Dos muros das ruas para as paredes das casas

A arte urbana, que já ganhou as paredes dos museus e galerias, agora fazem parte de uma nova tendência do design de interiores: integram a decoração das casas

Museu de Arte Urbana em Berlim

Primeiro foram os muros das ruas. No meio da madrugada, o ato de pintar era quase subversivo (e claramente criminoso). Uma tinta aqui, um colorido ali e caíram no gosto das galerias de arte. Nas ruas a pintura passou a surgir no meio dia, sem medo, sem crime. A subversão se transformou em aceitação. Agora, os coloridos foram parar na parede das casas.

O street art, que durante anos foi visto como ato de vandalismo, finalmente caiu no gosto do público e das paredes das galerias passaram a fazer parte da decoração das casas. Até a primeira parada, o caminho não foi fácil. Os artistas se deparavam – e ainda se deparam – com pessoas que veem seu trabalho como subversivo e ser aceito em galerias e museus, como obras de arte, era um feito quase inalcançável.

Assim foi a polêmica causada pelo anuncio de que no início deste ano, em Berlim, o novo Museu de Arte Urbana Contemporânea da capital alemã abrigaria obras de arte urbana. A ideia de conceber o museu não é tirar a arte da rua, mas poder arquiva-la e preserva-la – ainda que uma de suas características de nascença seja a efemeridade.

Mas após receber o passe livre das galerias, a nova tendência é que os arquitetos e grafiteiros explorem a arte de rua dentro de casa. Esta invasão de cor pode se dar de suas maneiras: colocar nas paredes internas da residência quadros pintados por artistas urbanos ou usar a parede como tela em branco e deixar que um desses artistas se perca de criatividade.

Mas não se engane, a depender do artista o quadro ou a intervenção pode custar uma mine fortuna, como é o exemplo do anônimo Banksy, que já teve obras leiloadas por meio milhão de dólares nos Estados Unidos. Para o paulista Binho Ribeiro, a tendência de abrir a porta e as paredes das casas para a arte urbana é muito positiva, pois ajuda a legitimar o street art. Para uma parcela do movimento, entretanto, esta tendência pode desmarginalizar por total a arte urbana e fazer com que ela perca seu objetivo inicial: o de ser uma arte de contestação.

Painel criado por Santhiago Selon para o ambiente + Estar (Casa Cor Goiás/2017). 

A vida do inquieto Jean-Michel Basquiat

O artista partiu aos 27 anos de idade deixando um vasto e brilhando trabalho artístico como legado

(Foto: Lizzie Himmel)

(Foto: Lizzie Himmel)

Jean-Michel Basquiat  faz parte do seleto e talentoso grupo de artistas que nos deixou cedo, mais precisamente aos 27 anos de idade, a tal idade que acaba interrompendo a brilhante carreira de roqueiros e artistas de reconhecimento mundial. Assim como Amy Winehouse e Janis Joplin, a causa da morte foi overdose, e assim como os dois, Basquiat também se enveredou pelo campo da música.

Mas sua carreira mesmo foi marcada pela pintura. Além de músico, Jean-Michel foi pintor, poeta e produtor cultural. Americano de ascendência porto-riquenha e haitiana, Basquiat nasceu com uma aptidão incomum para as artes. Com três anos, já desenhava caricaturas. Aos 17 anos, levou seus traços para os muros de Manhattan.

Incentivado por sua mãe, passou a levar a arte a sério quando era ainda criança. Aos seis anos, ganhou carteira de sócio mirim do Museu de Arte Moderna de Nova York, de onde não saia. Com o divórcio dos pais, se mudou para Porto Rico e voltou a Nova York no final da adolescência.
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Não se adaptou às escolas, saiu de casa e foi morar com amigos. Juntos pintavam muros e camisetas, que Basquiat vendia nas ruas da cidade. O grafite de Basquiat vinha com a assinatura “SAMO”, que significava “same old shit” (sempre a mesma merda). Seus desenhos chamaram a atenção e em pouco tempo Jean-Michel ficou famoso.

Seus traços subversores e seu olhar à frente do tempo o consagraram como um importante pintor vanguardista, conhecido posteriormente como neo-expressionista. Fez amizade e atuou ao lado de Andy Warhol até a sua morte, em 1987. Muito abalado com a perda do amigo, Basquiat acaba exagerando no consumo de drogas e morre de overdose no ano seguinte, em 12 de agosto de 1988.

