Design é Meu Mundo / Linha Sedona

Linha Sedona da Tidelli móveis por Tatiana Mandelli

O ano de 2017 já está quase entrando em contagem regressiva e com a chegada próxima do verão chega também as novas coleções Tidelli. O post de hoje pausa para falar um pouco da linha Linha Sedona criada por Tatiana Mandelli.

Cordar náuticas e cores não poderiam faltar, mas o destaque da coleção de Tatiana é a trama em xadrez. O cruzamento das linhas foi a técnica responsável por dar um novo visual ao mobiliário externo. A nova trama xadrez permite a aplicação de até duas cores juntas.

A coleção é formada por sofá, cadeira, poltrona e mesa de centro – disponíveis em várias cores. O sofá e poltrona possuem formas arredondadas e orgânicas, que valorizam tecidos, almofadas e as tramas.

O design no centro de Londres

Entre 16 e 24 de setembro Londres recebe a 15 edição do London Design Festival

Muito embora seja o mais comentado, o festival de design de Milão não é o único que meche com o calendário europeu. Esta semana, o assunto é Londres. A capital inglesa recebe, até o dia 24 de setembro, o London Design Festival com lançamentos e mostras do melhor da arte e do design.

O evento foi criado por Sir John Sorrell e Ben Evans com o intuito de levar a criatividade para Londres e desde 2003 o festival reúne grandes nomes e marcas concentradas especialmente no Brompton District. Este ano, o festival conta com 450 projetos ligados à arte e ao design realizados nos quatro cantos da cidade, incluindo museus e galarias de arte.

No Design Museum, reinaugurado ano passado em Kensington, será realizado o Set in Stone, projeto que reúne uma seleção de obras de oito designers convidados a explorar o potencial do mármore e das pedras calcárias. Outro destaque é para a instalação de Brodie Neill, Drop in the Ocean, feita com resíduos plásticos descartados nos oceanos. “Dentro de alguns anos, teremos mais pedaços de plástico flutuando nos mares que peixes nadando”, conta o designer, que usa sua arte para um alerta social e ambiental.

O afamado Victoria and Albert Museum é parceiro do London Design Festival sendo centro oficial do festival. O museu será contará com instalações e trabalhos exibidos por designers internacionais contemporâneos e ali será realizado palestras e workshops.

Homero Maurício customiza poltrona Paulistano

A pedido das amigas do Apê das Três a poltrona Paulistano de Paulo Mendes da Rocha foi customizada pelo artista Homero Maurício

As paredes são molduras humanas e o local de trabalho de Homero Maurício. O artista acabou criando uma marca que, de longe, nos permite reconhecer o seu trabalho: o Coração de Rua. Só que esse coração agora faz parte do apartamento de Awa Gumarães e Yasmin Teixeira não nas paredes, mas na poltrona Paulistano de Paulo Mendes da Rocha.

Sim, estamos diante de mais uma customização feita por um grande artista no trabalho de um grande designer a pedido de clientes corajosas – e despojadas. Vamos contar melhor essa história:

As amigas de infância Awa Gumarães e Yasmin Teixeira, inspiradas na experiência do casal Débora Alcântara e Fernando Vieira com o apartamento.33, criaram o projeto APÊ DAS TRÊS para juntas mostrarem o dia a dia de uma reforma. No início eram três amigas, mas quando uma delas não pode prosseguir no projeto, as meninas acabaram convidando os telespectadores para ocupar a terceira vaga da casa e em cada episódio dessa jornada elas mostram um pouco de como está sendo construído seu futuro lar.

Para compor o estilo industrial que a arquiteta Andressa Lima escolheu para direcionar o design da nova casa, as meninas convidaram Homero Maurício para uma intervenção em alguma peça de mobiliário e deixaram a escolha do móvel a cargo dos seguidores do instagram APÊ DAS TRÊS. Não deu outra, a poltrona Paulo Mendes da Rocha foi a mais votada. Foi ai que o coração que virou ícone do trabalho de Homero passou a integrar a decoração do apê de Awa Gumarães e Yasmin Teixeira.

