Mundo de croché

Artista visual cobre obras de arte com chochê e muita cor

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Parece brincadeira de criança, mas é arte. A artista visual Agata Olek se expressa por meio do crochê e com ele vem colorindo o mundo. Ela é conhecida por cobrir com crochê obras de arte e grandes objetos que fazem parte do dia a dia das pessoas, como carros e casa.

Nascida na Polônia e graduada em Estudos Culturais, Olek aprendeu o ofício quando era criança e passou a desenvolver arte com os fios traçados há cerca de dez anos, quando redescobriu a costura estudando em Nova York.
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Seu trabalho consiste, basicamente, em transformar os objetos em crochês e, para isso, conta com o auxílio de crocheteiros, pessoas locais habilitados na arte do tricô. Em 2012, a artista veio ao Brasil e deixou seu trabalho em São Paulo. Ela transformou uma escultura gigante de crocodilo em uma enorme obra de arte de crochê.

Seu último trabalho, entretanto, tem sido um pouco mais ousado. Ela cobriu dois andares inteiros de casas com crochê cor de rosa nas cidades de Kevara, na Finlândia, e Avesta, na Suécia. Para o projeto, contou com a ajuda de mulheres refugiadas da Síria e da Ucrânia como crocheteiras.

“A casa rosa foi uma jornada e não apenas um trabalho artístico”, explicou a artista em seu site. “Uma pessoa doou a casa, outra instalou eletricidade e uma terceira doou o material, por isso é um trabalho de ajuda mutua. Pessoas de todos os estilos se juntaram para tornar esse projeto possível”, concluiu.

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Subversão artística – a beleza da dança

Fotógrafo registra bailarinos nus em pontos icônicos das principais cidades europeias e norte-americanas

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O fotógrafo norte-americano Jordan Matter é especialista em imagens de bailarinos. É aquele artista que se apresenta atrás das cortinas. Desde 2009, registra imagens de bailarinos no cotidiano, mas decidiu mudar de perspectiva na produção do livro Dancers After Dark (Dançarinos Após o Pôr do Sol) – que será lançado na noite desta terça-feira (18) nos Estados Unidos.

O Dancers After Dark foi um projeto criado pelo fotógrafo em parceria com diversos bailarinos para mostrar as cidades na madrugada, só que completamente nus. O fotografo viajou para Paris, Londres, Amsterdã, Montreal e diversas cidades nos EUA, como Nova York, Baltimore, São Francisco e Chicago. A ideia era colocar os bailarinos nos locais mais icônicos e históricos das cidades.

“Se eu conseguir colocar os bailarinos no centro dos locais mais icônicos, o resultado será espetacular”, explicou Jordan Matter. E foi. Embora o livro ainda não tenha sido lançado, grande parte do trabalho desenvolvido para o Dancers After Dark pode ser visto no site do projeto.

Notre Dame em Paris

Notre Dame em Paris

Além da beleza das fotos, o trabalho chamou a atenção por não ser, nas palavras do próprio fotógrafo “particularmente legalizado”. É que as fotos foram tiradas sem autorização do poder público – o que se exige para um trabalho de nudismo, ainda que artístico. Os bailarinos chegavam no local alvo, tiravam suas roupas, e tinham menos de um minuto para encontrar a posição para a foto até que Matter gritasse “dispensado” ao avistar um carro da polícia.

“Esse projeto é uma oportunidade de mostrar para as jovens bailarinas, principalmente as bailarinas negras como eu que foram desencorajadas ao longo da vida, que elas crescerão para ser lindas. Que elas podem se mostrar e que se tornarão grandes artistas”, disse Michaela Deprince, capa do livro.

Washington Square

Washington Square

Towson

Towson

Monreal

Monreal

Monreal

Monreal

Millenium Park em Chicago

Millenium Park em Chicago

Rio Hudson em Nova York

Rio Hudson em Nova York

Chicago

Chicago

Chicago

Chicago

Chicaco

Chicaco

Central Park

Central Park

Amsterdã

Amsterdã

Nova York com o ator convidado Alan Cumming

Nova York com o ator convidado Alan Cumming

Museu do Louve

Museu do Louve

Poesia Urbana: que lugar te inspira?

