Minimalismo Neobox 2016

A marca lança suas novas peças e mostra a razão de seu sucesso

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O minimalismo é uma tendência do design que passou a fazer parte dos projetos visuais no século 20 e ainda hoje faz sucesso. Assim como seu estilo, embasado no princípio do menos é mais, a sua própria filosofia conceitual é pouco conhecida. Ao contrário do pop art, por exemplo, que todos conhecem e sabem o que é, quem não vive no mundo do design convive com o minimalismo, mas não sabe apontar suas características.

Outro fato curioso é que o minimalismo não existe apenas na arquitetura, design ou moda. Um site pode ser minimalista, um jogo pode ser minimalista. Até mesmo um carro pode ter traços desenhados sob este princípio do design.

Aliado da elegância, o design minimalista prioriza apenas o essencial. Na verdade o minimalismo foi influenciado pelo movimento artístico holandês De Stijl e por arquitetos como Van Der Rohe e o design tradicional japonês. Van Der Rohe foi um dos primeiros arquitetos de destaque a usar os princípios do movimento.

No Brasil grandes empresas de design moveleiro utilizam o minimalismo em seus móveis, uma tendência do clássico despojado. A Neobox está entre elas. No início de 2016 a empresa lançou sua nova linha de mobiliário e a palavra de ordem é esta: minimalismo. Aliás, podemos dizer que elegância também ganhou espaço nas mesas e poltronas da marca.

Com madeira, couro, metal e vidro, a marca que está no mercado a apenas cinco anos mostra o porquê de seu sucesso. Este ano os móveis estão simplesmente de tirar o fôlego. Confiram no Armazém da Decoração.

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Design é Meu Mundo / FDC1

Flavio de Carvalho e sua história com a icônica poltrona FDC1

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A empresária Maria Abadia Haich, do Armazém da Decoração, costuma de dizer que Sérgio Rodrigues – juntamente com os modernistas da década de 1950 – ajudaram a formar um exército dos novos e ousados designers nas décadas seguintes. Quando paramos para analisar os nomes do design mobiliário nacional daquele tempo, entendemos o que ela quer dizer. Um desses nomes é Flávio de Carvalho.

Porém a história do artista é quase mais interessante que suas peças. Flavio atuou como arquiteto, pintor e escultor, cenógrafo e figurinista e causou muita polêmica na conservadora São Paulo dos anos 1930 com seu olhar vanguardista. Sem dúvida uma pessoa a frente de seu tempo – assim como seu mobiliário. Ousado e questionador, chamou bastante atenção no cenário cultural paulista ao andar pelas ruas vestindo saia e sandálias de couro.

Sua obra herdou estas mesmas características. Ousada e questionadora! As poltronas vão além de suas funções de mobiliário. Com um estilo muito avançado para a época, entraram para a história do design brasileiro. As peças de Flávio de Carvalho não são apenas a frente do tempo, elas não possuem tempo algum.

A icônica FDC1, desenhada em 1939, permanece atual e provavelmente continuará por muitas décadas. Seu projeto nasceu para mobiliar a residência e principal projeto arquitetônico do designer: a fazenda Capuava. Executada no couro misturado ao aço inox pintado a poltrona é um chame que brilha perfeitamente na sala de uma casa, de um escritório ou de uma galeria de arte.

Toda a elegância da FDC1 foi uma forma encontrada pelo artista de mostrar que o design interior era tão importante quanto a arquitetura externa. Seu estilo e ousadia, assim como os de Rodrigues, encorajou o trabalho autoral daqueles que criam e não copiam.

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Design é Meu Mundo / Cama Double

Cama Double da Neobox

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A Neobox, criada pela dupla Danilo Lopes e Paula Gontijo, chegou ao mercado apenas em 2011, mas aproveitou seus poucos anos de vida para penetrar no marcado e fazer de seu nome uma importante marca de mobiliário.

