Design é Meu Mundo / Poltrona Pop Duo

Poltrona Pop Duo de Piero Lissoni para a Kartell

O policarbonato, material frequentemente mais usado pela italiana Kartell, sempre nos traz a impressão de estarmos vivendo no futuro. Aqueles futuros de filmes das décadas passadas que olhavam para os anos 2000 e viam pessoas vestindo macacões prateados e carros que voam. Não temos os macacões prateados e quanto aos carros que voam, ainda estamos em fase de desenvolvimento, mas temos os móveis e os de Piero Lissoni se encaixam na definição.

Piero está à frente do estúdio Lissoni Associati na Itália desde 1986 e comanda um time de mais de 70 profissionais formado por arquitetos, designers e designers gráficos. A Kartell é uma das marcas para as quais Lissoni desenvolve sua criatividade e é nela que seu lado ultracontemporâneo mais se extravasa.

O policarbonato e o design contemporâneo se uniram para que Piero Lissoni criasse a família Pop Duo, formada por poltrona e sofá. A Pop Duo se divide em Pop Outdoor e Pop Missoni. Na primeira, o tecido das almofadas, disponível em uma paleta com nove cores, foi feito para resistir às intempéries do tempo. Já a segunda surge de uma parceria da Kartell com a marca italiana Missoni Home, mundialmente conhecida pelo uso de cores e estampas irreverentes (a poltrona está disponível em três modelos diferentes de estampas).

A peça saiu do catálogo de lançamentos da marca no ano de 2016 e está disponível no Armazém da Decoração especialmente na Casa Kartell, showroom projetado exclusivamente com móveis da marca pelos arquitetos Andre Brandão e Marcia Varizo.

Etel realiza a mostra “Mulheres à frente do Design”

Durante a DW! São Paulo Design Weekend a Etel Interiores expões uma coletânea das obras de Lina Bo Bardi, Etel Carmona, Claudia Moreira Salles e Lia Siqueira

 


Na década em que “empoderamento feminino” é quase palavra de ordem, a homenagem chega em boa hora. Estamos falando da mostra “Mulheres à frente do Design” organizada pela ETEL durante a DW! São Paulo Design Weekend. O showroom da Etel Interiores, na Alameda Gabriel Monteiro da Silva, expõe uma coletânea das obras de Lina Bo Bardi, Etel Carmona, Claudia Moreira Salles e Lia Siqueira.

A exposição segue apenas até amanha das 9h30 às 18h30 com o objetivo de ilustrar o olhar feminino do Design. Lissa Carmona foi a responsável por selecionar peças inéditas e reeditadas de mobiliário de Lina Bo Bardi, datadas da década de 1950, de Etel Carmona e Claudia Moreira Salles, da década de 1990, e peças inéditas assinadas pela arquiteta Lia Siqueira.

Nas fotos, seguem alguns exemplos do que a marca expõe em seu espaço na Alameda Gabriel Monteiro, como os Carrinho de Chá desenhados pelas quatro grandes designers homenageadas na Mostra: Carrinho “Nômade” de 1993 de Claudia Moreira Salles, confeccionado com técnicas de encaixes e articulações e marchetaria e estrutura pantográfica; Carrinho “Pojuca” (1997) de Etel Carmona com bandejas em madeira maciça ranhurada e rodízios em madeira.

Mulheres à frente do Design 
De 9 a 12 de agosto 
De quarta a sábado: 9h30 às 18h30
Sábado: 10h às 14h

Tea Trolley – Lina Bo Bardi

Carrinho “Pojuca” – Etel Carmona

Carrinho “Nômade” – Claudia Moreira Salles

A elegância formal de Giuseppe Scapinelli

Italiano radicado no Brasil, Giuseppe Scapinelli se destacou como um dos principais nomes do modernismo mobiliário

Modernista de linhas sinuosas, o italiano Giuseppe Scapinelli escolheu o Brasil como segunda pátria e, ao lado de nomes como Sergio Rodrigues, Joaquim Tenreiro e Lina Bo Bardi, conquistou o título de mestre do design moveleiro nacional.

A importância de seu trabalho foi exposta por Sérgio de Campos no livro Giuseppe Scapinelli 1950: o Designer da Emoção. Sérgio vê o trabalho de Giuseppe como um modernismo afastado do racionalismo europeu. Para ele, o designer assumiu uma linha mais humanista da modernidade.