Ao partir, deixou um legado com cerca de 3 mil obras que retrataram a cultura africana e o caos social e emocional que conduziu a criatividade de tantos artistas de renome da década de 1980. Seu trabalho continua influenciando o trabalho de outros artistas na atualidade. Na ArtRio 2016, um autorretrato de Barquiat bateu o recorde de preço ao ser arrematado em leilão por 57,3 milhões de dólares.
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Imagens: Divulgação

Ozi e os 30 anos da arte urbana no Brasil

A CAIXA Cultural está rodando o país com mostra que conta um pouco da história da arte urbana brasileira, atualmente exposta na capital federal

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Desde o início da nova gestão de São Paulo, o tema arte urbana não saí das pautas dos grandes jornais. Alguns grafites começaram a ser apagados em importantes avenidas da capital paulista para a alegria de uns e para a tristeza de outros. Políticas á parte, a arte urbana realmente tomou conta das cidades brasileiras.

Começou a colorir seus muros ainda nas décadas finais do século passado como uma forma de subversão aos tradicionais padrões artísticos em vigor e foi ganhando espaço e fãs ao longo dos anos. Atualmente, o grafite ultrapassou as paredes dos muros e entrou nas paredes das galerias e museus.

Exemplo disso é a exposição do Ozi que comemora os 30 anos de arte urbana no Brasil. A mostra vem rodando algumas cidades brasileiras e chegou, na semana passada, às paredes da CAIXA Cultural de Brasília. Ozi é o nome artístico do paulistano Ozéas Duarte, um dos ícones da primeira geração que dominou a cena da arte urbana brasileira. A exposição tem curadoria do jornalista Marco Antonio Teobaldo.

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O trabalho de Ozi se destacou no Brasil e no exterior por suas pesquisas sobre o estêncil – técnica comumente usada pelos artistas de rua – com estética pop. A mostra inclui, além de seus modelos de estêncil, quadros e instalação com um proposito comum: criticar o modelo desigual em que vivemos. São cem peças de tamanhos variados e que representam um inventário desta importante parte da street art brasileira: documentos, registros fotográficos, depoimentos e obras do artista em diferentes tipos de suporte, que datam desde 1984 até o período atual.

Para Marco Antonio Teobaldo, é um material raro sobre a história do grafite no Brasil. “Durante a pesquisa para realização da mostra, foram entrevistados artistas que fizeram parte daquela cena urbana inicial e novos artistas, que traçaram um panorama sobre a arte urbana no Brasil e a importância da obra de Ozi neste contexto”, explica.

Para quem se interessar

Ozi – 30 anos de Arte Urbana no Brasil.
Quando: de 10 de janeiro a 26 de fevereiro de 2017.
De terça-feira a domingo: das 9h às 21h.
Onde: CAIXA Cultural Brasília
SBS – Quadra 04 – lotes 3/4
Entrada Franca.

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“Minha tela são os muros da cidade”

A arte acessível de Eduardo Kobra já atravessou fronteiras e agora faz sucesso nos Estados Unidos e na Europa

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A arte, quando está na rua, é verdadeiramente democrática. É assim que pensam aqueles que têm no muro sua tela em branco e, de fato, quando na rua pode realmente ser vista – pelos que têm e também pelos que não tem acesso às caras galerias de arte. Da mal vista pichação até a recém celebrada street art, muitos nomes brasileiros ganharam o mundo, Kobra é um deles.

Eduardo Kobra nasceu em 1976, mas tornou-se conhecido em 2005. Seu trabalho data de mais de uma década antes. Foi em 1987 que iniciou suas rondas de rua pichando muros. Seu talento para o desenho fez com que o artista aliasse subversão à arte. Cerca de dois anos depois substituiu os rabiscos por grafites.

“Eu queria buscar uma identidade para o meu trabalho, algo que tivesse mais haver com a minha realidade. Eu sou um cara que gosto de livros antigos e fotografias históricas, então passei a fazer releituras deste tipo de imagem”, conta o artista em seu site.

Foi com essa identidade que Kobra lançou seu nome no mercado. Ele criou o projeto Muro das Memórias, em 2005, retratando imagens antigas da cidade de São Paulo. Cerca de 50 trabalhos com imagens da antiga capital foram espalhadas por toda a cidade “A ideia foi criar portais para uma cidade que não existe mais”, explicou.