O artista conta que o Coração de Rua surgiu de forma espontânea. “Eu me lembro  que tinha levado meu carro para consertar um problema e o mecânico me disse que eu teria de esperar em torno de duas horas”, contou ao REVERBERA! “Ele pediu pra eu recolher o que tinha dentro do carro e lá estava um spray vermelho que tinha sobrado de um trabalho meu. Acabei saindo com esse spray na mão andando pela cidade. Pouco tempo depois achei uns madeirites ecológicos verdes, e pensei “Que vontade de fazer um coração ali”. Fiz um coração bem tradicional mesmo, mas na hora em que comecei a pintar, a tinta não pegava bem, ficava sugando — o madeirite sugava a tinta. Então comecei a contornar, contornar, e fiz mais um contorno dentro, e mais um, e mais um. Até que ele estivesse todo preenchido”.

O coração, além de outras linhas que traçam o trabalho de Homero, agora integra a poltrona Paulista após uma intervenção feita no Armazém da Decoração. Paulo Mendes da Rocha assinou a poltrona Paulistano como seu primeiro grande projeto após graduar-se em arquitetura pela Universidade Presbiteriana Mackenzie de São Paulo. Suas linhas curvas com traços expressamente modernistas – agora com a intervenção ao estilo arte urbana – reflete o que o projeto das jovens do APÊ DAS TRÊS quer passar, isto é, ousadia, criatividade e muito design.

 

Design é Meu Mundo / Poltrona Pop Duo

Poltrona Pop Duo de Piero Lissoni para a Kartell

O policarbonato, material frequentemente mais usado pela italiana Kartell, sempre nos traz a impressão de estarmos vivendo no futuro. Aqueles futuros de filmes das décadas passadas que olhavam para os anos 2000 e viam pessoas vestindo macacões prateados e carros que voam. Não temos os macacões prateados e quanto aos carros que voam, ainda estamos em fase de desenvolvimento, mas temos os móveis e os de Piero Lissoni se encaixam na definição.

Piero está à frente do estúdio Lissoni Associati na Itália desde 1986 e comanda um time de mais de 70 profissionais formado por arquitetos, designers e designers gráficos. A Kartell é uma das marcas para as quais Lissoni desenvolve sua criatividade e é nela que seu lado ultracontemporâneo mais se extravasa.

O policarbonato e o design contemporâneo se uniram para que Piero Lissoni criasse a família Pop Duo, formada por poltrona e sofá. A Pop Duo se divide em Pop Outdoor e Pop Missoni. Na primeira, o tecido das almofadas, disponível em uma paleta com nove cores, foi feito para resistir às intempéries do tempo. Já a segunda surge de uma parceria da Kartell com a marca italiana Missoni Home, mundialmente conhecida pelo uso de cores e estampas irreverentes (a poltrona está disponível em três modelos diferentes de estampas).

A peça saiu do catálogo de lançamentos da marca no ano de 2016 e está disponível no Armazém da Decoração especialmente na Casa Kartell, showroom projetado exclusivamente com móveis da marca pelos arquitetos Andre Brandão e Marcia Varizo.

Etel realiza a mostra “Mulheres à frente do Design”

Durante a DW! São Paulo Design Weekend a Etel Interiores expões uma coletânea das obras de Lina Bo Bardi, Etel Carmona, Claudia Moreira Salles e Lia Siqueira

 


Na década em que “empoderamento feminino” é quase palavra de ordem, a homenagem chega em boa hora. Estamos falando da mostra “Mulheres à frente do Design” organizada pela ETEL durante a DW! São Paulo Design Weekend. O showroom da Etel Interiores, na Alameda Gabriel Monteiro da Silva, expõe uma coletânea das obras de Lina Bo Bardi, Etel Carmona, Claudia Moreira Salles e Lia Siqueira.

A exposição segue apenas até amanha das 9h30 às 18h30 com o objetivo de ilustrar o olhar feminino do Design. Lissa Carmona foi a responsável por selecionar peças inéditas e reeditadas de mobiliário de Lina Bo Bardi, datadas da década de 1950, de Etel Carmona e Claudia Moreira Salles, da década de 1990, e peças inéditas assinadas pela arquiteta Lia Siqueira.

Nas fotos, seguem alguns exemplos do que a marca expõe em seu espaço na Alameda Gabriel Monteiro, como os Carrinho de Chá desenhados pelas quatro grandes designers homenageadas na Mostra: Carrinho “Nômade” de 1993 de Claudia Moreira Salles, confeccionado com técnicas de encaixes e articulações e marchetaria e estrutura pantográfica; Carrinho “Pojuca” (1997) de Etel Carmona com bandejas em madeira maciça ranhurada e rodízios em madeira.