Conhecemos bem o padrão sofisticado de suas peças, já que o Blog AZ adora mostrar um pouco mais dos móveis criados e produzidos pela Neobox. O estilo vanguardista e criativo de desenvolver suas peças pode ser visto em sofás, puffs e mesas. Mas hoje, a cama é a estrela do nosso Design é Meu Mundo.

Double, no inglês, significa duplo por isso o termo “duble bed” é usado para dar nome às camas de casal. No caso da Neobox, que pensa sempre fora do comum, a Cama Double significa uma dupla função para o móvel mais importante da casa. É que a Cama Double vem com uma espécie de cabeceira estante.

Seu estilo minimalista, com traços simples e, paradoxalmente, elaborados, é que faz da Cama Double uma peça elegante. Criada em todos os tamanhos (solteiro, solteiro king, casal, casal queen, casal king e super king) a cama é formada por estrados de madeira desmontáveis.

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Retrospectiva 2015: O que os móveis nos contam?

O ano acabou, mas as histórias continuarão sendo narradas pelo Blog AZ

“O que os móveis nos contam? Contam-nos a história de sua geração? De seu designer? Do futuro que ele vai abrigar com suas linhas atemporais? […]”. Abadia Haich.

O ano de 2015 passou como em um piscar de olhos. A cada móvel, cada parceria e cada amizade, o Armazém da Decoração ganhou mais uma história para contar. E este ano contou muitas histórias.

Narrou momentos trágicos, como o recente incêndio que destruiu parte do histórico prédio que abriga o Museu da Língua Portuguesa. Mas participou de momentos de muita festa, como as semanas que protagonizaram a Casa Cor 2015.

A Casa Cor 2015 abriu suas portas no dia 15 de maio para mostrar o Brasil por dentro e explorar toda a brasilidade que a cultura local oferece ao design e à arquitetura. Foram 37 ambientes – 13 deles com peças nossas.

Foram muitos papos design em nosso Blog AZ e nas noites do Espaço Conceito do Armazém da Decoração, quando recebemos amigos, clientes e profissionais para conversar com nomes do design mobiliário como Gisele Schwartsburd, da LinBrasil, e o designer Fernando Mendes.

O ano recepcionou a chegada do Container AZ com mais de 2 mil peças exclusivas vindas, literalmente, do mundo todo. Adornos, móveis e peças de design encomendada do Canadá, Holanda, Turquia, Filipinas e outras dezenas de países espalhados pelos quatro cantos da terra.

A linha estrela, lançada pelos Campana no Salão do Móvel de Milão 2015, foi uma das estralas do showroom AZ 2015. O espaço ganhou o toque de criatividade dos arquitetos W. Leão Ogawa e Heitor Arraes.

Este ano o Armazém da Decoração comemorou as 17 primaveras da vida e da história do armazém da decoração, que além de loja, desempenha o papel de produtor e propagador de conhecimento, arte e design.

Feliz ano novo!

Tudo sobre a Mole

Entra década, sai década, a cadeira de maior sucesso do mestre do design Sérgio Rodrigues permanece imortal (e atemporal)

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“Esparramada” é uma palavra que define bem a poltrona mais famosa de Sérgio Rodrigues. Cá entre nós, quem já se sentou em uma Mole sabe que a sensação é de estar sendo abraçado pela poltrona. A Mole também pode facilmente ser apelidada de robusta, não apenas por sua estrutura de madeira torneada, mas por sua presença imponente.  Sua qualificação levaria horas, então passamos a sua história:

A poltrona Mole está perto de chegar à melhor idade. Criada em 1957, no próximo ano comemoraremos seus 60 anos de vida. Naquele ano, o fotógrafo Otto Stupakoff encomendou a Sergio Rodrigues um sofá “preguiçoso” para seu estúdio. O designer tinha acabado de criar sua empresa, a Oca, e desenhou a estrutura de madeira torneada e a batizou de Mole.

