Arquitetura de uma vida em trânsito

Casas com estrutura móvel pode ter suas estruturas alteradas a qualquer hora do dia

Arquitetura e engenharia civil estão tendo que se dobrar para acompanhar a mudança de costume dos habitantes de grandes metrópoles e, por isso, acabaram por dobrar também as casas. É que a vida está cada vez mais compacta. Não cabe mais uma história dentro de muitos metros quadrados simplesmente porque a história está em constante mudança.

Jovens optam por simplicidade com elegância no lugar da extravagância e do luxo. Neste caminho, a arquitetura vem buscando saídas para agradar dos paladares mais excêntricos aos mais tradicionais. Soluções como casas em contêineres, estruturas pré-moldadas e espaços reduzidos já fazem sucesso há uns anos. Agora a moda é a arquitetura nômade e também as casas dobráveis.

A arquitetura nômade é um conceito de arquitetura onde construções podem ser montadas, desmontadas, transportadas, armazenadas e depois remontadas em outro local ou para outros fins. As casas dobráveis podem ser construídas sobre trilhos ou com dobradiças e algumas têm a pretensão de se mudar além de se movimentar – é só colocar no caminhão e trocar seu endereço.

Seus criadores idealizaram o projeto pensando nas condições e mudanças climáticas de um terreno. A ideia é que a casa seja capaz de se movimentar para aproveitar ao máximo a incidência de luz e a direção vento. Algumas podem até mudar de endereço. A tendência está se espalhando no mundo e vários escritórios já se dedicam ao projeto, como a dos ingleses David Bem Grünberg e Daniel Woolfson e a de Ten Fold.

Pelo nome, você pode se imaginar morando dentro de um filme do Mr.Been em que ele sai de sua residência e, assim como fazia com o carro, a dobra até transforma-la em uma pasta executiva. Mas, por óbvio, não é bem assim. As casas dobráveis são uma espécie de origami arquitetônico criadas em um triângulo equilátero dividido em diferentes partes e projetado sobre trilhos com uma plataforma circular giratória. Outras possuem dobradiças que possibilitam que suas paredes se tornem chão e o teto parede. A casa pode aumentar ou diminuir de tamanho com a mágica de um botão elétrico.

O artista “sem movimento” do pop art

Alex Katz e o pop art


Alex Katz sempre evitou relacionar seu nome a um grupo ou movimento artístico, mas seu trabalho colorido e suas pinturas que dialogam o realismo com o abstracionismo não o impediram de ser associado ao pop art. Independente de rótulos, após destruir mais de mil pinturas durante os primeiros dez anos como pintor, Katz acabou encontrando um estilo que é só seu.

Alex Katz nasceu em 1927 no Brooklyn, Nova York, estudou na Cooper Union em Nova York até o início da década de 1950 até se aprimorar na arte da pintura e escultura na Escola Skowhegan, Maine. Sua intenção era ser capaz de pintar mais rápido do que de pensar para que, dessa forma, encontrasse uma arte de fato livre.

Sua técnica, similar àquela posteriormente batizada como arte comercial, se uniu aos quadros coloridos de uma ousada simplicidade para que juntos construíssem uma fama responsável não só por relacionar Alex Katz ao pop arte, mas também por lhe conferir o título de um dos precursores do movimento.

Katz transformou seu ciclo de amigos e familiares em modelos de inspiração para seus quadros. Suas pinturas são divididas quase igualmente nos gêneros de retrato e paisagem feitas em painéis de madeira e alumínio.

Aos 90 anos de idade – recém completados – o artista coleciona um currículo com uma vasta lista de obras e exposições espalhadas por cem instituições públicas de importantes museu espalhados por Nova York, Londres, Paris, Madri, Tóquio, Berlim e Munique.

Rodrigo Calixto em constante experimentação

O trabalho mobiliário na madeira de Rodrigo Calixto

Rodrigo Calixto se vê como uma espécie de alfaiate, mas sua função é vestir a casa. Tira molde, cria desenhos, se inspira e, no final, entrega peças de móveis do material que mais se identifica: a madeira.

