Eero Saarinen e a Poltrona Saarinen Berger ou Womb Chair

Algumas peças de mobiliário são como edifícios icônicos, acabam entrando para a história do homem como uma riqueza cultural a ser preservada. São os chamados clássicos do design, peças geralmente assinadas por grandes nomes da arquitetura mundial. O Brasil tem alguns exemplos deste tipo de design. O resto do mundo tem muitos.

Muitos deles vêm dos gelados países nórdicos – uma região que não para de ganhar fãs quando o assunto é design. O clima nada tropical do trópico norte possibilitou com que os escandinavos dessem mais atenção para o interior de suas construções. Os nórdicos passaram então, principalmente a partir do início do século 20, a criar de projetos de forma integrada conhecidos como Gesamtkunstwerk – uma obra de arte total.

O destaque do Design é Meu Mundo de hoje vem justamente desta região. Estamos falando de Eero Saarinen (1910-1961), arquiteto finlandês que desenvolveu grande parte do seu trabalho nos Estados Unidos. Saarinen era filho de arquiteto – Eliel Saarinen –, com o talento correndo nas veias, seus produtos são conhecidos mundialmente e estão na lista dos melhores já criados.

Imagem: reprodução GShow

A Poltrona Saarinen Berger (ou Womb Chair) é um desses clássicos icônicos que os mais íntimos reconhecem à distância. Se você aprecia descansar no fim de noite assistindo novela, provavelmente já viu um modelo da Saarinen no quarto da personagem Ivana (Carol Duarte) de A Força do Querer.

A Saarinen Berger possui estrutura em aço inox polido com concha em fibra estofada. O revestimento pode vir em tecido de diversas cores, couro natural, couro ecológico, veluto e tecido quaker.

A “Vermelha” que influenciou seu tempo

Design é meu mundo de hoje confere destaque a uma peça que está entre as mais importantes do design nacional

 


Falar dos irmãos Campana dispensa qualquer apresentação. Fernando e Humberto atravessaram fronteiras com seus trabalhos no designer (não só mobiliário), e não estamos falando apenas das fronteiras que dividem o Brasil com outros países, mas também que dividem o lugar comum da criação autoral.

Um de seus trabalhos icônicos quando se fala em design mobiliário é a Poltrona Vermelha, esta que, paradoxalmente, pode ser encontrada em diversas cores que não o (claro!) vermelho. Idealizada em 1993, àquela época na cor vermelha, a poltrona não fez muito sucesso como seu futuro lhe entregou. Ela demorou a deslanchar.

O Estúdio Campana havia vendido apenas cinco exemplares da poltrona quando a peça acabou caindo nas graças do italiano Massimo Morozzi à frente da marca Edra. Morozzi se encantou tanto pela excentricidade da poltrona que propôs aos irmãos produzir a peça em escala industrial. Esse momento marcou a entrada definitiva de Fernando e Humberto no mercado internacional.

A produção em escala industrial acabou não sendo assim tão industrial. A poltrona é de difícil confecção e necessita que suas cordas sejam traçadas à mão. Na Edra existe uma pessoas especificamente responsável por fazer este trabalho e acaba por produzir apenas uma peça por dia. Todo este trabalho é um dos motivos pelos quais a obra dos Campana seja assim tão singular.

A poltrona, que leva 500 metros de corda trançada em sua confecção (uma quantidade tão grande que dispensa qualquer estofado adicional para criar o conforto necessário), acabou se tornando não apenas um ícone da obra dos irmãos Campana, mas também do design do século 20. Em 1998 foi exposta no MoMa, em Nova York (primeiro mobiliário nacional a ganhar este destaque no museu) e, com o perdão pelo trocadilho, atualmente continua atual, um verdadeiro clássico do design brasileiro.