Design im(prático)

Arquiteta cria objetos de design e decoração que não podem ser usados

Para aqueles que acreditam que estética nem sempre se associa à praticidade, Katerina Kamprani veio para confirmar esta ideia. Katerina é uma designer grega, precisamente de Atenas, que decidiu criar um design feito para, literalmente, incomodar.

O projeto, batizado de The Uncomfortable (o inconfortável), foi criado pela ateniense em 2011 e continua sendo desenvolvido por ela.  “Meu objetivo é desconstruir a linguagem de um design prático e distorcer suas propriedades fundamentais pensando em surpreender e despertar bons risos”, explica a designer em seu site.

A complexidade e a interação do público com os objetos simples que nos rodeiam, mas que nas mãos de Katerina se transformam, faz com que seu design se torne também arte – algo que não é exclusivo dela, já que estes dois campos se mesclam com certa frequência.

Os objetos inconfortáveis são peças simples do nosso dia-a-dia reconstruídos de forma pouco (ou nada) usual. Em outras palavras, são peças que não podem ser usada para as funções que deveriam desempenhar.

De início, a designer criava os objetos em projetos gráficos 3D, mas com o passar do tempo passou a tridimencionaliza-los: uma cadeira em que não se pode sentar, uma taça na qual não se pode beber e um guarda-chuvas que não pode ser usado para fugir da chuva. Tudo com muito humor.

Imagens: Divulgação

Brunno Jahara: cultura em ebulição

O designer Brunno Jahara transforma todo material em arte e mobiliário com muito humor e criatividade

Brunno Jahara fala o design através de seus móveis, sem usar palavras. Para ele bem criar é possibilitar com que seus trabalhos despertem bons sentimentos nas pessoas, talvez seja por esta razão que seus móveis tenham um lado de humor.

Brunno morou dez anos no exterior, entre Europa e Japão. Partiu para a vida lá fora após formar-se pela Universidade de Brasília. Na Europa concluiu seus estudos no Instituto Universitario di Architettura di Venezia e atuou ao lado do designer espanhol Jaime Hayon. De volta ao Brasil, aterrissou em São Paulo, onde morou por cinco anos até retornar a sua cidade natal, o Rio de Janeiro.

O que chama atenção no trabalho de Brunno é sua inventividade. O designer atua usando a técnica de aplicações gráficas e, com elas, brinca com elementos culturais (de várias culturas). Possui, além dos móveis por ele assinados, instalações e até joias.

Da palha à porcelana, Brunno possui desenvoltura com todos os materiais. Já traduziu seu design em um faqueiro de metal dourado na coleção TUJU, em itens de palha para a coleção BRASILIS, no vidro para a coleção GARGALOS e também a tradicional madeira com a NEURORUSTICAS.

O designer possui projetos com importantes marcas, como a Heineken e a Melissa e em alguns deles Brunno se utiliza das novas tecnologias como ferramenta. O sucesso desses trabalhos literalmente atravessou fronteiras. O designer já expos seu trabalho em importantes centros de arte e design, como no Centro Georges Pompidou, em Paris, no Tóquio Bloco Designers, na Feira de Móveis de Milão, Semana de Design de Amsterdam e na Nova York Design Week.

Imagens: Brunno Jahara / Divulgação

Fava de Bolota: o design artesanal do Tocantins

Sérgio J. Matos se uniu a artesãos de um distrito de Palmas para juntos criarem peças com a identidade regional do Tocantins


Vamos aproveitar nosso passeio por terras tocantinenses em nosso post da última terça-feira para continuar falando do design produzido no nosso vizinho do norte. Desta vez, o projeto veio do arquiteto Sérgio J. Matos. Sérgio é desses que sabe aliar design ao artesanato e aproveitar o que de melhor a cultura brasileira pode oferecer.

Apaixonado pela cultura nacional, Sérgio imprime em seu trabalho o regionalismo de cada pedaço do país que o encanta. Com essa paixão, se deslocou para Taquaruçu, distrito de Palmar, capital do Tocantins, para trabalhar no Projeto de Estruturação Turística da cidade desenvolvido pela prefeitura.

Os artesãos da região já trabalhavam com a criação de peças feitas em cerâmica, crochê e trançado de palha, mas não imprimiam a cultura da região em seus trabalhos. Foi ai que Sérgio J. Matos entrou para prestar sua consultoria. O designer sabe muito bem captar a essência dos regionalismos e trazer para seus trabalhos. Ajudar os artesãos locais a fazer o mesmo, então, não seria difícil.