O que se vê do trabalho do italiano de raízes brasileiras é a atemporalidade. Suas peças são impactantes e, em alguns casos, até futuristas. Exemplo desse trabalho é a Poltrona GS. GS é filha das cadeiras de mesmo nome criadas na década de 1940 e atualmente reeditadas pela Etel Interiores.

A peça, assim como grande parte do trabalho de Giuseppe Scapinelli, foi lapidada na madeira. Scapinelli foi um multiartista, trabalhou como pintor escultor e moveleiro até sua morte, em 1982 em São Paulo.

Arte no limite do corpo

A arte e a performance de Marina Abramovic

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Os limites do corpo e da mente são trabalhados constantemente pela artista plástica Marina Abramovic. Marina nasceu em Belgrado, na Sérvia, e hoje sua arte e seu nome são conhecidos em todo o mundo.

Marina Abramovic é um dos nomes mais importantes da arte de performance, uma vertente artística surgida na década de  1960 como um modelo de interdisciplinar de apresentação ao vivo que integrava teatro, música, poesia e vídeo – muitas vezes com a participação da plateia.

Abramovic formou-se em Belas Artes e iniciou suas performances artísticas nos primeiros anos do movimento Happening e das apresentações performáticas que tanto intrigavam o público entre as décadas de 1960 e 1970. Mas sua primeira performance foi feita quando Marina tinha apenas 12 anos.
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Segundo a artista, seu trabalho é uma colaboração entre “as artes, a ciência e a humanidade” – a ideia é despertar sentimentos usando o corpo e a mente. Em sua mais marcante apresentação (O Artista Está Presente), realizada em 2010 durante uma exposição que ocupou todos os seus seis andares do Museu de Arte Moderna de NY (MOMA) com a retrospectiva de seu trabalho, Abramovic ficou durante os três meses de mostra disponível ao público. Quem quisesse chegava e ficava o quanto quisesse sentado olhando para Marina. Alguns riam, outros choravam, outros conversavam e no fim ela passou mais de 700 horas sentada numa cadeira sem se mexer.

Outros trabalhos da artista também marcaram a sua carreira. Em Rhythm 2 (Ritmo 2), realizado em 1974 no Museu de Arte Contemporânea de Zagreb, a artista conseguiu duas pílulas de um hospital – uma para catatônicos e outra para esquizofrênicos – e, diante do público, ingeriu a medicação. Primeiro, Marina Abramovic tomou a pílula para catatônicos e começou a ter espasmos. Cerca de uma hora depois, quando se recuperou dos sintomas, a artista tomou o outro remédio.

Em Rhythm 0, de 1975, a artista se colocou à disposição do público diante de uma mesa com 72 itens – entre eles estavam uma pistola e bala de revólver. Abramovic ficou por seis horas na Galleria Studio Morra, de Nápoles, para que o público fizesse o que quisesse com ela. Neste dia, um dos participantes colocou a arma na mão da artista e apontou para seu pescoço. A arte performática de Marina Abramovic visa despertar emoções e reações, além de estimular o público a questionar sua relação com o mundo.
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Imagens: Divulgação / Instituto Marina Abramovic

Antoni Gaudí: o arquiteto das escalas ornamentais

O Instituto Tomie Ohtake recebe exposição que mostra a importância do trabalho de Gaudí para a Catalunya

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Quem conhece a Espanha sabe que a Catalunya é uma região à parte, tão à parte que reivindica a independência em face da Espanha e da França.  No mundo da arte e da arquitetura, o nacionalismo Catalão ganhou fortes representantes no modernismo e nas transformações sociais e culturais que marcaram o final do século 19 e início do século 20. Na arquitetura, este representante é famoso no mundo e muito bem representado em Barcelona: Antoni Gaudí.

O arquiteto desprendeu-se de influências e estilos para enveredar em uma arquitetura marcada pela intensa relação com a técnica construtiva e com os materiais. Sua linguagem única é marca da Catalunya e por isso ganhou fama em todo mundo. Foi por toda a sua importância que o Instituto Tomie Ohtake levou a São Paulo a obra universal de Antoni Gaudí, trazendo trabalhos oriundos do Museu Nacional de Arte da Catalunha, Museu do Templo Expiatório da Sagrada Família e da Fundação Catalunya-La Pedrera.