Espanta saber que Calixto não é viciado em desenhos. Seus “croquis” possuem mais palavras que rabiscos. Mas de alguma forma estas palavras são tridimencionalizadas em belas peças de mobiliário, tudo sem ajuda de computadores. É que o designer acredita que trabalhar a madeira é “viver em um processo criativo pautado pela observação”.

Rodrigo Calixto formou-se desenho industrial na PUC-Rio, mas aprendeu mesmo a fazer móveis com o trabalho diário em sua oficina, a Oficinaethos. Seu contato com a madeira, entretanto, vem de muito antes que a faculdade. Aprendeu grande parte do que sabe com o pai, que era marceneiro nas horas vagas – tinha uma marcenaria por hobby.

Ele conta que a criação da oficina foi muito mais uma forma de esconder sua timidez por trás de uma instituição. Rodrigo se apresenta como um marceneiro autodidata e quando começou, confessa, pouco sabia. Ter uma oficina que não levava seu nome era uma forma de trabalhar sem se pressionar. Mas o trabalho deu certo e hoje Rodrigo cria, ao lado do sócio Guilherme Sass, obras de arte na madeira.

Seu trabalho prioriza encaixes, aproveita a beleza da madeira vinda de demolição e explora o que encontra na biodiversidade de seu país. “Se eu trabalho com madeira, que é um bem cada vez mais escasso, é preciso que eu imprima nela um mínimo de respeito”, explica o designer.

Imagens: divulgação

A arquitetura na fotografia de Yuri Serôdio

O vazio dos espaços públicos ganha um outro olhar pelas lentes de Yuri Serôdio com a mostra Compassos Paralelos

 


Ser um fotógrafo filho de arquiteto fez do trabalho de Yuri Serôdio a união entre os dois campos da arte e conhecimento. O que faz uma pessoa apaixonada por desenho, mas que ganha a vida das lentes da sua câmera? Fotograva a beleza da arquitetura. Ou melhor, do vazio da arquitetura.

As fotografias de Serôdio enfatizam a arquitetura e a perfeita simetria, com a intenção de desvendar o olhar e silenciar o pensamento invadido pelo caos visual das cidades contemporâneas. E de onde vem o vazio? O fotógrafo captura imagens de locais abrigam grandes públicos, mas sem a presença do homem.

O pernambucano Yuri Seródio – hoje vive e trabalha em São Paulo – é filho de pai arquiteto. Talvez dai venha sua admiração pelo desenho e pela simetria da arquitetura. Cursou sua graduação na Faculdade de Ciências Humanas em Recife, mas em São Paulo fez Fotografia e História da Arte.

Este ano apresenta sua primeira exposição individual na Luis Maluf Gallery, em São Paulo, entre os dias 06 e 31 de julho com onze fotografias feitas em teatros, cinemas, palácios e bibliotecas no Brasil e no mundo como parte da mostra Compassos Paralelos. A geometria do belo e a beleza do vazio são os enfoques dados pela exposição.

SERVIÇO

Compassos Paralelos
Onde: Luis Maluf Gallery, SP
Quando: de 6 a 31 de julho de terça a sexta
das 11h às 20h. Sábados, das 11h às 18h.
Quanto: Entrada gratuita

Fotografias: Yuri Serôdio

Vitorino Campos: moda e arquitetura em um mesmo traçado

Vitorino Campos se inspira na arquitetura para fazer moda

Zaha Hadid

Já imaginou fazer da arquitetura moda? Vitorino Campos já. O estilista não só imaginou, como colocou sua mente criativa em prática. Ele utiliza as linhas retas e curvas que dão origem a edifícios quase artísticos da arquitetura mundial e as transforma em peças de roupa. E ele não é o único, pois não é de hoje que moda e arquitetura cruzam seus caminhos.

Reinaldo Lourenço usou Portugal como inspiração para a coleção de inverno da São Paulo Fashion Week no ano passado. Bairros e edifícios serviram de inspiração para o estilista. A marca Maria Bonita usou os traços de Lina Bo Bardi como inspiração para uma coleção apresentada em 2010 também na cidade de São Paulo – berço afetivo da arquiteta italiana.

