Dalí e a Divina Comédia em exposição em Brasília

As obras de Salvador Dalí interpretando a Divina Comédia de Dante Alighieri estão sendo expostas na capital federal

Um dos maiores nomes da arte do século 20, Salvador Dalí, se destacou por suas pinturas surrealistas e pelos desejos inconscientes. O governo da Itália, ainda na década de 1950, resolveu homenagear os 700 anos de nascimento de Dante Alighieri com um projeto que contava sua história de maior sucesso: a Divina Comédia. Foi ai que resolveram unir o surrealista com a história sobre céu e inferno criada pelo poeta no século 14. Não tinha como dar errado.

O pintor catalão reinterpretou o conto de Alighienri com 100 imagens feitas em xilogravura divididas entre “inferno”, com 34 imagens, “purgatório”, com 33 imagens, e “paraíso”, com outros 33 desenhos. As obras foram sendo finalizadas aos poucos e Dalí terminou toda história após cinco anos investindo no trabalho.

Com a ajuda de dos gravadores Raymond Jacquet e Jean Taricco, responsáveis por fazer 35 placas com 3,5 mil blocos xilográficos para reproduzir as aquarelas, as obras da Divina Comédia de Dalí foram criadas em um sistema que permitia sua reprodução mecânica.

O exemplar 283 desse conjunto de ilustrações está em exposição na Caixa Cultural de Brasília após passar por Curitiba e São Paulo. A exposição conta, por meio de imagens, a saga de Dante pelo inferno, purgatório até sua chegada ao paraíso. Tudo isto com as cores fortes e as imagens surrealistas do pintor espanhol.

A exposição conta com obras que interpretam todas as fases de A Divina Comédia. A obra de Dante extrai a agonia, os prazeres, os sabores e dissabores de uma viagem rumo à conquista de um paraíso idealizado.  Os versos vão do limbo aos céus e são retratados por Dalí respeitando a transição do poema. O pintor transferiu, das letras para as telas, os círculos infernais, o centro da Terra, o encontro com Lúcifer, o reencontro com Beatriz, a mulher amada e idealizada, e a admissão de um paraíso.

Serviço

Dalí – A Divina Comédia
Onde: Galeria Vitrine da CAIXA Cultural Brasília
(SBS Quadra 4 Lotes 3/4)
Quando: até 4 de março de 2018
Entrada franca

Masp abre exposição de Tunga sobre sexualidade

O arquiteto por formação Tunga dedicou sua vida artística para tratar de temas como sexualidade e erotismo, focos da exposição inaugurada hoje no Masp

 


Desde sua primeira exposição individual no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, intitulada Museu da masturbação infantil, de 1974 que Tunga dedica seu trabalho artístico para tratar da sexualidade e do erotismo. Tunga, ou Antônio José de Barros Carvalho e Mello Mourão, seu nome de registro, foi escultor, desenhista e artista performático.

A mostra de 1974 incluiu desenhos abstratos que, posteriormente, pautariam o raciocínio acerca de temas eróticos na produção do artista. Eram obras cujas formas evocavam imagens eróticas ou processos de gozo, elementos que foram incluídos na exposição Tunga: O corpo em obras inaugurada hoje para convidados no Masp, em São Paulo.

Arquiteto de formação, Tunga transitou por diferentes linguagens, das artes visuais à literatura, incluindo a escultura, a instalação, o desenho, a aquarela, gravura, vídeo, texto e a instauração até a data de sua morte, em 2016. Frequentemente, suas obras se alimentam de um repertório que provém de distintos campos do conhecimento, como a psicanálise, a filosofia, a química, a alquimia, bem como as memórias e as ficções.

Na exposição que segue no Masp até o dia 11 de março de 2018, a sexualidade não constitui apenas um tema da produção do artista, mas um modo de compreender as relações, vínculos, transformações e criações entre corpos, matérias e linguagens. A escolha dos trabalhos e sua disposição no espaço foram definidas a fim de potencializar essas relações e promover diálogos entre obras de diferentes períodos e técnicas, em detrimento de uma organização cronológica.

A exposição Tunga: o corpo em obras, de curadoria de Isabella Rjeille, encerra o programa anual de 2017 do Masp em torno das histórias da sexualidade, que incluiu mostras individuais dos artistas Teresinha Soares, Wanda Pimentel, Miguel Rio Branco, Toulouse-Lautrec, Tracey Moffatt, Guerrilla Girls, Pedro Correia de Araújo e a exposição coletiva Histórias da sexualidade.