Teto da Sagrada Família

Teto da Sagrada Família

A exposição Gaudí: Barcelona, 1900, que fica em cartaz na capital paulista até o dia 5 de fevereiro, reúne 46 maquetes, quatro delas em escalas monumentais, e 25 peças entre objetos e mobiliário criados pelo mestre catalão – muitos não sabem, mas Gaudí também foi um designer de móveis. Completam a mostra cerca de 40 trabalhos de outros artistas e artesãos que compunham a avançada cena de Barcelona nos anos 1900.

“Originalidade é voltar à origem; de modo que original é aquele que, com novos meios, volta à simplicidade das primeiras soluções. Portanto, é original resolver a simplíssima basílica com a complexidade da estabilidade individual das abóbadas”.

Gaudí foi o arquiteto das escalas bem montadas e da matemática bem calculada. O resultado, entretanto, não foi cartesiano. O que chamou a atenção no trabalho de Gaudí foram suas soluções estruturais, testadas com modelos em escala, que se desdobraram em uma linguagem ornamental e inusitada.
O monumental templo católico da Sagrada Família, no coração da cidade de Barcelona, é um clássico da arquitetura de um estilo que não se encaixa em nenhuma corrente conhecida da arte e da arquitetura do século passado – ou de qualquer outro. A igreja, ainda inacabada, possui uma fachada rebuscada com desenhos que representam importantes passagens bíblicas.

Cadeira desenhada e feita por Gaudí

Cadeira desenhada e feita por Gaudí

Cadeira desenhada e feita por Gaudí

Cadeira desenhada e feita por Gaudí

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A série do luto

Em uma série fotográfica, artista revela o ciclo do luto de perder alguém para o suicídio

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Em plena era da informação, alguns temas ainda são velados e pouco falados. Para o bem ou para o mal, o suicídio é um deles. Muito embora um estudo realizado pela Unicamp tenha revelado que 17% dos brasileiros, em algum momento, pensaram seriamente em dar um fim à própria vida e, desses, 4,8% chegaram a elaborar um plano para isso, não se fala no tema. A arte, entretanto, se ocupa dos assuntos espinhosos e o suicídio foi a temática utilizada pelo fotógrafo André Penteado para chamar atenção para o problema.

André Penteado perdeu o pai para o suicídio em 2007 e decidiu usar sua vida pessoal em uma série de fotografias intitulada “O suicídio de meu Pai”. O artista definiu sua proposta dizendo que a temática surgiu “tanto da reflexão sobre a teatralidade do suicídio quanto da decisão de usar um fato pessoal como objeto de uma exposição”, contou em edital sobre as fotografias.

O trabalho, que foi exposto no Brasil após ganhar um prêmio de fotografia, foi também levado para mostras em Buenos Aires e Londres.  “Se constitui em um ensaio coeso, híbrido e profundo sobre uma passagem difícil da vida do autor”, escreveu a comissão de seleção do Prêmio Nacional de Fotografia Pierre Verger.
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Muitas vezes, não falar em suicídio é não discutir um tema que se mais abordado poderia salvar vidas. Foi com esse pensamento que o fotógrafo decidiu usar a fotografia numa tentativa de discutir e compreender o impacto psicológico que o suicídio provoca em uma família. Quando o pai de André Penteado tirou a própria vida, o fotógrafo, que vivia em Londres voltou para o Brasil e registrou esse momento de passagem da vida do pai.

Semanas depois do enterro, Penteado, experimentou as roupas de seu pai e resolveu fotografar a si mesmo vestindo-as. A série registra três importantes momentos do luto de quem perdeu alguém que ama: a dor da notícia, o velório com a despedida e, por fim, as consequências emocionais da perda e do luto a longo prazo.
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Fotos: André Penteado

Tidelli lança novas peças na High Design

A marca do mobiliário externo lançou esta semana novas peças durante a exposição High Design

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Que a Tidelli é a rainha do mobiliário externo nós já sabíamos, agora a marca do In & Out exporta sua expertise para assessórios de design de interiores. É que a recém-lançada São Paulo Expo Exhibition & Convention Center recebe esta semana a exposição High Design, onde a Tidelli lançou banquetas, tapetes e até lanternas para as áreas externas.