O curioso é que a poltrona não foi bem recebida de início, já que ficou um ano parada na vitrine da Oca, sem nenhum comprador. Seus padrões se distanciavam do estilo vigente à época. Interessante é que a diferença estética da Mole, que de início não atraiu fãs, foi, alguns anos mais tarde, a razão de seu sucesso.

No ano era 1961, na cidade italiana de Cantù, a poltrona Mole recebeu o prêmio responsável por torna-la famosa em todo o mundo. Sérgio Rodrigues conquistou o grande prêmio no 4º Concurso Internacional do Móvel. O reconhecimento do júri deveu-se ao fato de a peça não era influenciada por modismos e representava a região de origem. A partir de então Sérgio passou a colocar o design nacional em destaque no mundo, tendo a Mole como atração principal.

Mole é a representação do conforto ao estilo brasileiro. Seus generosos almofadões em forma de gomos aparentemente jogados formam, com a madeira torneada, uma estrutura robusta que mistura elegância ao estilo meio despojado de Sérgio. Produzida em madeira jacarandá e revestida em couro, a peça faz parte do acervo do Museum of Modern Art de Nova York (MoMa).

Poltrona Mole de Naldo Mundim

Poltrona Mole de Naldo Mundim

 

Paulo Alves ministra aula inaugural do curso de design da PUC Goiás

Paulo Alves conversa com os alunos da Pontifícia Universidade Católica de Goiás sobre o design nacional

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O designer dos galhos tortos e da criatividade desembarca em Goiânia nesta quinta-feira (26) para ministrar uma aula inaugural do curso de Design da PUC-GO. O arquiteto é formado pela USP de São Carlos e iniciou sua carreira no renomado escritório de Lina Bo Bardi.

A criatividade de Paulo e seu fascínio pelo trabalho com madeira fez com que seu trabalho ganhasse um toque de brasilidade. O arquiteto já participou de projetos de revitalização como o do Palácio das Indústrias, mas é conhecido mesmo pela elegância de seus móveis.

A passagem do arquiteto por Goiânia dessa vez será rápida. Apenas hoje Paulo Alves irá conversar com os alunos do curso sobre os rumos do design nacional, mas a agenda do arquiteto anda cheia. No início de fevereiro e março o arquiteto fez o lançamento do livro que celebra os 20 anos de sua carreira.

Marcelo Rosenbaum, Zanini de Zanine e Nando Reis ajudaram a contar os 20 anos de carreira do profissional da madeira. No ano de comemorações, o designer lançará a edição comemorativa da miniatura da premiada cadeira Atibaia.

Cadeira Atibaia

Cadeira Atibaia

 

X de Xibó

Sérgio Rodrigues

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O mestre do design abre mais uma letra no Aphabeto AZ, porque não tem outra peça tão perfeita para caber em nosso X. Design sofisticado e traços modernistas é escola de Sérgio Rodrigues. O carioca direcionou seu trabalho para o design mobiliário quando começou a dar mais atenção à arquitetura feita no interior. O designer dizia que um prédio que não se preocupa com as partes internas é apenas uma escultura.

Ao contrário dos que desenham apenas por desenhar, Rodrigues o fazia por paixão. O carioca orgulhava em dizer que nunca criou um móvel por encomenda, já que todas as suas peças tinham que lhe emocionar. A inquietação do designer ajudou seu lado criativo e Sérgio transformou seu trabalho em uma das mais admiráveis expressões do design nacional.

Entre os trabalhos da década de 1960 e as releituras dessas peças produzidas nos anos 2000 pela LinBrasil nasceu a Poltrona Xibó. A peça, que começou a ser esboçada na década de 1990, é uma versão masculina da Poltrona Killin. A finalização da poltrona contou com o auxílio luxuoso de seu primo e discípulo Fernando Mendes que pegou os antigos desenhos de Rodrigues e os trouxe à vida. A poltrona foi estruturada em freijó natural ou tonalizado, mas o chame ficou mesmo por conta do couro. O assento e encosto foram revestido de soleta e couro natural preto.