A convite da Folha de S. Paulo, escritores traçaram o caminho da literatura na cidade de São Paulo e incentivaram a apropriação dos espaços públicos

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Na semana em que a academia sueca anunciou o músico Bob Dylan como vencedor do prêmio Nobel de Literatura, percebemos que literatura perdeu sua definição clássica e se adequou ao mundo contemporâneo, onde não basta o formato, o valor está no conteúdo. Foi para sair do formato que o Guia Folha propôs a alguns artesãos da língua um desafio: descrever a literatura na cidade.

O projeto Poesia Urbana incentivou escritores a marcarem a cidade de São Paulo com poesia e traçar um caminho literário pela capital paulista. “Onde vão os poetas quando não estão caçando tesouros entre sílabas? A que lugares recorrem para ler, escrever ou buscar inspiração?” perguntou o periódico aos poetas.

Os autores descreveram, com literatura, a cidade. “Literatura, pra mim, é menos a palavra escrita e mais a capacidade de leitura: juntar códigos, criar sentidos, nomear abstrações e imagens”, explicou a escritora Maria Giulia Pinheiro ao eleger a Casa das Rosas e o Ibirapuera como seus espaços de inspiração.

Sesc Pompéia, projetado por Lina Bo Bardi

Sesc Pompéia, projetado por Lina Bo Bardi

Para o escritor Jr. Pellé, o espaço Sesc Pompéia é o seu canto literário. “Um lugar lindo, tão Lina Bo Bardi, tão concretista quanto a alma de Sampa”. O espaço foi projetado pela arquiteta e conquista o coração daqueles que se encantam pelas criações designer.

Outros espaços citados pelos autores foi a Avenida Paulista, a praça Roosevelt e o Beco do Batman. A cidade é para ser tomada e a literatura é uma boa forma de preenchê-la. E você, como se conecta com a sua cidade?

Design Olímpico

A abertura dos Jogos Olímpicos 2016 destacou o que o Brasil tem de melhor, inclusive no design, arquitetura e paisagismo

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A noite da última sexta-feira (5) foi uma celebração do Brasil para o mundo. Pelo menos foi esse o resultado que a equipe comandada pelo cineasta Fernando Meirelles (diretor de Ensaios sobre a Cegueira e Cidade de Deus) conseguiu com a belíssima cerimônia de abertura dos Jogos Olímpicos Rio 2016.

A capital carioca recebe 16 dias de jogos com mais de 11 mil atletas de mais de 200 países e a abertura foi o momento de mostrar ao mundo o que o Brasil tem de melhor. Além da música, muito bem representada por nomes como Paulinho da Viola, Gilberto Gil, Caetano Veloso e Elza Soares, a arte, o design e a arquitetura marcaram presença.

Um grito pelo Meio Ambiente

Um grito pelo Meio Ambiente

Bem no início da cerimônia fomos presenteados com uma versão do hino nacional cantada por Paulinho da Viola e músicos bem confortáveis sobre as poltronas Lúcio, do nosso eterno mestre do design moveleiro Sérgio Rodrigues. A homenagem acertou dois alvos com uma só peça de design. A cadeira Lúcio foi uma homenagem de Sérgio Rodrigues ao amigo Lúcio Costa, responsável por desenhar o plano piloto que deu vida à capital federal.

Mas esses nomes não foram os únicos do design a aparecer em referências festivas durante a cerimônia de abertura dos Jogos Olímpicos. A arte geométrica brasileira foi igualmente homenageada com a representação do trabalho de Athos Bulcão, que muito fez por Brasília. Nos primeiros segundos da abertura, antes mesmo do presidente do Comité Olímpico Internacional ser anunciado, bailarinos dançaram no palco com tecidos nas formas geométricas usadas por Bulcão em seus trabalhos artísticos.

Formas geométricas de Athos Bulcão

Formas geométricas de Athos Bulcão

Outro momento de grande inspiração foi o voo de Santos Dumont no 14 Bis. O avião voou pelo Maracanã ao ritmo da bossa nova. Sobre as curvas da Cidade Maravilhosa, mostrou o Rio que tanto inspirou Tom Jobim, Vinícius de Moraes e as obras de Oscar Niemeyer e do paisagista Roberto Burle Marx – Burle Marx inspirou os organizadores também no formado do palco que representa um de seus famosos jardins carioca.