A arquitetura, no entanto, é uma influência quase que constante nos trabalhos de Vitorino Campos. O estilista está à frende da marca que leva seu nome e também da famosa Animale, esta que em 2016 dedicou toda uma colação a Tadao Ando. Tadao é um arquiteto japonês de vertente modernista, ganhador do Pritzker em 1995, que muito se utiliza do concreto e das linhas retas. “Fiquei encantado pelas linhas limpas e simples e o uso da luz natural como elemento arquitetônico”, explicou o estilista.

O estilista estuda a obra do arquiteto e traduz sob sua própria ótica. Zaha Hadid também recebeu homenagem em forma de roupa. “Fico abismado com a capacidade dela em transformar estruturas e materiais tão pesados em curvas tão leves. São obras contemporâneas repletas de personalidade”, declarou Vitorino.

“Uma estrutura metálica pode se tornar uma bolsa; uma porta, um bolso. Tudo depende do olhar que se tem”. E seu olhar não desperdiça nada. O estilista aproveita até os materiais utilizados por arquitetos e os transforma em artigos de moda, como pulseiras, brincos e bolsas. O estilista mostra que na arte, tudo se aproveita e na criatividade, tudo se mistura.

David Chipperfild

Tadao Ando

Tadao Ando

Zaha Hadid

Imagens: Divulgação

“Você tem fome de quê?”

Léo Romano na Casa Cor São Paulo


Léo Romano atravessou as fronteiras da Casa Cor Goiás há um tempo e participa também da Casa Cor Brasília e da Casa Cor São Paulo. Principal filial da mostra no país, a Casa Cor São Paulo foi pioneira e completa este ano 31 edições. Tradicionalmente localizada no Jockey Club de São Paulo, a mostra abre hoje suas portas ao público com a terceira participação de Léo.

O que mais chama atenção no trabalho de Léo Romano na mostra é que o arquiteto se permite brincar. Para ele uma mostra de arquitetura não pode parecer um ambiente planejado de uma loja de móveis, deve ser um espaço de experimentação. É por isso que Léo conquistou tantos fãs em sua passagem por São Paulo, se tornando um dos poucos nomes de fora a ser convidado para expor na edição nacional do evento.

O espaço do arquiteto em 2017 chama Casa Brasil, que ganhou estruturas aparentes em ripas de madeira pinus suspensas por barbantes que emolduram todo o ambiente. “Pegamos o espaço original e nele fizemos uma construção paralela através dos tarugos”, explicou Léo. “A gente insinua o berço de uma nova construção e esta nova construção representa dois brasis”, conclui o arquiteto sobre seu espaço, que além de trazer muito design, traz também uma provocação que convida o visitante a refletir.

Vestido feito com 400 notas de dois reais

Os brasis a que se refere Léo Romano são, de um lado, um Brasil que é belo e possui o melhor do design brasileiro. Do outro, um Brasil que se constrói na ambição, representado por obras de arte feitas por ele em parceria com a artista Iêda Jardim utilizando moedas e notas de todo o mundo abordando a ganância do homem. Nada mais apropriado para o momento vivido pela política brasileira.

“A ideia é chamar a atenção para esse momento que pode ser um momento de reflexão. É usar a decoração para registrar esse momento político e social que estamos vivendo”, explica o arquiteto. Léo diz que todo o projeto se baseia na pergunta feita pelos Titãs na música Comida, “você tem fome de quê?”, e esta pergunta é respondida pelo ambiente de forma bastante provocativa e reflexiva.

Grandes nomes do design estão representando o lado belo do ambiente de Léo, como a icônica chaise Rio de Oscar Niemeyer, as cadeiras Lúcio, de Sergio Rodrigues, a mesa em vidro de Jacqueline Terpins, o carrinho de bar Jorge Zalszupin e os objetos da série Chuva e Bailarina, bem como um tapete inspirado nos jardins do Burle Marx do próprio Léo – uma verdadeira declaração à brasilidade. O lado da ganância também está representado pela arte da melhor qualidade, com peças criadas pelo arquiteto em parceria com Iêda Jardim.

Mesa posta com “banquete” de moedas

Ernesto Neto e sua arte

Entre a escultura e a instalação o artista brasileiro Ernesto Neto encontra formas de expor a criatividade

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Entre a escultura e a instalação artística brasileira encontramos Ernesto Saboia de Albuquerque Neto, um dos mais conceituados e respeitados nome da arte nacional. O artista multifacetado é escultor, fotógrafo, cenógrafo, desenhista, pintor, artista plástico e organizador de eventos. Podemos falar seguramente que Ernesto Neto é considerado um dos artistas brasileiros de maior prestígio no mundo.