Mulheres à frente do Design 
De 9 a 12 de agosto 
De quarta a sábado: 9h30 às 18h30
Sábado: 10h às 14h

Tea Trolley – Lina Bo Bardi

Carrinho “Pojuca” – Etel Carmona

Carrinho “Nômade” – Claudia Moreira Salles

A elegância formal de Giuseppe Scapinelli

Italiano radicado no Brasil, Giuseppe Scapinelli se destacou como um dos principais nomes do modernismo mobiliário

Modernista de linhas sinuosas, o italiano Giuseppe Scapinelli escolheu o Brasil como segunda pátria e, ao lado de nomes como Sergio Rodrigues, Joaquim Tenreiro e Lina Bo Bardi, conquistou o título de mestre do design moveleiro nacional.

A importância de seu trabalho foi exposta por Sérgio de Campos no livro Giuseppe Scapinelli 1950: o Designer da Emoção. Sérgio vê o trabalho de Giuseppe como um modernismo afastado do racionalismo europeu. Para ele, o designer assumiu uma linha mais humanista da modernidade.

O que se vê do trabalho do italiano de raízes brasileiras é a atemporalidade. Suas peças são impactantes e, em alguns casos, até futuristas. Exemplo desse trabalho é a Poltrona GS. GS é filha das cadeiras de mesmo nome criadas na década de 1940 e atualmente reeditadas pela Etel Interiores.

A peça, assim como grande parte do trabalho de Giuseppe Scapinelli, foi lapidada na madeira. Scapinelli foi um multiartista, trabalhou como pintor escultor e moveleiro até sua morte, em 1982 em São Paulo.

Arte no limite do corpo

A arte e a performance de Marina Abramovic

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Os limites do corpo e da mente são trabalhados constantemente pela artista plástica Marina Abramovic. Marina nasceu em Belgrado, na Sérvia, e hoje sua arte e seu nome são conhecidos em todo o mundo.

Marina Abramovic é um dos nomes mais importantes da arte de performance, uma vertente artística surgida na década de  1960 como um modelo de interdisciplinar de apresentação ao vivo que integrava teatro, música, poesia e vídeo – muitas vezes com a participação da plateia.

Abramovic formou-se em Belas Artes e iniciou suas performances artísticas nos primeiros anos do movimento Happening e das apresentações performáticas que tanto intrigavam o público entre as décadas de 1960 e 1970. Mas sua primeira performance foi feita quando Marina tinha apenas 12 anos.
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Segundo a artista, seu trabalho é uma colaboração entre “as artes, a ciência e a humanidade” – a ideia é despertar sentimentos usando o corpo e a mente. Em sua mais marcante apresentação (O Artista Está Presente), realizada em 2010 durante uma exposição que ocupou todos os seus seis andares do Museu de Arte Moderna de NY (MOMA) com a retrospectiva de seu trabalho, Abramovic ficou durante os três meses de mostra disponível ao público. Quem quisesse chegava e ficava o quanto quisesse sentado olhando para Marina. Alguns riam, outros choravam, outros conversavam e no fim ela passou mais de 700 horas sentada numa cadeira sem se mexer.

Outros trabalhos da artista também marcaram a sua carreira. Em Rhythm 2 (Ritmo 2), realizado em 1974 no Museu de Arte Contemporânea de Zagreb, a artista conseguiu duas pílulas de um hospital – uma para catatônicos e outra para esquizofrênicos – e, diante do público, ingeriu a medicação. Primeiro, Marina Abramovic tomou a pílula para catatônicos e começou a ter espasmos. Cerca de uma hora depois, quando se recuperou dos sintomas, a artista tomou o outro remédio.

Em Rhythm 0, de 1975, a artista se colocou à disposição do público diante de uma mesa com 72 itens – entre eles estavam uma pistola e bala de revólver. Abramovic ficou por seis horas na Galleria Studio Morra, de Nápoles, para que o público fizesse o que quisesse com ela. Neste dia, um dos participantes colocou a arma na mão da artista e apontou para seu pescoço. A arte performática de Marina Abramovic visa despertar emoções e reações, além de estimular o público a questionar sua relação com o mundo.
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Imagens: Divulgação / Instituto Marina Abramovic

Antoni Gaudí: o arquiteto das escalas ornamentais

O Instituto Tomie Ohtake recebe exposição que mostra a importância do trabalho de Gaudí para a Catalunya

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Quem conhece a Espanha sabe que a Catalunya é uma região à parte, tão à parte que reivindica a independência em face da Espanha e da França.  No mundo da arte e da arquitetura, o nacionalismo Catalão ganhou fortes representantes no modernismo e nas transformações sociais e culturais que marcaram o final do século 19 e início do século 20. Na arquitetura, este representante é famoso no mundo e muito bem representado em Barcelona: Antoni Gaudí.