Ao final ficou, além da alegria, uma bela mensagem de respeito e de paz. Fernando Meirelles, ativista ambiental, aproveitou que a festa com cerca de 3 bilhões de espectadores atentos de todo o mundo,  para chamar a atenção para a necessidade de preservação ambiental. Uma floresta foi plantada com uma sementinha de árvore trazida por cada um dos atletas que entraram na arena. Daqui uns anos, além da lembrança, o Rio herdará desse momento uma floresta de árvores das nações.

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Fotos: Agência Brasil/ Divulgação

A história de Dalvina Borges: a melhor construção do ano

Dalvina Borges Ramos juntou 150 mil reais em 50 anos de trabalho como diarista para reformar sua casa e acabou virando notícia quando viu seu imóvel premiado no início deste ano

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Dalvina Borges Ramos, 74, passou uma vida juntando o que podia de seu trabalho como diarista. Em 1991, Dalvina adquiriu um pequeno imóvel na Vila Matilde, bairro da zona leste de São Paulo e 25 anos depois, viu sua casa virar notícia. A história não é nova, mas vale a pena ser relembrada pelo Blog AZ.

Em 2013 Dalvina viu seu imóvel ser atingido por uma das fortes chuvas que atacam a capital paulista quase todo ano, foi quando seu telhado literalmente desabou. Os 150 mil que a diarista juntou ao longo de 50 anos de trabalho serviu para que seu filho batesse à porta de um escritório de arquitetura com uma encomenda: reforma urgente com orçamento possível.

O escritório de arquitetura Terra e Tuma foi o responsável pelo projeto de reforma da casa, que ganhou telhado e paredes de concreto. O resultado final, contemporâneo e cheio de vida, ganhou prêmio internacional. Foi assim que a história de Dalvina foi parar em sites de notícia nacionais e até em programa de televisão da maior emissora do país.
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É que o ArchDaily, um dos sites mais importantes do segmento de arquitetura do mundo, premiou o projeto no início desse ano na categoria “Building of the Year 2016” (melhor construção do ano). Dalvina ainda tanta se acostumar com a “modernidade” do projeto.  “A parede eu até acho bonitinha, mas esse chão dá a impressão que é sujo. Quero colocar um piso branquinho para dar uma aparência mais alegre”.

O filho de Dalvina contou que foi atrás de um escritório de arquitetura porque não queria um engenheiro assinando o projeto e não faria o que é comum em seu bairro: contratar amigos para realizar obras de reparação. O escritório conseguiu entregar um projeto que cabia no orçamento dos contratantes e realizou a obra, com dois quartos, sala, banheiro e área de serviço.

O resultado, combinado com a habilidade do escritório em otimizar o espaço a um orçamento restrito – estas obras são conhecidas por seu alto custo – foi o que rendeu prêmio à casa. “Levamos o prêmio porque trabalhamos pela democratização da arquitetura”, explicou o escritório à época.
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Fotos: Divulgação / Terra e Turma

A fotografia que captura a dor

Fotógrafa explora os sentimentos de angústia e ansiedade em uma série de fotografias intitulada “My anxious heart”

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De acordo com estudo realizado pelo PLOS Medicine, a depressão é a segunda causa mais comum de invalidez em todo o mundo, então por que não transformar a dor em arte? Como um dos primos mais próximos da depressão é a ansiedade, a recém-formada fotógrafa Katie Joy Crawford escolheu o tema para o ensaio em seu trabalho final de curso e o resultado acabou virando notícia em todo o mundo.

Na série de 12 autorretratos intitulada “My anxious heart” (Meu coração ansioso), a fotógrafa narra por meio de imagens os sentimentos de uma pessoa que, como ela, sofre de ansiedade. As fotografias identificam o tamanho do esgotamento emocional e físico que sofre uma pessoa com transtorno de ansiedade a partir de uma perspectiva pessoal.