As cordas náuticas são, para a Tidelli, o que o plástico é para a Kartell, por isso a marca vem aperfeiçoando as técnicas de utilização do material em seus móveis. A empresa desenvolveu um novo sistema de trançado inspirado no processo de moldagem das impressoras 3D – aquelas que imprimem em três dimensões os projetos criados na tela de um computador. A técnica garante aplicação de formas geométricas, antes inviáveis em trançados convencionais.

Outra novidade são as cores. Por ter se consolidado no mercado especialmente como uma marca de móveis de área externa, a Tidelli cria peças que abusam do colorido, No último ano, entretanto, a empresa realizou um estudo cromático aprofundado e o resultado foi uma mistura de até seis cores de fios na mesma trama.

Foi com essas novidades que a Tidelli levou para a High Design novos lançamentos: tapetesoutdoor da linha Marina, bancos de corda da linha Spool, lanternas para áreas externas, poltrona e pufe Veleiro, mesa Pirâmide e a cadeira Mesh. A maior das novidades são os tapetes, já que esta é a primeira vez que a marca cria este tipo de assessório.

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Agora é a vez das bikes… e das cidades

Lembra-se do convite feito pelo arquiteto italiano Francesco Careri e a arquiteta pernambucana Lúcia Leitão durante a Flip? Aquele de “tomar as cidades” e aproveitar mais os espaços urbanos? Muitos brasileiros já estão os colocando em […]

Velib - Paris

Velib – Paris

Lembra-se do convite feito pelo arquiteto italiano Francesco Careri e a arquiteta pernambucana Lúcia Leitão durante a Flip? Aquele de “tomar as cidades” e aproveitar mais os espaços urbanos? Muitos brasileiros já estão os colocando em prática. 261 mil só em São Paulo para ser mais precisa. No resto do Brasil, a matemática fica mais difícil, mas os dados apontam um numero em constante crescimento. Já sabe do que estamos falando? Das bicicletas!

Fugir do transito, gastar menos, fazer esporte… As razões são muitas, mas quanto mais espaços as cidades reservam para as bikes, mais ciclistas ganham as ruas. No ano passado, a ONG Transporte Ativo e o laboratório de mobilidade da UFRJ fizeram um levantamento nas principais cidades brasileiras e constatou que 45% dos entrevistados eram novos ciclistas, ou seja, pessoas que adotaram a bicicleta como meio de transporte nos últimos dois anos.

A tendência é nova por aqui, mas na Europa a bicicleta é meio de transporte sério e levado a sério há mais tempo. Em Amsterdã, por exemplo, o turista se arrisca mais em andar na ciclovia do que se ficar passeando distraído pelas ruas – o país é conhecido pela quantidade exorbitante de pessoas que usam a bicicleta como meio de transporte. Paris também tem suas tradições urbanas em duas rodas. A capital francesa foi uma das primeiras a inaugurar o sistema de alugueis de bikes, Velib.

Atualmente, as principais cidades brasileiras também têm aderido a esse sistema. Começando pela Bike Rio, no Rio de Janeiro, cidades como São Paulo e Brasília já contam com a possibilidade de aluguel de bicicleta – resultado da parceria entre as prefeituras e bancos. Agora é a vez de Goiânia. A capital goiana tem tentado fechar parcerias para a instalação de bicicletas públicas há um tempo. No início da semana, porém, a prefeitura deu um pontapé mais palpável: anunciou projeto que prevê a instalação de 30 estações com 300 bicicletas que serão espalhadas nos principais pontos da cidade.

Segundo a Companhia Metropolitana de Transportes Coletivos, responsável pela elaboração do projeto, cerca de 4% da população de Goiânia e 6% da região metropolitana já utilizam a bicicleta como meio de locomoção. A aposta é que disponibilizar bicicletas para alugueis vai aumentar esses números.

Tidelli 2016/2017

O frescor do verão com o frescor das novidades da Tidelli

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Natureza é a inspiração da baiana Tidelli, e a marca do outdoor living não cansa de inspirar decoradores em todo o Brasil. Na edição 2016 da Casa Cor Goiás, o mobiliário Tidelli integrou a coleção de móveis em vários ambientes da mostra.