V de Vick

Bernardo Figueiredo

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O universo do Design possui algumas figuras de ouro e Bernardo Figueiredo é uma delas. Influenciado pelo design modernista de Joaquim Tenreiro, o carioca dedicou parte da sua vida para a criação de móveis. Ao lado de peças do próprio Tenreiro e do outro mestre do design nacional Sérgio Rodrigues, poltronas e cadeiras de Bernardo estão desfilando pelas salas e corredores do Itamaraty.

Bernardo Figueiredo é formado em arquitetura pela antiga Faculdade Nacional de Arquitetura (atual Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da UFRJ) e na década de 1960 o designer se encantou pelo design e encantou o design com suas peças. No auge da sua carreira, Figueiredo criou sua própria linha de móveis residenciais e desenvolveu 80 peças em menos de seis anos.

Nos anos seguintes Bernardo Figueiredo se voltou para a arquitetura à frente de seu escritório Arquitetura Espacial, no Rio de Janeiro, e seu trabalho no ramo moveleiro acabou sendo reeditado pela Schuster em 2011, um ano antes da sua morte. Foram 75 peças dos trabalhos mais emblemáticos de sua obra reeditadas pela empresa gaúcha. “Procuramos Bernardo para ser o curador da linha de móveis a ser lançada em 2011. Mas, quando soubemos que sua obra estava fora de produção, não tivemos dúvida. Decidimos relançar alguns dos móveis desenhados por esse profissional, que faz parte da história do design nacional”, revelou Mila Rodrigues, diretora de criação da Schuster, em entrevista à época.

Bernardo deu ao seu trabalho um forte toque de brasilidade e sua trajetória como designer foi marcada pela valorização dos materiais brasileiros, como o jacarandá e a palha. Um exemplo claro dessa valorização, em linhas retas e sóbrias, é a poltrona Vick. Vick ganhou hoje nosso V, no Alphabeto AZ. Porque Design é Nosso Mundo.

Morre aos 86 anos o designer Sérgio Rodrigues

Vítima de um câncer terminal morreu hoje Sérgio Rodrigues, um dos maiores mestres do design nacional

Sérgio Rodrigues (homenagem)
É já com muita saudade que o Blog AZ fala sobre um dos maiores designers que o Brasil teve a honra de conhecer. Sérgio Rodrigues faleceu na manhã desta segunda-feira (1), aos 86 anos de idade, em decorrência de um câncer terminal. Carioca, Sérgio foi arquiteto e construiu uma carreira brilhante como designer de móveis com peças ícones do design nacional.

Ao lado de nomes como Joaquim Tenreiro e José Zanine Caldas, Sérgio Rodrigues levou o design brasileiro para o exterior com seu traço modernista e suas peças de sucesso dos anos 50 e 60. A inquietação do designer ajudou seu lado criativo e Sérgio transformou seu trabalho em uma das mais admiráveis expressões do design nacional. Foi também pelo trabalho de Sérgio Rodrigues que o mundo descobriu que o Brasil tem designers, grades designers.

Sua carreira começou nas cadeiras da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal do Rio de Janeiro, onde se formou em 1952. Como arquiteto, Sérgio trabalhou ao lado de David Azambuja, Flávio Regis do Nascimento e Olavo Redig de Campos no projeto do Centro Cívico de Curitiba, bairro da capital que concentra os principais prédios do governo do Paraná.

Seu interesse pelo espaço interno não deixou Sérgio longe do design de móveis por muito tempo. Convicto de que “a arquitetura em que o planejamento do espaço interno não é estudado adequadamente não é arquitetura, é escultura”, o designer saltou da arquitetura para a criação mobiliária quando fundou a Indústria Oca em 1954, um dos estúdios de arquitetura de interiores e cenografia mais importantes do mobiliário brasileiro. A Oca foi responsável por expor mais de mil criações de móveis ao longo dos anos.