“Como eu carrego os sentimentos de ansiosidade na minha mente desde que nasci, decidi interpretar meu próprio papel como instigadora e vítima da ansiedade através dos autorretratos”, explicou a fotógrafa em seu site. O projeto, que foi tema de reportagens em diversos portais de notícias internacionais, se transformou em um livro, onde Katie Joy Crawford narra – por palavras e fotografias – o que é o sentimento de angustia.

Como dizem que as melhores criações nascem na dor, o resultado do trabalho da fotógrafa foi incrível. É como estar dentro de sua cabeça ansiosa e se sentir preso nesta angustia.  “Quero que aqueles que sofrem, sintam que têm uma voz e uma mão para segurar. Não quero que ninguém se sinta sozinho nunca, já que ansiedade e a depressão podem fazer com que a pessoa se isole”, contou Katie em entrevista para o portal BuzzFeed.

Conheça mais o trabalho de Katie Joy Crawford em sua página online.

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O incrível mundo de Lapo Elkann

O herdeiro da Fiat Lapo Elkann, sua criatividade excêntrica e seu encontro com a Kartell

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Algumas pessoas vieram ao mundo para se destacar. Seja pela polêmica de seus atos, pela humanidade de suas ações ou pela genialidade de suas criações. Definitivamente o italiano Lapo Elkann é um deles – talvez a justificativa se encontre em todas as três razões citadas acima. Com o cigarro em uma mão e o café na outra é que o filho prodígio da Fiat encontra inspiração para criar. Filho prodígio da Fiat porque Lapo, além de fundador de oito empresas de sucesso, é tataraneto do fundador da Fiat, Giovanni Agnelli, ou seja, herdeiro da marca italiana de carros.

Traçar o perfil de Lapo Elkann não é uma tarefa fácil, o italiano de 38 anos atua como marqueteiro, empreendedor, estilista e magnata mundial do jeans e dos óculos, designer de veículos, destilador de vodca, distribuidor de filmes e designer de relógios. Além de sua vasta lista de profissões, Lapo coleciona também uma lista de mais de meia dúzia de empresas fundadas por ele. São seis de capital aberto e outras duas de capital fechado, tendo como caçula a recém-criada Garage Italia Customs, empresa de design e fabricação responsável por personalizar carros.

Embora o ‘playboy’ não esconda a influencia da família, não gosta de misturar a influencia magnata da empresa de seus avos com suas apostas pessoais. “Os empreendimentos que faço não são com o dinheiro da minha família — são minhas decisões, minhas escolhas, e é assim que eu quero que seja”, explicou certa vez em entrevista para a revista Forbes. “É um muro muito alto, mas muito respeitoso, que foi construído com flores entre as minhas empresas e as empresas da minha família. Ainda sou um dos maiores acionistas das empresas da família, com meu irmão [John, presidente da Fiat] e minha irmã, e eu as vejo com muita seriedade, sou parte delas. Mas minha vida diária é desenvolver meu grupo, minha empresa, meu império e minha história”, completou.

Cladio Luti (Kartell) e Lapo Elkann

Cladio Luti (Kartell) e Lapo Elkann

O termo playboy que acabou por dar apelido ao empresário pode estar associado a sua vida pessoal. De personalidade forte, o empresário já alcançou com apenas uma de suas empresas um faturamento de quase US$ 36 milhões, mas nem sempre foi assim. Baladeiro, antes de mostrar sua criatividade no mundo dos negócios, Lapo saiu de um tratamento para dependência química e morou em Nova York enquanto se recuperava. Foi nos últimos oito anos que construiu seu império criativo.

Com tantas vertentes, não é estranho imaginar o trabalho de Lapo Elkann cruzando com o mundo do design moveleiro – assim como fez com a moda, o cinema e o design de carros. Este ano, durante a edição 2016 do Salão do Móvel de Milão, a Kartell uniu forças à Garage Italia Customs para lançar a “Kartell + Lapo. It’s a wrap!”. O designer e sua empresa reinterpretaram os produtos icônicos da Kartell utilizando a tecnologia usada para personalizar os carros (car wrapping technology).