Sergio viu na Fava de Bolota a referência central para cumprir sua missão. A Fava de Bolota é uma árvore tão comum no Tocantins que acabou se tornando símbolo oficial do estado. A árvore frondosa de grande porte chama a atenção por suas flores de formato esférico e cor avermelhada e por seus frutos, em formato encaracolado, que nascem em cachos e chegam a atingir 20 centímetros de comprimento.

Sérgio conta que quando chegou a Palmas as árvores, que dão flores apenas uma vez ao ano, estavam todas floridas.  “Sua flor é muito exótica, eu nunca tinha visto”, explicou o designer. Junto às flores aliou o material que seria usado: palha do buriti tratada – além das cerâmicas e crochês já usados pelos artesãos locais. As peças todas possuem como referência a flor da Fava de Bolota.

O trabalho dos artesãos com Matos será oficialmente lançado no dia 6 de setembro em um evento regional de Taquaruçu, o 11º Festival Gastronômico do distrito. Mas o sucesso estimulou Matos a planejar novas viagens para aliar seu trabalho a de outros artesãos em comunidades do Tocantins.

Imagens: Sérgio J. Matos / Divulgação

As novidades de Jacqueline Terpins

Artista plástica, Jacqueline Terpins transita com facilidade por todas as matérias primas e aproxima a funcionalidade do móvel com a beleza da arte

Jacqueline Terpins ficou conhecida pelas peças que realçam o movimento original do cristal e abusam das formas do vidro. Mas não é só de vidro que é feito o seu trabalho. Terpins transita entre diversos tipos de matérias primas e o faz com muita competência e criatividade. Deve ser por isto que o Blog AZ adora mostrar seu trabalho.

Este ano, Jacqueline Terpins ousou em suas peças de estética minimalista lançadas em abril durante a edição 2017 da SP-ARTE. “Poder se emocionar no cotidiano através do uso de objetos ou móveis é uma forma de viver melhor”, explicou a designer em entrevista para a  SP-ARTE. Segundo Terpins a emoção dos objetos pode vir tanto pelo estudo de sua funcionalidade – algo que a designer faz muito bem – como também, claro, pela transcendência que sua beleza provoca.

A emoção passada pela transcendência da beleza de suas peças ficou a cargo de algumas novidades apresentadas durante a feira, como os bancos Pedra, mesas laterais, como a Fenda, objetos de decoração com os vasos de cristal e móveis em todos os materiais: aço inoxidável, quartzo, madeira e vidro.

Artista plástica, Jacqueline Terpins formou-se em Comunicação Visual na Escola de Belas Artes da UFRJ e manteve suas criações de mobiliário muito próximas do meio artístico. É por isto que suas peças são uma mistura entre a funcionalidade do mobiliário com a beleza da arte. Imagens falam mais que palavras, então confiram as novidades do trabalho de Jacqueline Terpins.

Casa Cor Goiás em movimento

Casa Cor Goiás chegou ao fim, mas as lentes da nossa câmera capturou os melhores espaços da mostra em 2017

Casa Cor fechou suas portas esta semana e vai já deixando saudades. Os melhores momentos da 21ª edição da mostra, no entanto, foram capturados pelas lentes do artista e fotógrafo Marcus Camargo. Fiquem então com os melhores ambientes, com o melhor do design, da Casa Cor Goiás 2017:

Memória afetiva

Andréia Rocha Lima transforma sua memória afetiva em uma delicada brinquedoteca cheia de design

 


No coração de Paris, entre o terceiro e o quarto arrondissement, mais especificamente no bairro Marais, está um dos ambientes da 21ª edição da Casa Cor Goiás. O endereço da mostra este ano continua sendo o centro de Goiânia, mas é que não podemos falar na brinquedoteca Villa Kids sem nos transportarmos para a cidade da luz.

Explico! O ambiente da designer Andréia Rocha Lima foi inspirado em uma loja de brinquedo da capital francesa. Por quê? “Busquei na minha memória o lugar mais lúdico e acabei sendo levada, pela lembrança, a esta loja de brinquedos no Marais que me transportou para um lugar muito bom da minha memória”, explicou a designer ao Blog AZ. A junção da bela cidade da luz em um espaço dedicado à brincadeiras faz com que o ambiente reunisse lúdico e requinte bem ao estilo parisiense.

A materialização da memória afetiva de Andréia Rocha Lima nos transporta para Paris. Se a ideia era trazer o design para a brincadeira, a junção deu jogo. Em sua segunda participação na mostra, Andréia conseguiu criar em um ambiente de 42m² um espaço descontraído para crianças e belo para os adultos. O ambiente respira design. Aquilo que não possui assinatura de renome foi desenhado ou customizado por ela.