O conceito de brasilidade está estampado na obra de Sérgio Rodrigues. Carlos Motta, ao falar sobre o jeito brasileiro, logo se lembrou de uma das maiores obras do designer: a Poltrona Mole. “O design internacional muitas vezes é engessado, já o design brasileiro mostra as características de seu povo. Um ótimo exemplo disso é a cadeira Mole, de Sergio Rodrigues. Sérgio aproveitou esse jeito informal do brasileiro para fazer uma cadeira perfeita para se escorar”, brincou Carlos em uma palestra no anfiteatro do Armazém da Decoração em uma visita à capital.

De seu trabalho com o mobiliário, os maiores ícones do design nacional são a Cadeira Oscar (1956), Poltrona Mole (1957), Poltrona Aspas “chifruda” (1962), Poltrona Killin (1973), Banco Sonia (1997) e Poltrona Diz (2001). A Poltrona Mole é hoje parte do acervo do Museum of Modern Art de Nova York (MoMA) e seu sucesso fez com que a enciclopédia Delta Larousse atrelasse seu nome à imagem de “o criador do móvel brasileiro”.

O Brasil perdeu o mestre do design, mas suas peças atemporais imortalizaram Sérgio Rodrigues ao entrarem para a história. É com muito carinho que o Blog AZ dedica esta semana ao mestre para apresentar um especial com suas principais peças de mobiliário.

“O móvel não é só a figura, a peça, não é só o material de que esta peça é composta, e sim alguma coisa que tem dentro dela. É o espírito da peça. É o espírito brasileiro. É o móvel brasileiro.” (Sérgio Rodrigues).

Sérgio Rodrigues em sua última visita ao Armazém da Decoração

Sérgio Rodrigues em sua última visita ao Armazém da Decoração

Texto: Bárbara Alves
Fotos: Elton Rocha

“O mundo descobriu que nós temos designers”

Em entrevista para o Blog AZ, Carlos Motta fala um pouco mais sobre seu trabalho e sobre os rumos do design nacional

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Designer, arquiteto, pai, pescador e surfista. É a assim que muitos definem Carlos Motta, já o próprio Carlos prefere não ter definições específicas, o designer se considera uma mistura de todas essas características. Dono de um design único, o criador na poltrona Astúria define seu processo criativo como intuitivo. Em um papo com o Blog AZ em um dos ambientes da Armazém da Decoração, Carlos Motta falou um pouco mais sobre seu trabalho, sua vida e os rumos do design nacional.

Quais são as filosofias que movem o seu trabalho?

Estava conversando com algumas pessoas aqui e alguém me perguntou sobre o Salão de Milão e eu me lembrei que a última vez que fui ao Salão de Milão foi em 1981, porque de alguma maneira eu perdi um pouco o interesse. Claro que se eu for lá vou ficar deslumbrado de ver todas as coisas que estão acontecendo, mas eu não tenho a atitude de ir até lá porque não é esse o meu vínculo com o design. A minha história com o design é muito intuitiva, mesmo eu tendo me formado em arquitetura. O design, a arquitetura, meus filhos, minha mulher, minha alimentação, o surf, a maneira que está tudo ligado… É tudo junto. Eu não saio da praia e termina ali o surfista, chego em casa e me transformo em marido e pai ou vou para o atelier e viro arquiteto ou empresário. Todas essas coisas estão presentes o tempo todo na minha vida e me ajudam no processo criativo. O trabalho de design não é um trabalho intelectualizado, é um trabalho intuitivo e muito em cima desses valores.

Você tem um vínculo forte com a marcenaria, assim como a Butzke. Foi isso que uniu o trabalho de vocês?