O arquiteto desprendeu-se de influências e estilos para enveredar em uma arquitetura marcada pela intensa relação com a técnica construtiva e com os materiais. Sua linguagem única é marca da Catalunya e por isso ganhou fama em todo mundo. Foi por toda a sua importância que o Instituto Tomie Ohtake levou a São Paulo a obra universal de Antoni Gaudí, trazendo trabalhos oriundos do Museu Nacional de Arte da Catalunha, Museu do Templo Expiatório da Sagrada Família e da Fundação Catalunya-La Pedrera.

Teto da Sagrada Família

Teto da Sagrada Família

A exposição Gaudí: Barcelona, 1900, que fica em cartaz na capital paulista até o dia 5 de fevereiro, reúne 46 maquetes, quatro delas em escalas monumentais, e 25 peças entre objetos e mobiliário criados pelo mestre catalão – muitos não sabem, mas Gaudí também foi um designer de móveis. Completam a mostra cerca de 40 trabalhos de outros artistas e artesãos que compunham a avançada cena de Barcelona nos anos 1900.

“Originalidade é voltar à origem; de modo que original é aquele que, com novos meios, volta à simplicidade das primeiras soluções. Portanto, é original resolver a simplíssima basílica com a complexidade da estabilidade individual das abóbadas”.

Gaudí foi o arquiteto das escalas bem montadas e da matemática bem calculada. O resultado, entretanto, não foi cartesiano. O que chamou a atenção no trabalho de Gaudí foram suas soluções estruturais, testadas com modelos em escala, que se desdobraram em uma linguagem ornamental e inusitada.
O monumental templo católico da Sagrada Família, no coração da cidade de Barcelona, é um clássico da arquitetura de um estilo que não se encaixa em nenhuma corrente conhecida da arte e da arquitetura do século passado – ou de qualquer outro. A igreja, ainda inacabada, possui uma fachada rebuscada com desenhos que representam importantes passagens bíblicas.

Cadeira desenhada e feita por Gaudí

Cadeira desenhada e feita por Gaudí

Cadeira desenhada e feita por Gaudí

Cadeira desenhada e feita por Gaudí

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A série do luto

Em uma série fotográfica, artista revela o ciclo do luto de perder alguém para o suicídio

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Em plena era da informação, alguns temas ainda são velados e pouco falados. Para o bem ou para o mal, o suicídio é um deles. Muito embora um estudo realizado pela Unicamp tenha revelado que 17% dos brasileiros, em algum momento, pensaram seriamente em dar um fim à própria vida e, desses, 4,8% chegaram a elaborar um plano para isso, não se fala no tema. A arte, entretanto, se ocupa dos assuntos espinhosos e o suicídio foi a temática utilizada pelo fotógrafo André Penteado para chamar atenção para o problema.

André Penteado perdeu o pai para o suicídio em 2007 e decidiu usar sua vida pessoal em uma série de fotografias intitulada “O suicídio de meu Pai”. O artista definiu sua proposta dizendo que a temática surgiu “tanto da reflexão sobre a teatralidade do suicídio quanto da decisão de usar um fato pessoal como objeto de uma exposição”, contou em edital sobre as fotografias.

O trabalho, que foi exposto no Brasil após ganhar um prêmio de fotografia, foi também levado para mostras em Buenos Aires e Londres.  “Se constitui em um ensaio coeso, híbrido e profundo sobre uma passagem difícil da vida do autor”, escreveu a comissão de seleção do Prêmio Nacional de Fotografia Pierre Verger.
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Muitas vezes, não falar em suicídio é não discutir um tema que se mais abordado poderia salvar vidas. Foi com esse pensamento que o fotógrafo decidiu usar a fotografia numa tentativa de discutir e compreender o impacto psicológico que o suicídio provoca em uma família. Quando o pai de André Penteado tirou a própria vida, o fotógrafo, que vivia em Londres voltou para o Brasil e registrou esse momento de passagem da vida do pai.

Semanas depois do enterro, Penteado, experimentou as roupas de seu pai e resolveu fotografar a si mesmo vestindo-as. A série registra três importantes momentos do luto de quem perdeu alguém que ama: a dor da notícia, o velório com a despedida e, por fim, as consequências emocionais da perda e do luto a longo prazo.
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Fotos: André Penteado