Fonte: MASP / Divulgação

Êxodos ganha exposição na Caixa Cultural de Brasília

Um dos principais trabalhos de Sebastião Salgado chega em Brasília para um mês de exposição na Caixa Cultural


Cidadão do mundo, Sebastião Salgado é um dos principais nomes da fotografia nacional e mundial. Um de seus principais trabalhos, Êxodos, ganhou exposição na Caixa Cultural aqui pertinho de nós goianos, em Brasília. A exposição estreia nesta quarta-feira (30) e segue até o dia 29 de outubro na capital federal.

Sebastião cruzou o mundo a procura do mundo. O fotógrafo viajou para mais de 100 países entre os anos de 2004 e 2012 visitando regiões como Alasca, Patagônia, Etiópia e Amazônia. Em uma destas viagens, acabou capturando imagem de pessoas deixaram sua terra natal contra a própria vontade: migrantes, refugiados e exilados unindo um total de 60 pôsteres.

Êxodos é um de seus mais notórios trabalhos e acaba por relatar um tema que nunca deixa de ser atual: a partida. Na mostra, fotografias foram divididas em cinco temas centrais: África; Luta pela Terra; Refugiados e Migrados; Megacidades; e Retratos de Crianças.

Sebastião Salgado nasceu em Aimorés, interior de Minas Gerais, no ano de 1944 e seguiu seu caminho esperando se tornar um economista. Com graduação e pós-graduação na área, Sebastião se mudou para Paris, onde atuou como economista e acabou se tornando fotógrafo.

Êxodos”
Onde: Caixa Cultural Brasília – Galeria Vitrine
(SBS – Quadra 4 – Lotes 3/4)
Quando: De 30 de agosto a 29 de outubro,
 das 9h às 21h (de terça a domingo).
Quanto: Entrada franca.

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Imagens:
Sebastião Salgado/Divulgação

“Para se organizar o delírio” em cartaz em Nova York

Em retrospectiva do neoconcretismo de Hélio Oiticica, Whitney Museum abre mostra com 150 obras do brasileiro em Nova York

Não é de hoje que os brasileiros se destacam em Nova York. O artista da vez é Hélio Oiticica (1937-1980), que está com 150 trabalhos seus expostos no Whitney Museum na mostra “To organize delirium” (ou, em um bom português, “Para se organizar o delírio”). Estão em cartaz obras com pintura e desenho realizadas a partir de estudos geométricos do neoconcretismo da década de 1950.

O movimento neoconcretista brasileiro ganhou as paredes dos museus norte-americanos com exposições dedicadas às obras de Lygia Pape e agora com a retrospectiva do trabalho de Oiticica, que roda o país em turnê desde o início deste ano. Em Nova York a mostra ganha um reforço sentimental representado pela relação íntima que o artista tinha com a cidade.

Oiticica, que iniciou seus estudos formais ainda menino em Nova York, foi apaixonado pelos encantos e desencantos da Big Apple.  Vivia de um delírio utópico de um dia poder juntar a cidade com seu continente vizinho e passou sua juventude vivendo da cultura nova-iorquina representada por nomes como Yoko Ono, John Lennon e, claro, Andy Warhol. É que em 1971, Hélio partiu do Brasil ditadura para um exílio voluntário em Nova York, cidade que já havia morado quando criança.

Durante seus anos em Babilônio – como ele costumava chamar a cidade de Nova York – Oiticica fez curtas-metragens e se dedicou principalmente à escrita. Sua ideia era escrever um livro, “Newyorkaises e Conglomerado”, que acabou nunca sendo finalizado – mais tarde César Oiticica Filho e Frederico Coelho concluíram um livro sobre o trabalho de Hélio contendo grande do material produzido por ele em seu tempo nos Estados Unidos.

Seu interesse por novas mídias e pelo rompimento com o concretismo fez com que Hélio difundisse em seus trabalhos, como em “Tropicália”, a ideia de que arte não é uma contemplação estática da tela, mas uma interação com seu espectador. Parte de seu trabalho foi realizada em parceria com os neoconcretistas do Rio de Janeiro, como Lygia Clark. Juntos formaram o Grupo Frente e encontraram a abstração geométrica e a experimentação artística.

Hélio Oiticica em retrato da época que viveu em Nova York, assunto de retrospectiva do artista no Museu Whitney, em Nova York

Pedra no Céu: Paulo Mendes da Rocha

Paulo Mendes da Rocha é um dos arquitetos mais premiados do Brasil. Seu trabalho cruzou fronteiras, suas linhas marcam a história da arquitetura e seu nome é conhecido nos quatro cantos do mundo. É por […]

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Paulo Mendes da Rocha é um dos arquitetos mais premiados do Brasil. Seu trabalho cruzou fronteiras, suas linhas marcam a história da arquitetura e seu nome é conhecido nos quatro cantos do mundo. É por isto que o designer, arquiteto e professor da USP ganha uma homenagem de dentro de um dos prédios que carrega seu design: a exposição Pedra no Céu realizada pelo Museu Brasileiro da Escultura (Mube) até o dia 2 de julho em São Paulo.