Outro projeto seu de destaque foi com as pinturas anamórficas, conhecidas como pinturas 3D. Eduardo Kobra foi pioneiro em trazer esta forma de arte para o Brasil e criou desenhos em que seus elementos parecem possuir vida própria.
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Internacionalmente, seu trabalho ficou conhecido com os projetos de releituras de grandes imagens, como a fotografia do beijo da Time Square tirada no fim da Segunda Guerra Mundial, pintada em Nova York. Aliás, seu trabalho pode ser visto também na Europa, em países como a Inglaterra, França, Estados Unidos, Rússia, Grécia, Itália, Suécia, Polônia e, mais recentemente, Holanda – o artista inaugurou no último dia 2 um mural com a imagem de Anne Frank, a adolescente judia vítima do Holocausto.

O mural “Etnias”, pintado pelo artista para as Olimpíadas Rio 2016, foi reconhecido no dia 22 de agosto deste ano como o maior grafite do mundo pelo “Guiness world records”, o livro dos recordes. Detido pela polícia por três vezes, enquanto realizava seu trabalho, Kobra comemora o sucesso de suas obras. “O grande barato de pintar na rua é justamente você levar esse trabalho a milhões de pessoas, independente da classe social”.
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Entre os quadrinhos e o realismo

Entre os quadrinhos e o realismo fantástico que o muralista francês Patrick Commecy expõem seu trabalho

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Uma parede cinza pode parecer sem graça para alguns, mas para o artista francês Patrick Commecy é uma porta aberta para a imaginação. O trabalho do artista urbano consiste em transformar paredões em imagens coloridas que transitam entre figurinhas de gibi e o realismo do dia a dia.

Para os que enxergam de longe, as paredes das pequenas cidades francesas atingidas pelos pinceis do muralista parecem charmosas casas cheias de janela, mas basta um olhar mais atento para perceber que as janelas são apenas o resultado do trabalho hiber-realista do artista.

Os desenhos, em sua grande maioria, são tridimensionais – dai a sensação de estar de frente com a realidade. Mas sua realidade, em muitas figuras, é fantasiosa. Por isso a sensação também de estar dentro de um quadrinho.

Commecy e sua equipe já realizaram mais de 300 gravuras em murais na França e países próximos, como a Itália e a Suíça. Segundo eles, cada um dos muros pintados reflete a identidade, a história e as especificidades do lugar onde são desenhadas.

Patrick Commecy trabalha como muralista desde 1978, época em que  a arte urbana não tinha a aceitação e o reconhecimento que conquistaram atualmente. Suas obras são feitas por meio de contratos com as prefeituras, residências ou estabelecimentos comerciais – tudo dentro da lei. Seu projeto foi batizado como a-fresco, um trocadilho que faz referência à técnica dos artistas renascentistas de pintar interiores de igrejas e castelos.

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‘Disney Gone Bad’ com a arte de Herr Nilsson

Muita cor e irreverência no trabalho “Disney Gone Bad” de Herr Nilsson estampa as paredes de Estocolmo, na Suécia

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Os mais populares e conhecidos cartoons de todos os tempos perderam a inocência através dos pinceis do artista urbano Herr Nilsson. Nilsson é na verdade um codinome utilizado pelo sueco, que sai a noite, à espreita da luz, para dar vida à arte por meio de seu estêncil.

Embora sua identidade continue um mistério, Herr Nilsson assumiu ser um “sueco típico de escritório” que utiliza a arte para criticar, durante a noite, aquilo que vê de errado durante o dia. Pai de uma menina, Herr Nilsson não aprova a influência das princesas da Disney na criação das crianças. O resultado? Uma série de estêncils intitulada “Disney Gone Bad” (algo como Disney vira mau).

“A maioria dos personagens dos desenhos animados, do sexo feminino em particular, são muito estereotipados e previsíveis”, explicou o artista em entrevista ao portal UOL. “São sempre tão inocentes, justas e inofensivas”, completou.
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As belas e inocentes princesas perderam a ingenuidade. “Mostrar essas princesas de uma forma mais obscura é o meu comentário relacionado à violência cometida por crianças em geral, e também uma forma de mostrar como olhamos para o bem e para o mal no mundo, e como as personagens mulheres estão colocadas nesse universo”.

Para o artista, passou da hora de acabar com o estereótipo que prevê que uma princesa de contos de fada sempre se comporte bem. Não é a primeira vez que o universo ilusório da Disney vira tema crítico de artistas consagrados do street art. O inglês Banksy criou um paródico parque de diversões tendo como pano de fundo a Disney. A ideia foi criticar o capitalismo desumano das grandes corporações utilizando o apelo consumista do parque americano.