Isso foi uma das coisas que uniu o nosso trabalho, mas o que mais nos uniu mesmo, independente do respeito e da paixão pela marcenaria, é o fato de nos pautarmos em uma responsabilidade social e ambiental. Para mim, essa duas responsabilidades são os primeiros pré-requisitos para um bom design. É impossível em 2014 fazer um bom design sem ter responsabilidade ambiental e social, mesmo que seja algo lindo mostrado no Salão de Milão, ela não vai ter qualidade se não foi produzida com responsabilidade e respeito.

Como é essa responsabilidade social no trabalho do Atelier Carlos Motta?

Eu sempre trabalhei com muitos funcionários e sempre vi a turma vindo de três conduções em São Paulo, uma vida muito cruel, com esse abismo social que tem no Brasil. Como eu já tive muita sorte de nascer em uma família que pode me oferecer muita coisa boa, pensei que se a organização é monetária eu deveria utilizar o design como uma ferramenta social para trazer essa turma comigo e dividir os lucros. Então qualquer peça que sair produzida por mim vai fazer com que todos que estão na cadeia produtiva participem do lucro comigo. Quando uma peça é vendida, ela possui tanto valor agregado que esse valor dá para ser dividido.

O que é o design pra você?

O brasileiro é muito habilidoso. Essa coisa nossa de ter que improvisar por sermos um país pobre dá ao brasileiro uma capacidade de trabalho incrível. Eu nunca vi ninguém trabalhar com a madeira como os baianos que fazem construção civil da mais alta qualidade. O brasileiro tem essa capacidade de absorver o conhecimento e manter aquilo que é trazido e promovido. Eu acho, então, que o design está muito mais envolvido com essas coisas do que com os grandes prêmios e salões de móveis internacionais.

Como é que você está vendo essa valorização que o design começou a ter inclusive no Brasil?

Eu acho que aqui no Brasil, durante muitos e muito anos, a gente tinha o costume de abrir uma revista e copiar as coisas dos outros e isso transformou nosso produto em algo sem valor agregado. A China, o México e a Indonésia já fazem isso e por bem menos que a gente. Então se eu quisesse algo da Kartell, eu compraria uma empresa chinesa por um preço bem baixo que as brasileiras. Assim, o empresário brasileiro começou a descobrir que não adianta ter um parque industrial enorme montado para a indústria moveleira pensando em exportação, já que o poder aquisitivo do brasileiro não é tão alto, com cópias. Foi aí que o mercado descobriu a identidade e o design brasileiro. Nós temos as madeiras mais bonitas e certificadas pelo selo FSC, então no lugar de deixar os estrangeiros levarem nossa matéria prima, eles começaram a levar nossos produtos manufaturados. Hoje o mundo descobriu que nós temos designers.

Designers donos de peças autorais como as suas acabam sendo copiados ao longo da carreira, como o Atelier Carlos Motta lida com a pirataria?

No começo da minha carreira eu descobri que uma peça minha havia sido plagiada, então procurei um advogado. No período em que o processo, lento e caro, corria na justiça eu acabei lendo um livro de um mestre yogi e em uma de suas passagens falava que o que a gente produz pertence à humanidade, é uma colaboração ao mundo. Nesse dia eu desisti do processo e desde então nunca mais processei nenhuma cópia do meu trabalho.

Você acha que existe o bom e o mau design?

Uma peça boa é uma peça que responde a certos pré-requisitos que eu acho que são básicos. O bom design tem a matéria prima correta, ambientalmente e tecnicamente correta. Tem que saber usar a ergonomia, com o estudo do corpo para a construção de uma peça confortável. E depois de tudo isso, essa peça deve ser longeva porque eu tenho certeza que eu, meu filho, meu pai ou meu neto vão sentar ou deitar desses móveis, então para quê fazer uma coisa efêmera? Esse conjunto de coisas acaba distinguindo o que é um bom design de um mau design.