Sua arte ganhou destaque no fim do século passado com uma clara inspiração buscada no trabalho dos neoconcretistas do final da década de 1950 do grupo comandado por nomes como o de Lygia Clark. O movimento, assim como as obra de Ernesto, tem como objetivo propor uma reação aos concretistas ortodoxos da arte geométrica difundindo a arte como organismo vivo em uma espécie de arquitetura orgânica que convida o espetador a ser um participante ativo da obra.

Ernesto Neto nasceu no Rio de Janeiro no ano de 1964. Estudou escultura na Escola de Artes Visuais do Parque Laje e intervenção urbana e escultura no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro. A partir de 1990, passou a utilizar em suas esculturas e instalações o tecido, material que marca sua identidade nas obras que assina. Meias de poliamida junto a materiais flexíveis e muitas vezes leves como isopor, algodão, miçangas e espuma são alguns materiais que fazem parte de suas peças.
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Ernesto Neto foi ganhando espaço no meio artístico e participou de numerosas mostras nacionais e internacionais como a Arco, Feira Internacional de Arte Contemporânea de Madri, Espanha, a Bienal de Veneza, e a Art Basel da Suíça.

Seu trabalho também ganhou as paredes de museus e galerias. Entre as dezenas de exposições individuas no Brasil e do exterior, destacam-se “Acontece num Fim de Tarde”, Galeria Camargo Vilaça, São Paulo, “O casamento: Lili, Neto, Lito e os loucos no MoMA, Nova York, “Citoplasma e organóides”,  Projeto Respiração, Fundação Eva Klabin, Rio de Janeiro, RJ, “Léviathan Thot”, Panthéon, Paris, França, “A sculture can be anything that can stand upright”, Galeria Elba Benitez, Madrid entre outras.

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Alberto Meda e a tecnologia do design

Formado em engenharia mecatrônica, Alberto Meda usa a tecnologia em prol do design

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Alberto Meda nasceu em Tremezzina, interior da Itália. Aos 24 anos, formou-se em engenharia mecânica na Politécnica de Milão e três anos depois já atuava como gerente técnico da Kartell. Seu trabalho à frente da italiana do plástico ajudou a transformar a empresa em uma das marcas mais tradicionais na produção de mobiliário de policarbonato.

Após 1979, passou a desenvolver peças industriais para outras importantes empresas, como a Alfa Romeo Auto, Arabia–Finland ,Cinelli, Colombo design, JcDecaux, Legrand, Mandarina Duck, Omron Japan, Philips, Olivetti, Vitra e outras. Seus trabalhos se destacam no campo do design, com peças de decoração, e também tecnológicas, como sensores solares e radiadores – tecnologia desenvolvida sempre pensando no design.

Meda fez fama como engenheiro focado no design, o que torna suas criações ao mesmo tempo decorativas e práticas. É que Alberto possui uma mente pragmática. A cargo do desenvolvimento de projetos de móveis e equipamentos de laboratório de plástico da Kartell, ajuda a desenvolver a alta tecnologia aplicada pela marca em seu mobiliário. Estar no laboratório não impediu que Meda assinasse peças de sua própria criação, como a luminária Aledin e as escadas upper.

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A arquitetura de Isabelle Stanislas

A francesa Isabelle Stanislas e seus trabalhos belos e geométricos

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Isabelle Stanislas é uma arquiteta francesa habituada em dividir o palco com outros profissionais do campo artístico – seus projetos são uma mistura contemporânea de arquitetura com arte. Formada em arquitetura pela Faculdade de Belas Artes de Paris, obteve sucesso nos projetos criativos que realizou em conjunto com fotógrafos, paisagistas e artistas ao longo da carreira.

Seu escritório foi aberto na capital francesa em 2001 e desde então Isabelle tem levado seus projetos residenciais e comerciais para mostras internacionais de arquitetura e design, como na Mostra de Arquitetura e Decoração e no Salão do Móvel de Milão – ela é a profissional responsável pela identidade estética de lojas exclusivas como Hermes e Zadig & Voltaire.