Em sua composição, madeiras naturais e industriais se misturam a um mobiliário de design reconhecido. No elenco que forma a brinquedoteca estão o Espelho Chuva de Léo Romano, balanços Tidelli, a Estante Floresta de Pedro Useche e Paulo Alves, a luminária Caruaru de Marcelo Rosembaum e móveis desenhados pela própria Andréia e desenvolvidos em madeira. Como plano de fundo, chama a atenção uma instalação artística assinada pela Masi Artes.

Essencial é o foco da Casa Cor 2017. Para Andreia, o essencial está na alma e foi com alma que projetou seu espaço. Cada cantinho da Villa Kids tem sentimento, como nos desenhos dos filhos da designer transformados em quadros de decoração e pendurados na parede do ambiente e nas boas memórias da loja de brinquedos do Marais transformados em uma brinquedoteca de design lúdico, leve e delicado.

Fotos: Marcus Camargo

Alberto Meda e a tecnologia do design

Formado em engenharia mecatrônica, Alberto Meda usa a tecnologia em prol do design

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Alberto Meda nasceu em Tremezzina, interior da Itália. Aos 24 anos, formou-se em engenharia mecânica na Politécnica de Milão e três anos depois já atuava como gerente técnico da Kartell. Seu trabalho à frente da italiana do plástico ajudou a transformar a empresa em uma das marcas mais tradicionais na produção de mobiliário de policarbonato.

Após 1979, passou a desenvolver peças industriais para outras importantes empresas, como a Alfa Romeo Auto, Arabia–Finland ,Cinelli, Colombo design, JcDecaux, Legrand, Mandarina Duck, Omron Japan, Philips, Olivetti, Vitra e outras. Seus trabalhos se destacam no campo do design, com peças de decoração, e também tecnológicas, como sensores solares e radiadores – tecnologia desenvolvida sempre pensando no design.

Meda fez fama como engenheiro focado no design, o que torna suas criações ao mesmo tempo decorativas e práticas. É que Alberto possui uma mente pragmática. A cargo do desenvolvimento de projetos de móveis e equipamentos de laboratório de plástico da Kartell, ajuda a desenvolver a alta tecnologia aplicada pela marca em seu mobiliário. Estar no laboratório não impediu que Meda assinasse peças de sua própria criação, como a luminária Aledin e as escadas upper.

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A arquitetura de Isabelle Stanislas

A francesa Isabelle Stanislas e seus trabalhos belos e geométricos

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Isabelle Stanislas é uma arquiteta francesa habituada em dividir o palco com outros profissionais do campo artístico – seus projetos são uma mistura contemporânea de arquitetura com arte. Formada em arquitetura pela Faculdade de Belas Artes de Paris, obteve sucesso nos projetos criativos que realizou em conjunto com fotógrafos, paisagistas e artistas ao longo da carreira.

Seu escritório foi aberto na capital francesa em 2001 e desde então Isabelle tem levado seus projetos residenciais e comerciais para mostras internacionais de arquitetura e design, como na Mostra de Arquitetura e Decoração e no Salão do Móvel de Milão – ela é a profissional responsável pela identidade estética de lojas exclusivas como Hermes e Zadig & Voltaire.

Isabelle não se diz uma workaholic, muito embora julgue não haver hora certa para a arquitetura. Mas, segundo ela, a vida deve ter tempo reservado para ser vivida, já que são das experiências diárias que se tira a criatividade para os projetos que desenvolve em seu escritório, projetos arquitetônicos e mobiliários.

Iluminação é um item de extrema importância no trabalho da arquiteta. Segundo ela, é preciso criar um equilíbrio único entre luz e espaço e a iluminação é trabalhada sempre de acordo com os volumes arquitetônicos do ambiente. Um de seus trabalhos que mais chamou a atenção do mundo foi a So Light lâmpadas, que forma desenhos geométricos luminosos e personalizados com o tamanho do ambiente – a peça foi destaque de varias revistas do seguimento em todo mundo após ser exposta no Salão do Móvel de Milão em 2013.

Outro projeto seu que garantiu publicações foi a decoração de um apartamento de 200m² em uma valorizada área próxima ao Museu do Louvre. O apartamento em questão é atualmente sua própria casa. O vizinho Louvre é o principal item da sala, já que suas janelas têm vista para o museu parisiense. Com o objetivo de destacar essa paisagem, as paredes do cômodo foram pintadas com tons claros, em prol do equilíbrio estético com o Louvre.