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Banksy desenha Steve Jobs em defesa dos refugiados sírios

O grafiteiro misterioso Banksy sai mais uma vez em defesa dos refugiados com sua arte de rua controversa

divulgação AFP
“A Apple é a companha mais rentável do mundo, paga mais de US$ 7 bilhões ao ano em impostos e só existe porque deixaram um jovem de Homs entrar”. É com essa frase que o controverso grafiteiro misterioso explica sua mais nova crítica social desenhada nos muros da cidade francesa de Calais.

A imagem do grafite desenhado por Banksy em Calais mostra Steve Jobs, fundador da Apple, segurando em uma mão os famosos computadores Macintosh e, na outra, um saco preto. O desenho faz alusão ao fato de que Steve Jobs imigrou da cidade de Homs, interior da Síria, para os Estados Unidos após a Segunda Guerra Mundial. “Nós somos levados a acreditar que a imigração drena os recursos dos nossos países, mas Steve Jobs era filho de um imigrante sírio”.

Banksy é um dos desconhecidos mais famosos. O artista de rua inglês espalha seu grafite pelo mundo embora ainda nunca tenha aparecido oficialmente para o público. Sua arte, sempre contestadora, ajudou a mudar o olhar das pessoas sobre a arte de rua e suas obras são cotadas a preços altíssimos.

Ultimamente, a crise dos imigrantes sírios tem ganhado a atenção do artista. Em agosto um parque de diversões abandonado próximo à cidade de Bristol, interior da Inglaterra, virou palco para o mais horripilante parque distópico da história. Batizado de Dismaland, o parque dedicou um de seus brinquedos para, com o típico humor sombrio do artista, criticar a forma como a Europa e os Estados Unidos estavam lidando com a crise migratória do Oriente Médio.

O barco, carregado de corpos Sírios mortos, foi a forma encontrada pelo artista para chamar a atenção do público do parque para o delicado assunto. Com o fim da exposição, o artista abriu o espaço para receber os imigrantes da Inglaterra. Após os atentados ocorridos em Paris no mês de novembro, quando a França anunciou fechar suas portas para os imigrantes que escolhem o país para fugir da guerra na Síria, Banksy voltou a atacar com a sua tinta.

Em outro desenho também criado nas paredes da cidade francesa, Banksy fez uma releitura do famoso quadro de pintura a óleo desenhado em 1819 por Théodore Géricault “A Balsa da Medusa”. Na versão moderna do quadro exposto no Louvre, o grafiteiro desenha os imigrantes afundando nas águas do Mediterrâneo.

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Fotos: AFP/divulgação

Dismaland: a Disneylândia distópica de Banksy

O sombrio parque de diversões de Banksy

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“São proibidas facas e tintas de spray”, explica o Mickey horripilante na entrada da “Nova atração mais decepcionante do Reino Unido” – segundo explica seu próprio slogan. Estamos no caminho de entrada para a nova atração de Banksy. A crise de imigrantes na Europa, a degradação do meio-ambiente e a corrida pelo lucro a todo custo substituíram as princesas e as montanhas russas neste parque de diversões às avessas.

O Blog AZ adora se aventurar pelo incompreendido, polêmico e encantador mundo da arte de rua, mas é o anônimo mais conhecido do movimento underground do street art que gosta de mergulhar o público em sua arte cheia de significados. Banksy, o misterioso famigerado artista britânico, inaugurou este mês seu mais novo trabalho: a Dismaland.

Ao som melancólico de uma ininterrupta trilha sonora cantada por um balão de hélio que sussurra “Eu sou um imbecil”, os visitantes são convidados a se divertir no parque distópico criado por Banksy – uma versão subversiva da Disneylândia. O projeto do artista é mais uma de obra que veio para incomodar.

A exposição foi inaugurada no final deste mês em Weston-super-Mare, litoral oeste da Inglaterra, e já recebe mais de 4 mil pessoas por dia. O grotesco parque de diversões de Banksy critica o capitalismo da sociedade contemporânea tendo como alvo o maior clichê capitalista norte-americano.

O artista brincou com o nome “Dismal” (que significa sombrio em português) para fazer um trocadilho remetendo ao nome do parque das princesas e dos contos de fadas norte-americanos.

Nas atrações, o parque inclui um passeio de barco de imigrantes ilegais e a brincadeira consiste em pilotar a patrulha que persegue e atira nas pessoas que viajam na embarcação. Qualquer semelhança com a realidade vivida pelos imigrantes europeus não é mera coincidência.