Direto de Salvador, a empresa mostra que a coleção 2016/2017 da marca continuará inspirando. O mobiliário traz referências da fauna e da flora nas cores, texturas e tramas. Os modelos em cordas náuticas ganharam novas referências e os tecidos, novos revestimentos.

Na coleção 2016/2017, a Tidelli inova sem abrir mãos de suas já consagradas linhas. São releituras das nossas queridas peças da marca, como a Painho, assinada pelo estúdio Rosenbaum e o Fetiche, que ganha nova cadeirinha de balanço e concha de balanço.

A linha Soft ganhou um módulo canto e as poltronas da coleção agora têm novos revestimentos. Na linha Veleiro a Chaise, assinada pelos goianos Andre Brandão e Márcia Varizo, ganharam a companhia da Poltrona Veleiro feira em rede de corda nautica.

A linha Goa também está sendo reeditada. É que a poltrona giratória vem em novas versões de cordas náuticas, assim como a poltrona da linha Mesh. A linha Bora Bora também vem com novidades. É que ela ganhou a versão Estar em sofá, poltrona e modulado, em alumínio, madeira e cordas náuticas.

Sempre em busca de novos elementos, a Tidelli mescla a inovação com tradição. A marca baiana se consolidou no mercado nacional e tem conquistado outras fronteiras, já abriu sua flagship store na Califórnia. O Armazém da Decoração acompanha todas as novidades e traz a Goiânia o frescor do verão em móveis in e out da Tidelli.

O colecionador de memórias

Casa Cor Goiás: os arquitetos e urbanistas Heitor Arrais e Leão Ogawa assinam o Lar Office Lar em 2016

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A WGSN, uma das maiores agências de tendências do mundo, confirmou em estudo o que já se vê na prática: trabalhar em casa é a forma de trabalhar do futuro – um futuro já presente na vida de muitas pessoas. Mas trabalhar em casa não é para todos. É preciso atenção e disciplina, além de um bom espaço de trabalho que não se pareça com escritório, mas que não te faça perder a concentração.

Foi a ideia de aliar o útil ao agradável que moveu os jovens arquitetos Heitor Arrais e Leão Ogawa entorno do projeto da Casa Cor Goiás 2016. “Trabalhar em casa é uma tendência contemporânea”, explicaram os arquitetos ao Blog AZ. Talvez por isso o espaço tenha ganhado um tom igualmente contemporâneo.

Com as paredes descobertas, os designers resgataram a arquitetura do antigo edifício que hoje abriga a mostra. A história do office parte da ideia de um galpão antes existente ali, e esse passado é preservado e respeitado mesmo com a transformação do espaço. “Não precisamos da arrogância de achar que o que fazemos é melhor do que aquilo que já estava aqui”, explicou Ogawa. “Escolhemos respeitar o que existia e, a partir desses elementos, criar um novo ambiente que dialoga com o passado”.

Essa prosa entre passado e presente não foi atributo restrito à arquitetura. O ambiente é um verdadeiro colecionador de memórias, e cada peça, mobiliário e obra de arte que foram ali inseridos são carregados de significado. É que um ambiente contemporâneo, pensando a partir da perspectiva de uma atividade contemporânea, só poderia ter sido inspirado em um modelo igualmente contemporâneo. O Lar Office Lar é, ao mesmo tempo, casa e o escritório de uma pessoa que vive a vida a partir daquilo que guarda dela.

“Projetamos esse ambiente idealizando um personagem que encontrou um galpão e foi completando a sua vida dentro dele”, contou Heitor. “Cada conversa com amigos, cada viagem que fez, fotografia que tirou ou bilhete que recebeu, transformou em decoração”, completou. Para Ogawa, o ambiente é uma perfeita mistura entre o público e o privado de uma pessoa aberta para as relações humanas.

O Lar Office Lar se traduz em de 33m² de momentos de vida. O mobiliário escolhido pela dupla segue a mesma linha de identidade própria, como a cadeira Daav, de Sérgio Rodrigues e o Carrinho de Chá CMC, de Cláudia Moreira Sales – todos do Armazém da Decoração. Outra marca própria foi a obras de arte: as peças foram desenvolvidas exclusivamente para o ambiente, como uma coleção especial de Marlan Cotrim e a tela de Homero Maurício.
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Texto: Bárbara Alves
Fotos: Marcus Camargo