A grande paixão de Lapo Elkann é o mundo automobilístico, então a parceria entre as duas empresas italianas levaram as peças mais marcantes da Kartell para dentro deste universo. Foi por isso que uma flagshipstore da Kartell se transformou em um viveiro criativo real, onde os produtos da marca foram personalizadas usando as reinterpretações artísticas do designer, inspirado nas cores tradicionais das nações e do mundo automotivo. Os móveis são fruto de uma edição limitada das marcas.

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Aquilo que o homem abandona, a natureza adota outra vez

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A arquitetura não vive apenas do que existe, mas também daquilo que já existiu. O estudo das grandes obras levantadas no passado ajuda os profissionais do presente a entender o ofício e a criar com todas as ferramentas adquiridas ao longo da história. Ocorre que algumas delas ficam esquecidas. O Blog AZ apresenta hoje alguns dos lugares abandonados que mais parecem cenas pós-apocalípticas ou contos fantásticos de um filme surrealista.

É interessante perceber um ponto em comum entre todas as construções já abandonadas pelo homem: a força da natureza. O controle do ser humano sobre a natureza é ténue, assim basta que nos afastemos por alguns anos para que o verde reconquiste seu espaço. Quando um barco, uma casa ou mesmo um objeto fica abandonado por muito tempo, passa a fazer parte da natureza ou a natureza dela.

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Muitos desses edifícios abandonados ganharam um apelido que atrai muita curiosidade, “Cidade abandonada”.  Em Kolmanskop, na Namíbia, por exemplo, algumas casas foram abandonadas e o deserto acabou invadindo o lugar que antes o homem ocupava. A cidade ficou conhecida como cidade mineira devido ao seu intenso comércio com a venda de diamantes.

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Colônia da Alemanha entre 1884 e 1915, Kolmanskop foi fundada em 1908 quando os mineiros alemães de diamantes migraram e fundaram o município dedicado à extração de pedras preciosas. A Primeira Guerra Mundial foi responsável pela escassez do diamante e a mina foi completamente abandonada. Resultado: o movimento das dunas acabou deteriorando as estruturas dos edifícios e invadiu todo o espaço.

A China viveu uma história parecida. A Ilha de Gouqi, que é parte de um arquipélago conhecido como Zhoushan, já foi habitada por pescadores que viviam da indústria de pesca. Com o tempo e as transformações econômicas, a atividade foi perdendo espaço na vida dos pescadores e estes abandonando suas casas. A vila de pescadores se transformou em uma pequena floresta dominada unicamente pela força da natureza.
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Mas o prêmio de cena mais apocalíptica fica reservado para um cemitério de carros abandonados na Bélgica. À primeira vista, parece que um engarrafamento ficou parado no tempo na Vila de Chatillon, mas a história dos carros nos leva de volta para a segunda Guerra mundial. Aparentemente os veículos foram deixados escondidos na floresta por um grupo de soldados americanos que, ao final da guerra, não tinha condições financeiras para levar o veículo de volta para os Estados Unidos.

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Quase um cenário de filme de terror, o parque de diversões Nara Dreamland, no Japão, foi definitivamente abandonado apenas em 2006, mas já sofreu as influencias da natureza. Hoje o espaço, aberto na década de 1960, é um parque de diversões para fotógrafos em busca de cenários exóticos para suas câmeras.

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A história por trás da fotografia

Conheça as histórias por trás das grandes fotografias

O beijo da Times Square (1945)

O beijo da Times Square (1945)

Uma imagem é capaz de imortalizar um instante, mas acaba por esconder atrás das câmeras grandes histórias. As fotografias mais marcantes muitas vezes acabam por esconder tristes verdades. O Blog AZ escolheu duas delas para mostrar o que a câmara não alcança.

O beijo da Times Square, tirada em 1945 na cidade de Nova York, virou o símbolo do fim da segunda guerra mundial. A imagem ficou tão célebre que até hoje casais buscam o ponto exato da avenida mais famosa de Nova York para recriar a cena.

Ao que tudo indicava o fotógrafo Alfted Eisenstaedt tinha apenas capturado a cena de um marinheiro e sua amada enfermeira, um casal de apaixonados, comemorando com amor o fim dos tempos de guerra. Ledo engano.