Um banco dentro do parque oferece empréstimos a juros de 5.000%… Está bom de realidade? Segundo informou um porta-voz do misterioso artista, o parque é um tipo diferente de passeio em família. “O conto de fadas acabou”, explicou ele.

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Mais do que apenas grafite

O mundo da arte incompreendida ganhou espaço nos muros da cidade e na parede das galerias. Alguns nomes começaram a se destacar e diferenciar o bom grafite dos simples traços que se desprenderam do universo […]

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O mundo da arte incompreendida ganhou espaço nos muros da cidade e na parede das galerias. Alguns nomes começaram a se destacar e diferenciar o bom grafite dos simples traços que se desprenderam do universo artístico – ainda que seja um terreno muito perigoso diferenciar a arte boa da ruim.

Entre esses nomes, temos Erni Vales. O artista se disse encantado pelo grafite, já que é uma forma de arte que nos cerca em todos os cantos da cidade. Com a formação técnica educacional recebida na High School of Art and Design, em Nova York, Erni Vales teve contado com o pop art, as cores e o Hip Hop.

Foi a partir de então que seu trabalho começou a aparecer no coração da Big Apple. Erni passou a pintar vagões de metrô na década de 1980 na cidade de Nova York enquanto criava, simultaneamente, peças sobre tela. Foi nesse período que fez sua primeira aparição com a Graffiti Productions Inc., uma das primeiras galerias a apresentar o autêntico trabalho de grafite na época.

Suas obras não ficaram adstritas apenas à pintura. Vales realizou trabalhos com vídeo e fotografia. No grafite, fez nome e chamou atenção de outros artistas após desenvolver um estilo bem particular e introduzir o 3D e os murais coloridos no design de produção criativa.

Atualmente, seu ultimo trabalho tem chamado a atenção.  Erni Vales com a EVL Productions Inc., sua empresa, abriu agora galeria própria em Miami, onde Erni embarcou em uma viagem incomum. Seu objetivo foi produzir 13 séries de pintura em 13 meses. Cada mês, ele lançou uma coleção completa de peças e seu trabalho foi parar Art Basel Miami.

Projeto Luz para a Coexistência ilumina as paredes grafitadas da Vila Madalena

Projeto de luz urbana tomou conta da Vila Madalena na noite de hoje para estudar a sensação provocada pela iluminação nos espaços públicos

(Adriano Vizoni / Folhapress)

(Adriano Vizoni / Folhapress)

A sensação provocada pela iluminação nos espaços urbanos foi o objeto de estudo do Projeto Luz para a Coexistência. O projeto faz parte das ações realizadas pelo encontro brasileiro de Lighting Designers que, em 2015, chega a sua sexta edição. Este ano a Associação Brasileira de Arquitetos de Iluminação, em parceria com o Social Light Moviment, criou um projeto de intervenção de arquitetura em contexto urbano.

Cerca de 30 arquitetos, light designers e artistas plásticos participaram de um workshop para pensar em como transformar os espaços urbanos por meio da iluminação. O resultado do trabalho foi visto na noite desta quarta-feira (19) na Vila Madalena, em São Paulo.

A intervenção espalhou projetos de LED, filtros coloridos, lanternas de isopor e de garrafas pet por um percurso que vai da Praça Beco Niggaz da Hora, na Rua Belmiro Braga, passando pela Inácio Pereira da Rocha e pelo Beco do Batman, até chegar à escadaria do Palápio.

A escolha do bairro não foi aleatória. A Vila Madalena é conhecida por ser um reduto boêmio da capital paulista, mas agora virou também uma espécie de museu a céu aberto. Os grafiteiros da arte urbana tomaram conta das paredes do bairro e não é difícil imaginar o belo resultado que gera da aliança entre o street art e um bom projeto de iluminação.

O projeto durou vários dias e algumas horas. É que embora os organizadores tenham despendido alguns dias para pesquisa de campo e criação do projeto, as luzes ficaram acesas por apenas algumas horas. Após o horário legal do silêncio, 22 horas, os becos coloridos da Vila voltaram ao seu breu costumeiro.

A ideia principal do projeto este ano foi o de incluir a sociedade na discussão sobre o poder que a luz exerce no ambiente público e a sua vocação em transformar espaços degradados e a vida da comunidade que o circula. O Social Light Moviment, rede internacional de designers, já havia começado com esse enfoque no ano anterior em Frankfurt, quando uma de suas fundadoras, Elettra Bordonaro, apresentou as diversas intervenções de luz em todo o mundo.