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Ferruccio Laviani: da madeira ao plástico

O italiano Ferruccio Laviani atua como diretor artístico da Kartell desde 1991 e empresta seu tempo também para desenvolver incríveis peças mobiliárias

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Hoje o Blog AZ apresenta o arquiteto italiano Ferruccio Laviani. Ferruccio nasceu na Cremona, interior da Itália, em 1960 e 26 anos mais tarde recebeu diploma do Politécnico de Milão em arquitetura. O resto da sua história é conhecido do público que ama o design italiano.

Ferruccio Laviani assinou seu nome em trabalhos de importantes marcas, a principal delas é a Kartell, empresa para a qual atua como diretor artístico há quase três décadas. No início de sua carreira, atuou ao lado de Michele De Lucchi, mas em 1991 decidiu abrir seu próprio estúdio em Milão.

Seu trabalho vai do design moveleiro, passando pela arquitetura e chegando à curadoria de museus – em 2015, Laviani desenvolveu um novo conceito para o museu da Kartell em Noviglio. No design de móveis, suas peças são bastante versáteis. É que Ferruccio Laviani trabalha com todos os tipos de materiais e todos os estilos: da madeira ao plástico.
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Suas peças feitas em parceria com a Kartell chamam a atenção do mundo. Algumas, inclusive, já são conhecidas aqui do Blog AZ, como as luminárias e as peças da Kartell Kids. Destaque do Isaloni 2016, outra peça que se destacou entre as demais foram as Luminárias KABUKI, moldadas por injeção e feitas em fibra de carbono com furinhos que permitem a passagem da luz.

Com a madeira e o tecido, Ferruccio Laviani já criou sofás, mesas e aparadores. Uma de suas coleções de maior sucesso com a madeira foi a Good Vibrations, menos pelo design de sua estrutura e mais pela criatividade.  Good Vibrations foi projetada para replicar um mau funcionamento digital.
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Imagens: Divulgação

SP-Arte acontece entre os dias 6 e 9 de abril

Semana de arte de São Paulo começa a se movimentar com a 13ª edição da SP-Arte, que acontece entre os dias 6 e 9 de abril

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Ontem anunciamos o início da Semana de Design de Milão, mas não é apenas a cidade italiana que respira arte nesse início de abril. Amanhã São Paulo recebe mais uma edição da Festival Internacional de Arte de São Paulo (SP-Arte), feira onde as galerias recebem colecionadores e amantes da arte para mostrar o que artistas brasileiros e internacionais feito de novo no seguimento.

São Paulo é considerada uma das dez cidades mais importantes do mundo quando o tema é arte. Foi por isso que em 2005 foi criada a SP-Arte. Em 2017 a feira completa 13 edições e será realizada entre os dias 6 e 9 de abril no Pavilhão da Bienal Parque Ibirapuera.

Este ano, o evento reúne mais de 120 galerias de arte moderna e contemporânea do Brasil e do mundo. “O nosso trabalho, ao longo de mais de uma década, foi sempre no sentido de democratizar o acesso à arte, trabalhando pela formação de novos apreciadores e colecionadores, fazendo circular ideias e informações, divulgando eventos e exposições, criando prêmios de incentivo e ações como o Gallery Night, que têm como foco ocupar a cidade com arte e convidar o público a transitar por bairros paulistanos, visitando galerias e museus”, afirma Fernanda Feitosa, diretora e fundadora da SP-Arte.

Na abertura da semana do Festival, SP-Arte e Videobrasil unem forças para apresentar no Galpão VB a mostra “Nada levarei quando morrer, aqueles que me devem cobrarei no inferno”, que conta com uma seleção de trabalhos em vídeo de artistas brasileiros centrais da cena contemporânea.
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Design

A feira também dá destaque ao design mobiliário, iluminação, antiquário e objetos, que foi sucesso de crítica e público na mostra de 2016 – ano que a feira estreou na exposição deste seguimento. Este ano, a SP-Arte expõe o melhor da produção nacional em sua segunda edição da SP Design. Estarão presentes galerias como ETEL e Hugo França e ainda o SP Design apresenta artistas icônicos como Sergio Rodrigues, Zanine Caldas, Lina Bo Bardi e Jorge Zalszupin e também novos destaques da geração contemporânea como Zanini de Zanine, Jader Almeida e Irmãos Campana.
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Informações e imagem: Assessoria SP-Arte