Pedra no Céu é uma alusão às pedras levantadas no céu pelo arquiteto, como a própria sede Mube. A exposição traz mais de 50 obras de 25 artistas que de alguma forma dialogam com o trabalho de Paulo Mendes, como Amilcar de Castro, Carmela Gross, Cildo Meireles e Nuno Ramos. Parte do acervo do Museu de Arte Moderna (MoMa) de Nova York, a maquete do Mube também está na exposição.

“A nossa proposta, ao pensar esta mostra, foi homenagear o trabalho de Paulo Mendes da Rocha”, explicou historiador de arte Cauê Alves, curador da mostra. “Paulo é autor do prédio do Mube, que é um dos dez prédios mais importantes da arquitetura brutalista do mundo”, lembrou.

Segundo os curadores Guilherme Wisnik  e Alves, a mostra se aproxima das referências artísticas de Paulo Mendes da Rocha e de diálogos que ele estabeleceu entre o seu projeto e a produção de artistas como René Magritte e Henry Moore. “A exposição também explora relações entre o museu e a produção contemporânea, seja a partir de contrastes ou de consonâncias. Trabalhos tridimensionais, fotografias, pinturas e desenhos de diversos artistas que se relacionam com arquitetura e elementos estruturais do prédio do museu, como a marquise, as paredes de concreto e a paisagem, estão exibidos”, concluíram.

Paulo Mendes

Capixaba de nascença e paulistano de vivência, Paulo Mendes da Rocha pertence a um seleto grupo de arquitetos modernistas que movimentaram o design nacional, no Brasil e no exterior. Paulo assumiu uma posição de destaque a partir do premio Pritkzer que recebeu em 2006 e assinou projetos de renome na arquitetura nacional, como o pórtico da praça Patriarca, a reforma da Estação da Luz e o ginásio do Clube Paulistano, além do já mencionado museu Brasileiro da Escultura (Mube).

Graduado em arquitetura pela Universidade Presbiteriana Mackenzie de São Paulo, desde o início de sua carreira Paulo valorizou uma arquitetura “crua, limpa e clara”, característica que imprimiu também em seus mobiliários. É por esta razão que Paulo é considerado, ao lado de Vilanova Artigas e Le Corbusier, um dos grandes nomes do modernismo.

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O corpo humano e os objetos cotidianos na perspectiva de Erwin Wurm

CCBB mostra 40 obras do artista Erwin Wurm e sua reação entre o corpo e os objetos

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Os objetos e o corpo são temas da mostra do austríaco Erwin Wurm em cartaz no Centro Cultural do Banco do Brasil (CCBB) em Brasília. A mostra chegou à capital federal para as comemorações de aniversário da cidade, mas antes estavam em cartaz na capital paulista.

Erwin Wurm apresenta uma série de trabalhos que discute justamente a relação do corpo humano com as coisas, não apenas a partir do físico, mas também de suas camadas psicológicas e espirituais.

Suas obras utilizam um deslocamento de elementos do cotidiano para o campo da arte, reconfigurando objetos familiares como casas, carros, roupas e alimentos para um contexto inesperado, engraçado e ao mesmo tempo crítico em relação à sociedade contemporânea.

Erwin Wurm nasceu na Áustria em 1954 e ficou sobretudo conhecido por seu trabalho com esculturas, inclusive suas esculturas de performance.  Na obra One Minute Sculptures, que apresentou pela primeira vez na Alemanha e que trouxe ao Brasil para a exposição no CCBB, o autor escolhe objetos banais do cotidiano para interagir com o publico.

O autor escolheu as 40 peças que trouxe ao Brasil para tratar de forma crítica da desproporção que os objetos ganham na vida das pessoas. Então quem passar por Brasília até o dia 26 de junho, não perca.

Fonte e Imagem: CCBB

O céu ainda é azul, você sabe…

Instituto Tomie Otake recebe obras de Yoko Ono para uma grande retrospectiva da carreira da artista

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Yoko Ono é a vanguarda da arte. Seu trabalho questiona as fronteiras tradicionais entre a obra e público, e o Instituto Tomie Ohtake vai diminuir mais estes dois extremos em mostra retrospectiva da obra da artista. O crítico islandês Gunnar B. Kvaran é o curador da exposição O Céu Ainda é Azul, Você Sabe…, que pretende revelar os elementos básicos que definem a vasta e diversa carreira artística de Yoko Ono.