Isabelle não se diz uma workaholic, muito embora julgue não haver hora certa para a arquitetura. Mas, segundo ela, a vida deve ter tempo reservado para ser vivida, já que são das experiências diárias que se tira a criatividade para os projetos que desenvolve em seu escritório, projetos arquitetônicos e mobiliários.

Iluminação é um item de extrema importância no trabalho da arquiteta. Segundo ela, é preciso criar um equilíbrio único entre luz e espaço e a iluminação é trabalhada sempre de acordo com os volumes arquitetônicos do ambiente. Um de seus trabalhos que mais chamou a atenção do mundo foi a So Light lâmpadas, que forma desenhos geométricos luminosos e personalizados com o tamanho do ambiente – a peça foi destaque de varias revistas do seguimento em todo mundo após ser exposta no Salão do Móvel de Milão em 2013.

Outro projeto seu que garantiu publicações foi a decoração de um apartamento de 200m² em uma valorizada área próxima ao Museu do Louvre. O apartamento em questão é atualmente sua própria casa. O vizinho Louvre é o principal item da sala, já que suas janelas têm vista para o museu parisiense. Com o objetivo de destacar essa paisagem, as paredes do cômodo foram pintadas com tons claros, em prol do equilíbrio estético com o Louvre.

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Brasília, Patrimônio Cultural da Humanidade

Há 30 anos Brasília recebia o título de Patrimônio Cultural da Humanidade sendo a única obra contemporânea a ser agraciada com o título

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No último dia 21 de abril a capital federal comemorou 57 anos de idade. Um bebe perto de cidades brasileiras como São Paulo, com 463 anos, e Salvador, com 468 primaveras, ou mesmo cidades europeias que já ultrapassaram um milénio de existência. Mas Brasília tem algo que a torna especial mesmo com poucos anos de vida: sua arquitetura única.

Foram os traços modernistas de Oscar Niemeyer e o urbanismo de Lúcio Costa que fizeram com que a capital brasileira fosse incluída em uma lista preparada pelo periódico britânico The Guardian sobre as cidades mundiais que devem ser visitadas pelos amantes da arquitetura e não é para menos, Brasília parece nascida fora de seu tempo e de qualquer outro tempo.

Foi por isto que em 1987, há exatos 30 anos, a capital brasileira foi tombada pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco). Em 1972, a Unesco criou a Convenção do Patrimônio Mundial, para incentivar a preservação de bens culturais e naturais considerados significativos para a humanidade.

Não é apenas um organismo internacional que pode tombar uma cidade ou um prédio, além da Unesco, os municípios, estados e a União podem tombar um monumento. O tombamento é definido pelo Direito brasileiro como uma das formas de intervenção do Estado na propriedade privada, já que uma vez tombado como patrimônio histórico, os prédios atingidos pelo ato enfrentam uma série de burocracias para sofrer pequenas intervenções – tudo deve ser aprovado pelo ente tombador.

Mas diante da importância arquitetônica de todo o Plano Piloto de Brasília, a Unesco entendeu que sua preservação deveria ser mundial e a tombou como Patrimônio Cultural da Humanidade. Por ser um marco da arquitetura e urbanismo modernos, Brasília é detentora da maior área tombada do mundo – 112,25 km² – e foi inscrita pela Unesco na lista de bens do Patrimônio Mundial em 7 de dezembro de 1987, sendo o único bem contemporâneo a merecer essa distinção.

Ao lado de Brasília, outras cidades possuem bens igualmente tomabos pelo órgão da ONU: o  Centro Histórico de Olinda (PE), as Ruínas de São Miguel das Missões (RS), o Centro Histórico de Salvador (BA), o Santuário do Senhor Bom Jesus de Matosinhos em Congonhas do Campo (MG), o Parque Nacional Serra da Capivara (PI),  o Centro Histórico de São Luís do Maranhão, o Centro Histórico de Diamantina (MG), Centro Histórico da Cidade de Goiás, a Praça de São Francisco em São Cristóvão (SE), as paisagens do Rio de Janeiro, e o Conjunto Moderno da Pampulha.
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Imagens: Unesco / Ron Van Oers