O marinheiro foi chamado de “bêbado atrevido”, já que seu beijo apaixonado foi na verdade um beijo forçado. O rapaz puxou pelo braço a primeira moça que viu a sua frente para “comemorar” com um beijo roubado o anúncio da rendição do Japão e o consequente fim da Segunda Guerra Mundial.

A identidade do casal que protagonizou o famoso beijo ficou oculta por muitos anos. Aos 90 anos de idade, George Mendonsa e Greta Zimmer Friedman revelaram serem os modelos da fotografia de Eisenstaedt.

A menina e o abutre (1993)

A menina e o abutre (1993)

Outra imagem marcante tem uma história trágica. A Menina e o Abutre foi tirada em 1993 no Sudão pelo sul-africano Kevin Carter. A fotografia rendeu ao fotógrafo, além de um prêmio Pulitzer, uma depressão tão profunda que levou ao seu suicídio.

Kevin era um dos quatro integrantes de um grupo de fotógrafos de guerra conhecido com Bang Bang Club. O objetivo dos fotógrafos era atrair a atenção das grandes nações, por meio de imagens, para a guerra e a fome que assolavam o continente africano nos anos 1990.

A Menina e o Abutre cumpriu seu objetivo. A cena, que mostra um abutre esperando a morte de uma criança subnutrida, comoveu o mundo e colocou a opinião pública contra o fotógrafo. As pessoas questionaram a frieza de Kevin, já que o fotógrafo nada teria feito para ajudar a criança. A culpa consumiu Kevin Carter até o dia que ele se matou.

E a menina? Ela estava sob proteção da ONU no momento em que Carter disparou o flash de sua câmera. Segundo noticiou o periódico El Mundo, a criança portava em seu braço no momento da foto uma pulseira com a inscrição “T3”. A sigla era usada pela ONU para classificar o nível de desnutrição das pessoas que estavam sob seus cuidados. Kong Nyong sobreviveu à fome e morreu 13 anos após ser fotografada por Kevin.

Nas lentes de Joao Castilho

Conheça o trabalho fotográfico do mineiro Joao Castilho

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Marcel Duchamp disse na primeira metade do século 20 que seria “arte tudo o que eu disser que é arte” e coroou estas palavras com a exposição A fonte, um urinol rejeitado como obra artística pelo júri de um museu em Nova York por não haver indícios de trabalho artístico em sua peça final. Foi neste momento que o mundo começou a se questionar sobre as novas formas de arte.

Enquanto os mais conservadores fechavam as portas para as novas formas de se criar, artistas ousados passaram a ganhar espaços daqueles que viam o mundo além de seu temo. A fotografia se enquadra neste contexto. Quando descoberta pelo francês Daguerre, a fotografia foi recebida como uma ameaça para a pintura, mas hoje ambas convivem harmoniosamente no meio artístico.

Entre os trabalhos de documentação e os mais autorais, temos diversos fotógrafos artistas que merecem destaque por suas obras. O mineiro Joao Castilho é um deles. Nome recorrente nas listas de destaques da fotografia brasileira, Castilho foi vencedor de quatro prêmios do meio.
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Formado em comunicação e artes em 2001, João se especializou nas Artes Plásticas e aplica este seu talento na fotografia. Quando se comunica, suas imagens não passam uma mensagem pronta. Ela deixa com que o observador retire do conteúdo de sua obra a ressignificação de acordo com suas próprias referências.

Ao longo dos 15 anos de carreira, o fotógrafo já participou de dezenas de exposições coletivas e outras tantas individuais com seus mais de 25 ensaios fotográficos. Em entrevista, Castilho já reafirmou seu desejo de sempre se transformar.

“Não quero que meu trabalho seja a mera e eterna repetição de uma fórmula, não quero que ele se anestesie. Por isso, é preciso tensionar, ampliar, recriar pouco a pouco nosso próprio universo”.  Em cada um de seus ensaios, vemos esta ampliação. João tem a capacidade de se inventar e reinventar nas sombras e nas luzes de suas fotografias.

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Fotos: João Castilho