Pioneira da arte conceitual, ainda hoje Yoko Ono continua a contestar o conceito de arte e do objeto de arte e por isto a exposição se propõe a viajar pela noção da própria arte, com forte engajamento político e social da obra de Yoko.

A exposição foi concebida especialmente para o Instituto Tomie Ohtake, em São Paulo, e é formada por 65 peças de “Instruções”, que evocam a participação do espectador para sua realização. São trabalhos que sublinham os princípios norteadores da produção da artista, ao questionar a ideia por trás de uma obra, destacando a sua efemeridade enquanto a dessacraliza como objeto.

Yoko Ono é compositora, cantora e artista plástica. Nascida no Japão em 1933, Yoko estudou nas melhores escolas até sua mudança para os Estados Unidos durante a Segunda Guerra Mundial. Foi em Nova York que a artista passou a conviver entre artistas e músicos – incluindo seu segundo marido, o Beatle John Lennon – e, em meio à efervescência cultural da década de 1960 desenvolve seu rico trabalho artístico.

Segundo Gunnar B. Kvaran, curador da mostra, O Céu Ainda é Azul, Você Sabe… é uma retrospectiva de “Instruções” que evidencia as narrativas que expressam a visão poética e crítica de Yoko Ono. São trabalhos criados a partir de 1955, quando ela compôs a sua primeira obra instrução, Lighting Piece / Peça de Acender (1955), “acenda um fósforo e assista até que se apague”. Na exposição, é possível seguir a sua criatividade e produção artística pelos anos 60, 70, 80, até o presente.

A mostra abre suas portas amanhã e fica em cartaz até 28 de maio, então quem passar por São Paulo neste período, não deixe de conferir. A entrada é de 12 reais a inteira e os horários de visitação são das 11h às 13h, das 13h ás 15h, das 15h às 17h e das 17h às 20h.

Informações e imagem: Instituto Tomie Ohtake

Met Breuer recria performance icônica de Lygia Pape

Um dos principais trabalhos de Lygia Pape, “Divisor”, é recriado nas ruas de Nova York

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O Blog AZ noticiou na áltima semana que o trabalho neoconcretista da artista brasileira Lygia Pape protagoniza exposição na filial do Metropolitan Museum of Art especializado em arte moderna, o Met Breuer, em Nova York. A cidade recebe a maior retrospectiva de seu trabalho enquanto se encanta pelo movimento de contracorrente concretista criado no Brasil no final da década de 1950.

Esta semana, seu trabalho saiu do museu e ganhou as ruas da cidade norte-americana. É que sua obra “Divisor” foi reproduzida nas ruas da Big Apple. “Divisor” é uma performance criada pela artista em 1968, quando ela propôs uma ruptura nos padrões tradicionais da  arte e uma aproximação entre a obra e o espectador.

À época, Lygia disse que qualquer pessoa poderia reproduzir “Divisor”, o que a tornava uma arte pública da qual as pessoas podem participar. Sábado, as pessoas mais uma vez participaram. Em um lençol de 30 m², que imitam a tela de um quadro, furos foram feitos para que as pessoas colocassem suas cabeças. Juntas elas desceram 5ª Avenida, uma das principais ruas de Nova York.

Esta não foi a primeira vez que “Divisor” foi recriada. A obra já andou, literalmente, em exposições no Brasil depois de sua criação em 1968. A exposição continua em Nova York até 23 de junho, mas obras da artista podem ser vistas também no Museu no Inhotim, em Minas Gerais.
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Imagens: Divulgação/ Facebook Lygia Pape

Lygia Pape ganha retrospectiva em museu nova-iorquino

Met Breuer apresenta primeira grande retrospectiva do trabalho de Lygia Pape e se derrama pelo neoconcretismo brasileiro

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Arte concreta parece unir duas palavras que não se misturam. É que arte é abstração, criação, sensibilidade e expressividade. Foi pensando nisso que um grupo de artistas do Rio de Janeiro criou, no final da década de 1950, o movimento neoconcretista com o objetivo de propor uma reação aos concretistas ortodoxos. Não precisamos estender muito no assunto para perceber que estamos falando de um grupo para lá de vanguardista e um importante nome saído desse movimento foi o de Lygia Pape.

Lygia Pepe, falecida em 2004, ganhou o mundo e seu trabalho agora ganha Nova York na primeira grande retrospectiva dedicada ao seu trabalho feita pela filial do Metropolitan Museum of Art especializado em arte moderna, o Met Breuer. Outros nomes do neoconcretismo brasileiro, como Lygia Clark e Hélio Oiticica, também tiveram seus trabalhos expostos nos museus de arte moderna nova-iorquinos.

A exposição, batizada de Multitude of forms, apresenta dezenas de pinturas, esculturas, gravações, curtas-metragens, fotografias, instalações e performances da artista na primeira grande mostra retrospectiva de Lygia Pape nos Estados Unidos.

O nome da exposição não foi ao acaso, o Grupo Frente – do qual Lygia fez parte – ra um coletivo de artistas fascinados com as formas geométricas. Foi da experiência com o Frente que Pape buscou as bases para, junto com Hélio Oiticica e Lygia Clark, fundar o neoconcretismo – busca pela abstração geométrica e a experimentação artística.

Artista

Lygia Pape construiu sua carreira artística no Rio de Janeiro, onde  integrou os  grupos Frente e Neoconcreto, participando ativamente da renovação que marcou a arte brasileira naquele período. Os movimentos buscavam o resgate da liberdade de experimentação, tolhidos pela ortodoxa arte concretista que vigorava na época.

Ao lado de nomes como Amílcar de Castro, Ferreira Gullar, Franz Weissmann, Lygia Clark, Reynaldo  Jardim e Theon Spanudis, Pape assinou em 1959 manifesto do movimento Arte Neoconcreta questionando os parâmetros racionalistas do projeto construtivo e recuperando a dimensão subjetiva da arte.

Quem não puder visitar o continente vizinho para ver a obra de Lygia Pape no Met Breuer, inaugurada ontem (21), pode visitar o estado vizinho e ver o trabalho da artista no incrível Museu do Inhotim.

Tecelar 1955

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Divisor 1968

Divisor 1968

Instalação Londres (foto: Jarry Hardman)

Instalação Londres (foto: Jarry Hardman)


Imagens:
Divulgação

Antoni Gaudí: o arquiteto das escalas ornamentais

O Instituto Tomie Ohtake recebe exposição que mostra a importância do trabalho de Gaudí para a Catalunya

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Quem conhece a Espanha sabe que a Catalunya é uma região à parte, tão à parte que reivindica a independência em face da Espanha e da França.  No mundo da arte e da arquitetura, o nacionalismo Catalão ganhou fortes representantes no modernismo e nas transformações sociais e culturais que marcaram o final do século 19 e início do século 20. Na arquitetura, este representante é famoso no mundo e muito bem representado em Barcelona: Antoni Gaudí.

O arquiteto desprendeu-se de influências e estilos para enveredar em uma arquitetura marcada pela intensa relação com a técnica construtiva e com os materiais. Sua linguagem única é marca da Catalunya e por isso ganhou fama em todo mundo. Foi por toda a sua importância que o Instituto Tomie Ohtake levou a São Paulo a obra universal de Antoni Gaudí, trazendo trabalhos oriundos do Museu Nacional de Arte da Catalunha, Museu do Templo Expiatório da Sagrada Família e da Fundação Catalunya-La Pedrera.

Teto da Sagrada Família

Teto da Sagrada Família

A exposição Gaudí: Barcelona, 1900, que fica em cartaz na capital paulista até o dia 5 de fevereiro, reúne 46 maquetes, quatro delas em escalas monumentais, e 25 peças entre objetos e mobiliário criados pelo mestre catalão – muitos não sabem, mas Gaudí também foi um designer de móveis. Completam a mostra cerca de 40 trabalhos de outros artistas e artesãos que compunham a avançada cena de Barcelona nos anos 1900.

“Originalidade é voltar à origem; de modo que original é aquele que, com novos meios, volta à simplicidade das primeiras soluções. Portanto, é original resolver a simplíssima basílica com a complexidade da estabilidade individual das abóbadas”.

Gaudí foi o arquiteto das escalas bem montadas e da matemática bem calculada. O resultado, entretanto, não foi cartesiano. O que chamou a atenção no trabalho de Gaudí foram suas soluções estruturais, testadas com modelos em escala, que se desdobraram em uma linguagem ornamental e inusitada.
O monumental templo católico da Sagrada Família, no coração da cidade de Barcelona, é um clássico da arquitetura de um estilo que não se encaixa em nenhuma corrente conhecida da arte e da arquitetura do século passado – ou de qualquer outro. A igreja, ainda inacabada, possui uma fachada rebuscada com desenhos que representam importantes passagens bíblicas.

Cadeira desenhada e feita por Gaudí

Cadeira desenhada e feita por Gaudí

Cadeira desenhada e feita por Gaudí

Cadeira desenhada e feita por Gaudí

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